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Veterinária presa diz que queria fazer marido confessar suposta traição


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23/06/2026 07h03

Veterinária presa diz que queria fazer marido confessar suposta traição

Mulher afirma que tentou queimar mochila para impedir viagem a Brasília; vítima segue entubada

Por Gabi Cenciarelli


 A médica veterinária Lidiane Cecília Pereira, de 42 anos, presa por tentativa de homicídio após o marido sofrer queimaduras graves durante uma discussão, afirmou à Polícia Civil que tentou pressionar o companheiro a admitir uma suposta traição e que acreditava estar diante da única forma de fazê-lo contar a verdade.

 
"Eu queria que ele me dissesse a verdade", declarou durante interrogatório realizado horas após a prisão.
 
Conforme o depoimento da mulher, a discussão começou ainda durante a madrugada de segunda-feira (22) e girava em torno da suspeita de que o ex-diretor do IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul), de 41 anos, mantivesse um relacionamento extraconjugal em Brasília, cidade onde trabalha desde 2024.
 
Ainda segundo o documento, o casal, que está junto há cerca de 26 anos e tem dois filhos, passou a noite discutindo. Pela manhã, o assunto voltou à tona quando o marido começou a organizar os pertences para retornar à Capital Federal.
 
 
 
A investigada contou que, durante a discussão, pegou um recipiente de álcool na cozinha e voltou ao quarto onde o marido arrumava uma mochila para a viagem. "Era a mochila com os pertences dele que eu queria queimar", afirmou.
 
Segundo a veterinária, a intenção não era atingir o companheiro, mas impedir que ele viajasse. Ela acredita, porém, que parte do álcool acabou atingindo a camiseta que o homem vestia naquele momento.
 
Ainda conforme seu relato, o marido deixou o quarto e caminhou até a garagem da residência. Ela foi atrás carregando um maço de cigarros e um isqueiro. "Eu quis assustar ele com o barulho do isqueiro", declarou.
 
A versão apresentada por Lidiane é que ela acionou o isqueiro e, pouco depois, percebeu que a camiseta do marido começou a mudar de cor. Em seguida, surgiram as chamas.
 
"Foi quando eu tentei rasgar a camiseta dele para tirar", relatou.
 
Segundo ela, os dois caíram no chão enquanto tentavam apagar o fogo e retirar a roupa.
 
A filha do casal, de 22 anos, contou aos investigadores que acordou com a discussão e ouviu o pai correndo pelo quintal enquanto gritava repetidamente: "não, não, não, para, para, para". Quando saiu do quarto, encontrou o homem já em chamas e correu para buscar uma mangueira.
 
A jovem também relatou que os conflitos entre os pais se intensificaram nos últimos dois anos, após o homem passar em concurso público e se mudar para Brasília. De acordo com o depoimento, a distância alimentou crises de ciúmes e desconfianças da mãe em relação ao marido.
 
Após o incêndio, a própria Lidiane socorreu o companheiro. Ela o colocou no carro e dirigiu até o Hospital Cassems. Posteriormente, a vítima foi transferida para o Proncor.
 
A veterinária afirmou que conversou com o marido durante o trajeto e que ele estava consciente. Segundo o que ouviu da equipe médica, as queimaduras atingiam cerca de 30% do corpo.
 
Conforme apurado pelo Campo Grande News, uma avaliação posterior confirmou queimaduras em aproximadamente 30% da superfície corporal, concentradas principalmente no tronco e nos membros superiores. O percentual é inferior à estimativa inicial de 80% informada no primeiro atendimento. Apesar da revisão, o homem permanece internado em estado grave e entubado na UTI do Proncor.
 
Durante o interrogatório, Lidiane negou ter pretendido matar o marido e afirmou estar arrependida. "Eu não queria ter feito isso. Não era minha intenção machucar ele", disse.
 
Em outro trecho do depoimento, justificou a atitude afirmando que buscava uma confissão. "Eu achei que era o único jeito dele falar a verdade. Que se eu ameaçasse, talvez ele fosse ficar com medo e abrir o jogo", declarou.
 
A investigação também revelou que a veterinária faz tratamento psiquiátrico há anos. A filha informou à Polícia Civil que a mãe possui diagnóstico de depressão, transtorno de ansiedade generalizada e síndrome do pânico. No interrogatório, Lidiane confirmou o acompanhamento médico e afirmou que estava sem tomar a medicação prescrita havia cerca de 15 a 20 dias.
 
Apesar da versão apresentada pela suspeita, a Polícia Civil entendeu que os elementos reunidos até o momento configuram tentativa de homicídio qualificado pelo emprego de fogo. A prisão em flagrante foi ratificada e a autoridade policial representou pela conversão da medida em preventiva.
 
O caso segue sob investigação.
 
 
 
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