17/06/2026 13h24
Tecnova 2026/2027 reacende debate sobre "dinheiro órfão" da inovação no Brasil
Programa da Finep vai distribuir R$ 588,5 milhões a micro e pequenas empresas, mas especialista alerta que falta de informação ainda é o principal gargalo
O lançamento do Tecnova 2026/2027, anunciado nesta terça-feira (16) pela ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e pelo presidente da Finep, Luiz Antônio Elias, coloca novamente em evidência uma contradição conhecida por especialistas, mas pouco debatida fora do setor: o Brasil dispõe de recursos significativos para inovação, enquanto muitos empresários sequer sabem que eles existem.
Com R$ 588,5 milhões mobilizados e a expectativa de apoiar entre 514 e 713 empresas com faturamento de até R$ 16 milhões, o Tecnova IV chega como a maior edição já realizada do principal programa de subvenção econômica voltado a micro e pequenas empresas. Ainda assim, o anúncio acende um alerta importante.
Para o professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) João Ricardo Matta, sócio da BR Funding e autor do livro “Quem quer dinheiro? O manual definitivo da captação de recursos públicos no Brasil”, o desafio não está na falta de recursos, mas na dificuldade de acesso.
“Quando o governo coloca quase R$ 600 milhões à disposição de pequenas empresas, a primeira pergunta que precisa ser feita é quantas delas sabem que esse dinheiro está disponível?”, questiona. “Com base em dados públicos e na nossa experiência de campo, estimamos que cerca de 40% dos recursos públicos voltados à inovação nunca chegam aos empreendedores. E isso não acontece por falta de bons projetos, mas por falta de informação básica”.
A análise ajuda a dimensionar o tamanho do problema. De acordo com Matta, o país conta hoje com cerca de R$ 1,3 trilhão em instrumentos de financiamento público, entre editais da Finep, BNDES, bancos regionais e fundações de amparo à pesquisa. Ainda assim, grande parte das startups brasileiras esbarra na dificuldade de obter capital.
Para o especialista, o problema passa por uma desconexão estrutural. “Existe uma assimetria de linguagem, pois de um lado, o governo trabalha com editais, regras e critérios técnicos e, do outro, o empreendedor está focado em produto, cliente e mercado. São universos que não conversam. No fim, o recurso acaba ficando concentrado em quem consegue traduzir esse sistema.”
O momento de se preparar
Além da falta de informação, o timing também pesa contra os empreendedores. O Tecnova opera de forma descentralizada, com editais lançados pelas Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs) após acordos com a Finep. Esse intervalo, que pode variar de 60 a 120 dias, costuma ser subestimado pelas empresas.
“Muita gente vê a notícia, acha positivo e espera o edital abrir para agir. Esse é um erro recorrente”, afirma Matta. “Quando o edital é publicado, o prazo para submissão normalmente é curto, entre 30 e 60 dias. Só que estruturar um bom projeto pode levar até 90 dias. Quem começa antes, sai na frente”, acredita.
Segundo ele, a preparação exige organização: documentação societária atualizada, regularidade fiscal, plano de negócios consistente, definição de propriedade intelectual e planejamento financeiro detalhado. “Existe uma camada de trabalho prévia que separa quem consegue captar de quem perde a oportunidade”, resume.
Um programa voltado ao pequeno empreendedor
Diferentemente de outros programas mais robustos, o Tecnova é direcionado a empresas de menor porte, com financiamentos que giram em torno de R$ 600 mil a R$ 700 mil por projeto. Isso o torna especialmente relevante para negócios em fase de crescimento.
“O Tecnova atende aquele empreendedor que está pronto para dar o próximo passo”, explica Matta. “É um tipo de capital essencial para quem já validou sua ideia e precisa ganhar escala. Para esse perfil, é uma oportunidade muito concreta.”
O lançamento do programa também foi acompanhado pela divulgação de novos indicadores nacionais de investimento em pesquisa e desenvolvimento, apresentados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, reforçando o esforço de ampliação dos recursos para o setor.
Ainda assim, para especialistas, o desafio central segue sendo o mesmo: transformar disponibilidade em acesso efetivo. E, nesse cenário, informação e preparo continuam sendo tão importantes quanto o próprio dinheiro.
Para mais informações, entre em contato:
LC – AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO
WhatsApp: (11) 99875-3676
Douglas Ramalho | douglas@lcagencia.com.br
Misael Freitas | misael@lcagencia.com.br
Bárbara Azalim | barbaraazalim@lcagencia.com.br
Imagens relacionadas





