07/08/2026 07h43
Fundação Florestal encerra participação na São Paulo Climate Week com soluções para erosão costeira, RPPNs e governança integrada
Segundo dia do evento oficial em São Paulo reuniu gestores, especialistas e entidades para debater ações emergenciais em áreas protegidas, o avanço das reservas privadas e a articulação entre as COPs de Clima e Biodiversidade
A Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), realizou nesta quinta-feira (6) a sua última programação como hub oficial da São Paulo Climate Week 2026. O dia de fechamento conectou o trabalho de campo realizado no Litoral Paulista ao cumprimento dos grandes compromissos climáticos globais do Brasil.
O assessor de Relações Internacionais da Fundação Florestal, Oswaldo Lucon, foi o mestre de cerimônia do evento e ressaltou como as ações do Estado impactam os acordos internacionais. "A adaptação climática não é uma meta abstrata; ela acontece na linha de costa, nas encostas das serras e nas áreas protegidas. Ao reunirmos o poder público, o terceiro setor e a iniciativa privada, demonstramos que o Estado de São Paulo está transformando dados científicos em respostas contínuas para proteger ecossistemas e populações vulneráveis", diz Lucon.
Adaptação e Resiliência na Zona Costeira Paulista
A parte da manhã iniciou com um olhar atento às soluções urgentes para a erosão e os eventos climáticos extremos no litoral paulista. Na apresentação do coordenador Gustave Gilles Lopez e da técnica Fernanda Cestari, do Núcleo de Oceanos da Fundação Florestal, foi detalhado como o Parque Estadual da Ilha do Cardoso, em Cananéia, vem enfrentando o avanço do mar. Com a combinação de tecnologia e restauração ecológica, a instituição aposta na "engenharia suave" — unindo geotubos de areia à recomposição da vegetação de restinga para conter a força do avanço das águas.
Mais do que proteger a costa, as intervenções têm um impacto social direto. A gestora do parque, Emily Coutinho, ressaltou na sua apresentação que conter a erosão é fundamental para evitar o isolamento das comunidades locais. Além disso, as obras visam amenizar a "ansiedade climática" vivida pelas famílias, garantindo a elas o acesso contínuo a serviços essenciais como saúde e educação.
Completando o panorama de resiliência, a diretora executiva do Instituto Conservação Costeira (ICC), Fernanda Carbonelli, compartilhou os resultados da recuperação do Litoral Norte após as intensas chuvas de 2023. Com a utilização de Soluções Baseadas na Natureza, a iniciativa já colocou 203 hectares em processo de restauração e capacitou mais de 5 mil alunos, reafirmando que a conservação ambiental e o ordenamento territorial são a melhor infraestrutura de proteção para as comunidades.
Unidades de Conservação e Compromissos Globais
A importância do engajamento privado na conservação ambiental deu o tom do painel seguinte. A especialista em RPPNs, a analista de Recursos Ambientais da Fundação Florestal, Ana Xavier, destacou como o fortalecimento das reservas particulares é decisivo para o cumprimento das metas do Marco Global 30x30. "Como cerca de 77% da vegetação nativa paulista está em imóveis privados, é impossível garantir a conectividade da paisagem sem os proprietários. As 118 RPPNs do estado transformam o engajamento voluntário em conservação permanente", ressaltou Xavier.
As apresentações matutinas foram encerradas com a apresentação do analista ambiental da Fundação Florestal, Diego Hernandes. O especialista abordou a estrutura do Cadastro Nacional de Unidades de Conservação (CNUC) e do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) como pilares das metas climáticas brasileiras (NDC 2024). "As Unidades de Conservação são a espinha dorsal da resiliência do país. Seja estocando carbono ou protegendo mananciais hídricos, a gestão integrada entre União, Estados e Municípios é a ferramenta mais sólida para cumprirmos o Acordo de Paris", definiu Hernandes.
Duas COPs, Uma Agenda: A Integração entre Clima e Biodiversidade
O encerramento do evento foi marcado por um rico debate sem apresentações formais, reunindo especialistas para discutir a conexão direta entre biodiversidade, planejamento e segurança hídrica. A condução da roda de conversa ficou a cargo da especialista Marina Balestero, chefe da Assessoria de Mudanças Climáticas da Semil, que direcionou as discussões com foco nas próximas conferências globais da ONU. "O desafio do nosso tempo é conectar a ciência e as metas globais de clima às soluções práticas no território, garantindo que São Paulo chegue às próximas COPs com entregas concretas em segurança hídrica e conservação", destacou.
Na sequência do debate, a especialista ambiental da Semil, Carolina Born, defendeu o alinhamento institucional entre clima e biodiversidade para atrair investimentos. Já a urgência do desenho urbano sustentável e da infraestrutura verde nas cidades foi apontada pela arquiteta e urbanista Riciane Pombo, da Guajava Arquitetura, como elementos-chave para o combate às ilhas de calor e às enchentes.
Para consolidar essa visão em políticas públicas, a diretora de Planejamento Ambiental da Semil, Marcia Itani, ressaltou a importância de dar escala aos instrumentos de ordenamento territorial em bacias vulneráveis. Sob a perspectiva regulatória, a gerente do Departamento de Ações Estratégicas e Licenciamento da Cetesb, Vanessa Hermida Fidalgo, reforçou que a análise de impacto de novos empreendimentos já incorpora a proteção dos serviços ecossistêmicos. O gerente de Inovação e Sustentabilidade da SP Águas, Rafael Chasles, enfatizou que a recuperação de florestas e a proteção de cabeceiras são as estratégias mais eficientes para assegurar o abastecimento hídrico no estado.




