- mell280
22/07/2026 08h36
Adesão ao Novo Desenrola Brasil na RMRP quase dobrou em apenas um mês, diz estudo do IEMB-Acirp
De maio a junho, operações subiram 99% e volume contratado cresceu 59% na região, ficando acima da média nacional (+45%), mas efeito no consumo deve vir só no fim do ano; Ribeirão Preto concentra a maior parcela das renegociações regionais
A renegociação de dívidas por meio do programa federal Desenrola Brasil praticamente dobrou na Região Metropolitana de Ribeirão Preto entre maio e junho de 2026, segundo dados divulgados pela Associação Comercial e Industrial da cidade (Acirp).
O mapeamento, feito pelo Instituto de Economia Maurílio Biagi (IEMB-Acirp), indica que, apenas entre maio e junho, o número de operações na regional praticamente dobrou (+99%) e o volume contratado cresceu 59%. O ritmo da expansão é superior à média nacional, que foi de 45% no mesmo período.
Até a primeira quinzena de julho, a regional recebeu R$ 21,95 milhões para renegociações de dívidas de famílias com renda de até 5 salários mínimos. Mais da metade do valor está concentrado na cidade de Ribeirão Preto, que junto com outras quatro cidades, retém 75,1% do montante regional.
“O trabalho do IEMB-Acirp é muito importante para orientar a tomada de decisão das empresas. O endividamento reduz o acesso das pessoas a itens essenciais e diminui um consumo fundamental para manter empregos e negócios operantes na nossa região” , destaca Sandra Brandani, presidente da Acirp.
O estudo "Impacto do Novo Desenrola Brasil sobre a Região Metropolitana de Ribeirão Preto (RMRP)” analisa a segunda edição do programa federal de renegociação de dívidas, traduzindo os efeitos dessa política pública para o dia a dia do comércio, dos serviços e da população geral da região. O material completo - com perfil nacional, detalhes sobre o programa e quadro completo por cidade da região - está disponível para download gratuito em https://www.acirp.com.br/noticias/noticia/adesao-ao-novo-desenrola-brasil-na-rmrp-quase-dobrou-em-apenas-um-mes.
Números da região
Ao todo, 11.364 mutuários das 34 cidades da RMRP aderiram ao programa federal de renegociação de dívidas, gerando 11.873 operações até a primeira quinzena de julho.
O ticket médio das operações na região ficou em R$ 1.849, valor próximo da média nacional (R$ 1.879). De acordo com os analistas do IEMB-Acirp, o perfil dos beneficiários do programa pela RMRP é compatível com dívidas de consumo de menor monta — cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, em coerência com o público-alvo do programa, que é de pessoas com renda mensal de até R$ 8.105,00. A inadimplência das próprias operações permanece baixa, em 1,61%.
A distribuição das contratações é bastante concentrada: os cinco maiores municípios (Ribeirão Preto, Sertãozinho, Mococa, Jaboticabal e Batatais) respondem por 75,1% do valor total renegociado na região, sendo 52,6 pontos percentuais apenas em Ribeirão Preto. Lucas Ribeiro, economista do IEMB-Acirp, ressalta que essa concentração “acompanha, em larga medida, a distribuição da população e da atividade econômica na RMRP” e se intensificou entre maio e julho de 2026.
Peso no comércio e serviços
As projeções do IEMB-Acirp indicam que o programa pode beneficiar o ambiente de negócios regional ao reduzir o custo das dívidas sobre o orçamento das famílias. Também fará a diferença ao tornar esses consumidores “desnegativados”, ou seja, novamente aptos a obterem crédito formal.
Os setores mais sensíveis a esse efeito são comércio varejista (vestuário, calçados, eletrodomésticos, móveis e material de construção), serviços de consumo (alimentação fora do lar, beleza, lazer e serviços pessoais), saúde e educação privadas, bem como comércio de bens duráveis e semiduráveis.
O IEMB alerta, porém, que esse efeito tende a se materializar com defasagem: como o programa funciona como um refinanciamento, o alívio no orçamento das famílias não vem a curto prazo e deve se refletir no consumo apenas no fim de 2026.
Ribeiro reforça que o Novo Desenrola Brasil deve, de fato, abrir uma janela real de oportunidade para comércio e serviços da região, mas as expectativas precisam ser calibradas. A recomendação é que o empresário da RMRP trate o estímulo como uma janela temporária, e não como uma mudança permanente no patamar de demanda.
Entre os pontos de atenção listados estão o risco de reincidência no endividamento das famílias, a natureza temporária do programa (janela de 90 dias, prorrogável) e a necessidade de prudência na concessão de crédito a consumidores recém-desnegativados, cuja melhora cadastral é recente.
Endividamento
O relatório do IEMB-Acirp destaca que a “eficácia e a relevância do Novo Desenrola só se compreendem à luz do quadro macroeconômico que o cerca: uma inadimplência historicamente alta, um endividamento elevado das famílias e um custo do crédito entre os mais altos do mundo.”
Segundo a Serasa Experian, o Brasil atingiu 83,5 milhões de pessoas com restrição no nome em maio de 2026, enquanto o endividamento das famílias alcançou 49,9% da renda, o maior patamar da série histórica do Banco Central. Mesmo com a Selic em trajetória de queda (14,25% ao ano em junho), o rotativo do cartão de crédito seguia acima de 400% ao ano, dificultando a eliminação das dívidas mais caras desse grupo. O documento destaca que 78% dos inadimplentes hoje têm renda de até 2 salários mínimos mensais. Para o IEMB-Acirp, a persistência do endividamento é o mais preocupante no cenário nacional, pois, 42% desse público (ou 34 milhões de brasileiros) está há mais de uma década “presos a um ciclo de endividamento crônico”
O que é Desenrola
O Novo Desenrola Brasil é vinculado ao Ministério da Fazenda e foi instituído pela Medida Provisória nº 1.355/2026, permitindo renegociar dívidas com descontos de até 90% e juros de no máximo 1,99% ao mês, além de prazo de até 48 meses.
São elegíveis para o benefício contratos em atraso entre 91 dias e 2 anos, que tenham sido firmados até 31 de janeiro de 2026, com teto de dívida de até R$ 15 mil por instituição financeira e possibilidade de usar parte do FGTS para amortizar ou quitar o valor negociado.
Sobre a Acirp Fundada em agosto de 1904, a Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp) é uma entidade representativa patronal centenária e uma das maiores associações comerciais do país, com cerca de 5 mil associados ativos. Atua em prol do desenvolvimento econômico e social da região, com iniciativas que estimulam a competitividade e a inovação. Oferece ainda uma série de serviços para melhoria da gestão empresarial, incluindo treinamentos e capacitações para profissionais e equipes.
Sobre o IEMB Criado em 1954, aniversário de 50 anos da Acirp, o IEMB surgiu com objetivo de reunir e divulgar estatísticas do município e da região. Em 1979, o departamento foi rebatizado em homenagem ao empresário Maurílio Biagi, destaque do setor sucroalcooleiro e pilar da comunidade empresarial da cidade. Foi comandado de 1969 a 2023 pelo professor e articulista Antônio Vicente Golfeto. É uma referência para empresários, gestores e sociedade, oferecendo suporte para decisões estratégicas e contribuindo para o entendimento da economia local. Atualmente é comandado pelo economista Nelson Rocha, gestor adjunto do IEMB-Acirp e diretor presidente do BRP.


