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Setor de produtos frescos acelera transformação no primeiro semestre


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  • mell280

13/07/2026 12h25

Setor de produtos frescos acelera transformação no primeiro semestre

Vera Moreira



setor acompanha com atenção os efeitos climáticos previstos para o segundo semestre com a expectativa de intensificação do El Niño

O primeiro semestre de 2026 consolidou uma mudança estratégica no setor brasileiro de frutas, flores, legumes, verduras e ovos (FFLVO). Pressionado pela necessidade de resolver perdas operacionais, alcançar eficiência logística e responder às mudanças no comportamento do consumidor, o segmento acelerou investimentos em inteligência comercial, inovação e conveniência, posicionando os produtos frescos como uma das principais alavancas de rentabilidade do varejo alimentar.

Encontros promovidos pela International Fresh Produce Association (IFPA) e debates em fóruns do setor evidenciaram uma nova visão sobre frutas, flores, legumes e verduras dentro dos supermercados. A categoria deixou de ser tratada apenas como uma seção operacional e passou a ocupar espaço estratégico para fidelização, diferenciação e geração de margem.

“Estamos vivendo uma mudança importante no setor,” afirma Valeska Ciré. “O FFLVO deixou de ser visto apenas como categoria de abastecimento e passou a ocupar espaço estratégico dentro do varejo alimentar. Hoje existe compreensão clara de que o setor é fundamental para suprir as mudanças de comportamento do consumidor e suas demandas, refletindo no potencial de resultado no ponto de venda.”

O setor vem abandonando decisões baseadas apenas em experiência ou intuição, adotando ferramentas capazes de reduzir perdas e melhorar margem operacional. Estudos apresentados em eventos de negócios da IFPA apontam que varejistas que utilizam modelos preditivos conseguem reduzir perdas em até 25% e rupturas em até 30%—um ganho competitivo significativo em segmento historicamente pressionado por margens reduzidas.

Saudabilidade e Conveniência: Novas Oportunidades

Outro destaque do primeiro semestre foi o fortalecimento da demanda por alimentos frescos associados à saudabilidade e praticidade. Produtos como frutas cortadas, saladas prontas, vegetais higienizados e itens prontos para consumo ganharam espaço nas discussões comerciais, abrindo novas oportunidades de valor agregado para produtores, indústria e varejo.

“O consumidor mudou muito rapidamente,” destaca Valeska Ciré. “Existe demanda crescente por praticidade, saudabilidade e conveniência. Isso cria espaço para produtos de maior valor agregado e exige que toda a cadeia repense logística, exposição, comunicação e desenvolvimento de novos formatos de consumo.”

A migração de consumidores para alimentos frescos e mais saudáveis, impulsionada por novas tendências de bem-estar e saúde, amplifica essa oportunidade de mercado para toda a cadeia produtiva.

O semestre também foi marcado pela ampliação do debate sobre rastreabilidade, sustentabilidade e integração da cadeia produtiva. A abertura de novos mercados internacionais e avanço de acordos comerciais colocaram pressão adicional sobre padrões de qualidade, logística e conformidade socioambiental. Simultaneamente, o consumidor brasileiro passou a exigir maior transparência sobre origem, produção e impacto ambiental dos alimentos.

Nos principais fóruns do setor, como o Fórum IFPA–FFLVO para Supermercados realizado durante a APAS Show 2026, especialistas reforçaram que supermercados com maior participação de produtos frescos podem alcançar até 15% mais lucro. Essa rentabilidade depende de três fatores críticos: controle operacional rigoroso, redução efetiva de perdas e maior colaboração entre fornecedores e varejo.

“           A cadeia começa a entender que colaboração será essencial para enfrentar os próximos desafios,” afirma Valeska Ciré. “O produtor busca eficiência, o varejo quer reduzir perdas e o consumidor exige qualidade e conveniência. Quando esses elos trabalham de forma integrada, surgem oportunidades concretas de inovação e crescimento.”

Desafios Climáticos e Perspectivas para o segundo semestre

Além das transformações de consumo, o setor acompanha com atenção os efeitos climáticos previstos para o segundo semestre. A expectativa de intensificação do El Niño pode impactar oferta, produtividade e preços em algumas regiões produtoras, aumentando a necessidade de planejamento resiliente e inteligência operacional.

O setor de Frutas, Flores, Legumes, Verduras e Ovos (FFLVO) deve atravessar os próximos seis meses em um ambiente de crescimento seletivo de demanda, porém com forte pressão sobre margens, maior volatilidade de preços e risco climático elevado. Em frutas, legumes e verduras, o consumo tende a permanecer sustentado por saudabilidade, mas o consumidor seguirá sensível a preço, promoções e substituições entre itens, em um contexto de inflação elevada, juros altos e renda seletiva.

Apesar dos desafios, o Brasil possui enorme potencial para crescimento tanto no mercado interno quanto internacional. O evento The Brazil Conference & Expo, da IFPA, previsto para agosto, promete consolidar as tendências observadas e gerar novas oportunidades comerciais. O desafio agora é transformar esse potencial em uma cadeia mais eficiente, conectada e preparada para responder rapidamente às mudanças de consumo e mercado.

 

Valeska Ciré

 




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