- mell280
28/07/2026 12h08
IA avança para integrar dispositivos e automatizar decisões
A conveniência aumenta quando assistentes passam a acessar mensagens, documentos, compras e compromissos, mas também crescem os riscos sobre privacidade, autonomia e controle das decisões.
“O fim dos aplicativos é uma expressão provocativa, mas o que está realmente em curso é uma mudança na forma como as pessoas acessam os serviços digitais. Em vez de abrir diferentes programas, preencher campos e repetir comandos, o usuário poderá simplesmente informar o que deseja, enquanto a inteligência artificial coordena as etapas necessárias. Os aplicativos e as páginas de internet provavelmente não desaparecerão no curto prazo, mas poderão deixar de ocupar o centro da experiência e passar a funcionar como uma infraestrutura quase invisível por trás dos assistentes inteligentes. Essa mudança representa um avanço importante, mas também eleva consideravelmente a responsabilidade dos sistemas. Uma inteligência artificial que apenas responde a uma pergunta tem um alcance limitado. Quando ela, por meio de agentes inteligentes, passa a consultar mensagens, interpretar compromissos, acessar documentos, realizar compras ou compartilhar informações entre dispositivos, qualquer erro pode produzir consequências concretas. Por isso, a evolução da IA agêntica e proativa depende não apenas de modelos mais eficientes, mas de regras claras sobre permissões, rastreabilidade, segurança, possibilidade de revisão e responsabilidade pelas decisões tomadas. O principal desafio será conciliar conveniência com autonomia e segurança. Quanto mais o smartphone antecipar escolhas e organizar silenciosamente a rotina, maior será o risco do usuário não compreender quais dados foram utilizados ou porque determinada ação foi sugerida. A tecnologia é requisitada pela sociedade para reduzir o esforço das tarefas e aumentar a produtividade, mas espera-se que as pessoas não sejam observadoras acéfalas das decisões da máquina. O melhor sistema não será aquele que faz tudo sozinho para todas as tarefas e processos possíveis, mas aquele que compreende o contexto, explica suas ações necessárias e devolve ao usuário o controle final para intervenções concientes”, afirma Celso Camilo, Doutor em Inteligência Artificial e professor da Universidade Federal de Goiás.
Sobre o Celso Camilo
https://ww2.inf.ufg.br/~celso/
Celso Camilo, Doutor em IA e professor da Universidade Federal de Goiás.
Celso Camilo é Mestre e Doutor em Inteligência Artificial e professor associado da Universidade Federal de Goiás (UFG). Com trajetória acadêmica e internacional consolidada, foi professor visitante na Carnegie Mellon University (EUA) entre 2015 e 2016, no Indian Institute of Technology Gandhinagar (Índia) em 2022 e na Mohamed bin Zayed University of Artificial Intelligence (MBZUAI) em 2026, nos Emirados Árabes Unidos, além de representar o Brasil em fóruns globais de inovação e tecnologia.
Atua como pesquisador, consultor e palestrante, com destaque para a apresentação realizada na NASA (JPL, em Los Angeles), e coordena o desenvolvimento da GAIA, a primeira inteligência artificial aberta especializada em português. Sua atuação também se estende ao setor privado, onde contribui como conselheiro em empresas de diferentes segmentos, como transporte, educação, mercado imobiliário e venture capital, conectando tecnologia e estratégia de negócios.
No setor público, acumulou experiência em posições estratégicas, tendo sido Secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Ciência e Tecnologia de Goiânia e Subsecretário de Tecnologia da Informação do Estado de Goiás, com foco na implementação de políticas e projetos voltados à inovação, digitalização e desenvolvimento econômico.



