- mell280
14/07/2026 09h50
Safra 2026/27: entenda como fósforo acumulado no solo pode reduzir os custos com fertilizantes
Diante da crise global de fertilizantes, especialista explica como o manejo técnico pode gerar economia na safra 2026/27 ao aproveitar o fósforo já acumulado no solo e diminuir a dependência de fertilizantes importados.
O produtor brasileiro inicia o planejamento da safra 2026/27 em meio à instabilidade do mercado global de fertilizantes. As restrições impostas pela China às exportações de fertilizantes fosfatados, somadas aos impactos das tensões geopolíticas sobre a logística internacional e o comércio de insumos agrícolas, mantêm o mercado sob forte pressão e elevam a preocupação do setor com os custos de produção da próxima temporada.
Diante do risco de estrangulamento das margens financeiras, o engenheiro agrônomo e consultor Leandro Barcelos, fundador da A Raiz da Solução, afirma que a resposta para enfrentar o cenário de escassez global não está em gastar mais, mas em acionar o estoque invisível que muitas fazendas já possuem no solo.
O Brasil importa mais de 75% dos fertilizantes fosfatados que consome, o que torna o país altamente dependente das oscilações do mercado internacional. As recentes restrições chinesas às exportações, aliadas às dificuldades logísticas provocadas pelas tensões geopolíticas, reduziram a oferta global e reforçaram essa vulnerabilidade. No entanto, por trás dessa dependência externa existe uma característica pouco explorada dos solos tropicais brasileiros. Estudos da Embrapa mostram que, devido à alta capacidade de fixação do solo brasileiro, a maior parte do fósforo aplicado nas últimas décadas acabou se acumulando na terra em formas não disponíveis para as plantas, criando uma espécie de reserva invisível no perfil do solo.
Análises de campo conduzidas pela consultoria A Raiz da Solução mostram que, em muitas áreas comerciais de produção de grãos, os níveis de fósforo disponível superam aproximadamente 30 ppm (partes por milhão) em resina. Quando associados ao equilíbrio químico do solo e às condições adequadas de manejo, esses níveis permitem ao produtor revisar, com respaldo técnico, a estratégia de adubação fosfatada, o que reduz desperdícios sem comprometer o potencial produtivo.
"O produtor precisa parar de comprar fertilizante por hábito ou pelo pacote engessado que o mercado comercial empurra na mesa. Se a sua análise de solo mostra um nível de fósforo acima de 30 ppm em resina, a planta tem o que comer. O fertilizante mais barato na crise é aquele que você já tem retido na sua terra. Se o solo está equilibrado quimicamente, reduzir a dose de adubação fosfatada na safra 2026/27 não vai derrubar sua produtividade; vai salvar a sua margem de lucro," afirmou Leandro Barcelos.
Construção do Perfil do Solo e Desenvolvimento Radicular
Em um cenário de fertilizantes mais caros e maior pressão sobre os custos de produção, cada quilo de adubo aplicado na safra 2026/27 precisa entregar o máximo de eficiência. Para Barcelos, o aproveitamento do fósforo e do nitrogênio importados depende diretamente da estrutura profunda da terra. De nada adianta investir em formulações caras se o sistema radicular da cultura ficar limitado aos primeiros centímetros de profundidade, impedido de explorar o solo e dissolver o nutriente retido.
A chave para destravar esse potencial passa por corrigir o perfil do solo por meio do equilíbrio de bases (relação cálcio, magnésio e potássio) e da descompactação física. Essa abordagem foi a base para que projetos sob sua assessoria técnica quebrassem tetos produtivos históricos, como o case da fazenda AgroMallon, campeã do CESB com 135,49 sacas por hectare.
"A planta só vai extrair eficiência do adubo caro se tiver raiz para buscar. O foco na safra 2026/27 tem que ser a construção de perfil de solo em profundidade e o equilíbrio químico. Quando você corrige a saturação de bases e condiciona o solo de forma racional, a planta expande o sistema radicular e acessa nutrientes que antes estavam bloqueados. É assim que a gente rompe o teto das 100 sacas por hectare gastando menos por saca produzida. A crise dos fertilizantes é um chamado forçado para o produtor se tornar um gestor técnico da sua própria terra," explicou Barcelos.
Quem é Leandro Barcelos?
Especialista em fisiologia vegetal com mais de 40 anos de vivência no campo, Leandro Barcelos é o consultor agronômico por trás do recorde nacional de produtividade de soja do CESB 2025. Natural do Rio Grande do Sul e filho de produtores, trilhou uma jornada resiliente: de produtor rural a caminhoneiro, estudando ciência das plantas na cabine do caminhão após enfrentar perdas severas pela seca. Essa trajetória o levou a desenvolver um método exclusivo chamado A Raiz da Solução, que permite colher acima de 100 sc/ha em diversas regiões do Brasil.
Referência técnica validada por milhares de alunos e cases de sucesso espalhados por todo o país, ele transformou o desafio do estresse hídrico na marca histórica de 135,49 sc/ha na Fazenda Santa Bárbara (SC), consolidando-se como uma das maiores autoridades em produtividade e resiliência climática no agronegócio brasileiro.


