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- mell280
08/07/2026 08h30
Brasil abre empresas em um ritmo acelerado que esgota sistema de 28 anos
Carolina Montuori
ecorde histórico em 2025 (+19,4%) e aceleração no 1º trimestre de 2026 (+13%) forçam a Receita Federal a mudar o CNPJ pela primeira vez desde 1998
O Brasil abriu mais de 5 milhões de empresas em 2025, o maior volume da história, com alta de 19,4% sobre 2024. O ritmo acelerou no começo deste ano: no 1º trimestre de 2026, foram 1,6 milhão de novos CNPJs, crescimento de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os números são de análise da Contabilizei, maior escritório de contabilidade do país, com base em dados da Receita Federal. A consequência mais concreta desse boom entra em vigor em julho: o CNPJ, usado no formato numérico desde 1998, vai ganhar letras pela primeira vez na história.
Mais de 70 milhões de cadastros de pessoa jurídica de já foram emitidos, segundo declaração recente do coordenador operacional de cadastros e benefícios fiscais da Receita Federal, Rafael Neves Carvalho. Cada número usado não pode ser reaproveitado. O sistema chegou ao limite. A partir de julho, novos CNPJs passam a combinar letras e números, abrindo espaço para bilhões de combinações. A mudança para o formato alfanumérico, a maior no cadastro desde sua criação, também prepara o sistema para a Reforma Tributária.
“Este recorde não é um evento isolado, mas a consolidação de uma mudança estrutural no comportamento do brasileiro, que entende a importância da formalização das suas atividades econômicas realizadas como autônomos”, afirma o vice-presidente executivo de operações da Contabilizei, Guilherme Soares.
575 novos negócios por hora, e 2026 começa mais acelerado
Em 2025, os 5 milhões de novos CNPJs equivalem a 13.800 aberturas por dia, ou 575 por hora, incluindo fins de semana e feriados. Só as empresas abertas no ano passado lotariam mais de 63 estádios do Maracanã, um por semana do ano, de acordo com análise da Contabilizei.
No 1º trimestre de 2026, serviços e indústria cresceram 14% cada; comércio, 9%. MEIs 15%; empresas de outros portes, 7%. E há mais pressão vindo: a obrigatoriedade de emissão de nota fiscal por autônomos entrando em vigor em agosto em São Paulo e o fim do período de testes da Reforma Tributária ao final do ano movimentam uma nova onda de formalizações.
“A obrigatoriedade da nota fiscal para autônomos e o fim do período de testes da Reforma Tributária tendem a impulsionar a formalização, tornando o CNPJ alfanumérico não apenas necessário, mas urgente”, reforça o executivo.
Manaus cresce 31% e lidera capitais no 1º trimestre
No ranking estadual do 1T26, o Mato Grosso lidera o crescimento percentual (+19,3%), seguido por Pará, Espírito Santo, Santa Catarina e Rio de Janeiro. Entre as capitais, Manaus se destaca com alta de 31%. O número reflete o aquecimento da Zona Franca, cujo Polo Industrial fechou 2025 com faturamento recorde de R$ 227,67 bilhões e mais de 131 mil empregos diretos (Suframa), e a simplificação municipal que reduziu o tempo de abertura de empresa para 6 horas. Campo Grande, Fortaleza, Brasília e Salvador completam o top 5.
34 milhões em 10 anos: empreender virou escolha, não fuga da crise
Nos últimos 10 anos, o Brasil abriu mais de 34 milhões de CNPJs, crescimento médio de 9,25% ao ano, mais que dobrando o volume desde 2016. Mesmo com a retração de 2022 (-5%), o ritmo se manteve. São em média 9.400 novas empresas por dia, todos os dias, o equivalente a mais de 430 Maracanãs lotados em uma década.
"A digitalização abriu mais possibilidades e mercados ao pequeno empreendedor. Advogados, engenheiros ou psicólogos, por exemplo, que antes dependiam de presença local para exercer a sua própria vocação, hoje prestam serviços para qualquer lugar do mundo. Uma década de crescimento significativo mostra que o brasileiro não abre empresa só quando não tem outra opção, mas porque a formalização virou vantagem competitiva real na profissão", completa
Em junho, a ONU celebra o Dia Internacional das Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs). Em mensagem oficial, o secretário-geral António Guterres convocou governos e empresas a apoiarem os pequenos empreendedores na era digital. Para o dirigente, as MPMEs são "essenciais para o futuro de todos os países e representam o principal caminho para inserção profissional de jovens no trabalho".


