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09/07/2026 07h46
Preso em operação, ex-prefeito e escrivão é afastado pela Polícia Civil
Junior Vasconcelos é investigado pelo Gaeco por fraudes milionárias em contratos públicos
Por Silvia Frias
A Polícia Civil afastou compulsoriamente das funções o escrivão Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior, conhecido como Junior Vasconcelos, preso preventivamente na Operação Gutenberg. A portaria foi publicada nesta quinta-feira (9) no Diário Oficial do Estado e também determina o recolhimento da arma, da carteira funcional e de outros bens públicos que estejam em poder do policial.
Junior Vasconcelos também é ex-prefeito de Fátima do Sul e estava lotado no gabinete do deputado estadual Jamilson Name. Ainda não consta no Diário Oficial da Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul) qualquer afastamento.
A medida do afastamento da Polícia Civil foi assinada pelo delegado Clever José Fante Esteves, corregedor-geral do órgão, e valerá enquanto perdurar a medida cautelar determinada pela Justiça. A portaria também manda suspender senhas e logins de Eronivaldo nos bancos de dados da instituição, incluindo os sistemas Sigo e Infoseg, além das férias, caso essas providências ainda não tenham sido adotadas. Os efeitos do afastamento retroagem a terça-feira, 7 de julho, data da prisão.
Eronivaldo foi preso durante a Operação Gutenberg, deflagrada na terça-feira (7) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). A investigação apura a atuação de uma suposta organização criminosa em fraudes contra a administração pública, principalmente em contratos para compra de livros paradidáticos.
Segundo o Ministério Público, o grupo é investigado por suspeitas de crimes em licitações, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e outros delitos relacionados. Os investigadores apontam que empresários teriam atuado como principais articuladores do esquema, usando servidores públicos para direcionar contratações feitas por inexigibilidade de licitação.
Os valores recebidos dos cofres públicos nos contratos investigados ultrapassam R$ 27 milhões. Conforme o MPMS, parte do dinheiro teria sido pulverizada entre integrantes do grupo, servidores e pessoas físicas e jurídicas para ocultar e dissimular a origem dos recursos.
A investigação também chegou à saúde pública. A suspeita é de que servidores cooptados pelo grupo usassem influência sobre a regulação estadual para condicionar a autorização de exames, cirurgias e até vagas em hospitais à compra dos livros comercializados pelas empresas investigadas.
A operação foi desencadeada para cumprir 16 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho e Porto Murtinho, além de São Paulo (SP) e Abadiânia (GO). Até a tarde de quarta-feira (8), porém, o MPMS informou que as ordens judiciais ainda não haviam sido cumpridas integralmente.
Entre os presos identificados estão, além de Eronivaldo, o ex-coordenador estadual de Regulação Assistencial, Ed Carlo Britto Burgatt; a filha dele, Jessyka Duarte Burgatt; a cirurgiã-dentista Rossana Paroschi Jafar; os filhos dela, Olívia Paroschi Jafar e Felipe Paroschi Jafar; o empresário Joatan Gomes Peixoto, dono da Editora Avante; o filho dele, Matheus Oliveira Peixoto; Francisco Anizio dos Santos; Paulo Rogério de Melo e o filho Douglas Henrique de Melo; além dos advogados Geancarlos Leal de Freitas e Gabriel Taquino de Paula.
Hoje, também no Diário Oficial, consta que Ed Carlo foi afastado da função de CRA (Coordenador da Coordenadoria de Regulação e Assistência). Ontem, ja havia sido determinada a saída de cargo comissionado.
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