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03/07/2026 13h51
Piloto e pesquisadora alemã morreram em queda de aeronave em Campo Grande
"Era um profissional capacitado, voava por instrumentos e amava o que fazia", diz amigo
Por Aline dos Santos
A queda de avião na manhã desta sexta-feira (dia 3) matou o piloto Henrique Martin e a pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff. O acidente foi na região do Aeroporto Santa Maria, na saída para Três Lagoas, em Campo Grande.
Na rede social, o perfil do piloto mostra a paixão por aviação, com diversos vídeos sobre voos pelo Estado, como no Pantanal, e em cidades brasileiras. Nas postagens, além dos aviões, muitas imagens da filha e da esposa.
Câmera registra som da queda de avião que deixou dois mortos em aeroporto
“Recebi com muita tristeza a notícia do falecimento do Henrique. Ele voou comigo e me ajudou em procedimentos. Era um profissional capacitado, voava por instrumentos e amava o que fazia”, afirma o amigo Clauss Ferracini Mendonça, que mora em Araçatuba (SP) e tinha hangar em Campo Grande.
Ele conta que Henrique se dedicou à carreira, contando com a ajuda da família. “Ele trabalhava comigo na escola de aviação e limpava outros aviões. Até modelo fotográfico pra minha loja de pilot shop ele foi”.
Conforme apurado pela reportagem, Henrique tinha menos de 10 anos de experiência como piloto e estava na empresa Amapil há um mês. Antes era instrutor em escola de aviação.

Lydia Theresia Möcklinghoff seguia para o Pantanal (Foto: Reprodução)
Pesquisadora alemã
Lydia tem mestrado em Zoologia pela Universidade de Würzburgo e fazia doutorado, na Alemanha. Ontem, ela saiu do Rio de Janeiro, dormiu em Campo Grande e logo cedo seguiria para o Pantanal, onde desenvolve uma pesquisa sobre tamanduás.
Aos 45 anos, integrava o Grupo de Pesquisa em Ecologia Tropical do Museu Zoológico Alexander Koenig, em Bonn, e a CO.BRA (Computational Bioacoustics Research Unit). Tem experiência em ecologia tropical, comportamento biológico e monitoramento automatizado da biodiversidade de mamíferos no Pantanal.
Acidente
Na manhã de hoje, o avião decolou do Aeroporto Santa Maria, em Campo Grande, com destino a Aquidauana, a 141 quilômetros da Capital.
Os destroços foram localizados por um funcionário do hangar, que fazia buscas a pé desde as primeiras horas da manhã. O avião estava do lado direito da pista, em uma área de mata próxima ao Condomínio Atlântico.
Conforme consulta ao RAB (Registro Aeronáutico Brasileiro), da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), a aeronave de matrícula PT-WYQ aparece como modelo NEIVA EMB-810D, fabricada em 1983, com situação normal. O CVA (Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade) tem validade até 4 de junho de 2027.
O registro informa ainda que o avião estava autorizado para voo IFR (regras de voo por instrumentos) noturno, modalidade em que a navegação pode ser feita com apoio dos instrumentos da aeronave, inclusive à noite. Não há gravame apontado, ou seja, não consta restrição financeira ou jurídica sobre o avião.
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