PUBLICIDADE

Indústria e importadores de pneus defendem agenda conjunta para recuperar competitividade do setor


PUBLICIDADE
  • mell280

25/06/2026 18h55

Indústria e importadores de pneus defendem agenda conjunta para recuperar competitividade do setor

assessoria


 

A indústria brasileira de pneus enfrenta um dos momentos mais desafiadores das últimas décadas. O avanço das importações, aliado ao aumento de irregularidades comerciais e à necessidade de maior equilíbrio regulatório, tem pressionado fabricantes, importadores e toda a cadeia produtiva. O tema foi debatido na Arena de Conhecimento da Expobor e Pneushow 2026, em São Paulo, onde lideranças do setor defenderam uma agenda conjunta para recuperar a competitividade da produção nacional. As feiras se encerram nesta quinta-feira, dia 25 de junho, e são organizadas pela Francal.

Segundo Rodrigo Navarro, CEO da ANIP (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos), o mercado brasileiro passou por uma mudança estrutural em poucos anos. Antes da pandemia, cerca de 68% da demanda era atendida pela indústria instalada no Brasil. Atualmente, aproximadamente 69% dos pneus comercializados no país são provenientes do mercado internacional.

Para Navarro, o cenário exige medidas urgentes para restabelecer o equilíbrio competitivo. "O Brasil precisa fortalecer sua política industrial e de comércio exterior, equalizar alíquotas, discutir mecanismos antidumping, ampliar a preferência para produtos nacionais nas compras governamentais e criar uma política consistente de estímulo à indústria brasileira", afirmou.

Outro ponto destacado foi o cumprimento das obrigações ambientais. Segundo o executivo, fabricantes e importadores devem atender às metas de logística reversa previstas na legislação. Ele lembrou que relatórios do Ibama apontam a existência de um passivo ambiental que ainda precisa ser adequadamente controlado.

Na avaliação de Ricardo Alípio Costa, presidente executivo da ABIDIP (Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Pneus), é importante ter uma atuação conjunta entre setor privado e governo para combater irregularidades. "Estamos trabalhando em propostas de elevação tarifária e no combate às irregularidades em parceria com Receita Federal, Inmetro e Ibama. Mas o principal desafio da indústria brasileira continua sendo reduzir seus custos de produção para ganhar competitividade frente aos produtos importados", explicou.

Para Adriano Viola, presidente da ABTB (Associação Brasileira de Tecnologia da Borracha), a diferença de preços observada entre alguns pneus nacionais e importados levanta questionamentos sobre a equivalência entre os produtos. "Não podemos considerar normal encontrar diferenças de preço de até 500%. São produtos que não oferecem necessariamente as mesmas características técnicas", observou.

Segundo ele, ampliar a capacidade de inovação permitirá reduzir a dependência de produtos importados e aumentar a competitividade de toda a cadeia.

A apresentação de Giulio Cesar Claro, diretor-presidente da ARESP (Associação de Empresas Reformadoras de Pneus do Estado de São Paulo) mostrou que a participação de pneus importados no volume recebido para reforma mais que dobrou, passando de 13,1% em 2020 para 27,5% em 2026, enquanto os pneus nacionais recuaram de 86,9% para 72,5% no mesmo período. Já o índice de recusa das carcaças permaneceu relativamente estável, em torno de 11%, com os pneus importados registrando taxas ligeiramente superiores às dos nacionais.

A recapagem permite que um mesmo pneu seja reformado até três vezes, prolongando sua vida útil e reduzindo significativamente os custos de operação. "O custo da reforma representa menos da metade do valor de um pneu novo, tornando a recapagem uma alternativa economicamente viável e ambientalmente sustentável para o transporte rodoviário", destacou Claro.

 Empresas devem rever estratégias para reter mão de obra

A dificuldade para atrair e reter profissionais qualificados já se tornou um dos principais desafios da indústria brasileira. Durante palestra na Arena do Conhecimento da Expobor e Pneushow, Stefania Giannoni, especialista da SLG Desenvolvimento de Pessoas, alertou que as empresas enfrentam uma verdadeira guerra por talentos e precisam rever suas estratégias para proteger suas operações.

"Hoje estamos concorrendo com o virtual e com novas formas de prestação de serviços. O maior concorrente da sua empresa pode não ter fábrica, mas oferece condições de trabalho que atraem os profissionais", afirmou Stefania.

Inovação, automação e transformação digital deixaram de ser diferenciais e passaram a determinar a competitividade das empresas. Nesse cenário, os colaboradores também precisam desenvolver novas competências, especialmente habilidades digitais e comportamentais.

Outro fator que desafia as organizações é a convivência simultânea de diferentes gerações no ambiente corporativo. A especialista destacou ainda que a perda do conhecimento acumulado pelos profissionais e o aumento dos problemas relacionados à saúde mental impactam diretamente os resultados das organizações.

Especialistas discutem legislação ambiental, custos e desempenho na cadeia da borracha

Ainda na Arena do Conhecimento foram tratados outros temas técnicos como as tecnologias de filtração do ar e a legislação referente a emissões de particulados e gases. Marcello V. Bernardini, consultor especialista da Abrafiltros, apresentou os níveis máximos de emissão previstos pela legislação, discorreu sobre as inspeções realizadas pela Cetesb e a legislação trabalhista, em especial a NR-15.

Já Leandro Paim, representante da Câmara de Matéria Prima da ABR (Associação Brasileira de Reforma de Pneu), explicou como fazer o cálculo de custo por quilômetro, comprovando que quanto melhor o pneu, mais economia gera e mais completo é o ciclo ideal de vida, que se inicia na extração da borracha e segue no processamento, uso, reforma, uso, reforma e descarte. 

O amadorismo nos cuidados com os pneus de carga e as oportunidades de profissionalização das frotas, revendas e reformadores de pneus foram analisados por Antonio Xavier, da Dr. Pneu Brasil. O desperdício de borracha resulta em “desgastes prematuros e irregulares, responsáveis pela perda de desempenho quilométrico, aumento de custo por quilômetro e consequente redução na competitividade do frete, assim como pelos altos índices de sucateamento, reduzindo em cerca de 30% a vida média do pneu.”

Tendo como foco o atendimento ao cliente, o Grupo Amazonas, segundo apresentado por Alexandre Iara, gerente técnico e comercial do setor de Compostos, desenvolve produtos de acordo com a necessidade do cliente. Esse contexto comprova a importância do desenvolvimento de compostos de borracha em laboratório, com a prova em produção sendo uma segunda etapa do processo.

Júlio Cesar Martins, gerente geral da Reciclanip, apresentou a evolução do sistema de coleta e destinação de pneus irreversíveis. Atualmente, são 1400 pontos de coleta, cadastradas em todo o país. O pneu segue para unidades de trituração e posteriormente é encaminhado a diferentes aplicações industriais. A operação é monitorada em tempo real. O desafio do sistema está na ampliação da cobertura de logística reversa.

Sobre a Expobor

Data: 23 a 25 de junho de 2026

Horário: 13h às 20h

Local: Expo Center Norte/SP

Mais informações: https://expobor.com.br/

Sobre a Pneushow

Data: 23 a 25 de junho de 2026

Horário: 13h às 20h

Local: Expo Center Norte/SP

Mais informações: https://pneushow.com.br/

 

Sobre a Francal

A Francal foi fundada em 1969, na cidade de Franca, no interior de São Paulo. Atualmente, conta com um portfólio de 16 eventos e, há 56 anos, contribui para o fomento do desenvolvimento econômico e social do país. Maior promotora de eventos 100% brasileira, a Francal atua em 15 diferentes setores, conectando a indústria brasileira ao varejo e a importadores dos cinco continentes. Reúne negócios, conhecimento, soluções e serviços para o B2B, sempre em sintonia com as demandas de um setor em constante transformação.

Assessoria de Imprensa:

Mecânica Comunicação Estratégica

E-mail.: sylvia@meccanica.com.br

 


Crédito foto: WTF
 

 


A





PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
  • academia374
  • Nelson Dias12
PUBLICIDADE