05/06/2026 08h46
NR01 - Solidão do empresário: isolamento e sobrecarga se tornam riscos para empresas
Com NR-1 em vigor e aumento da atenção aos riscos do estresse, ansiedade, sobrecarga e saúde mental no trabalho, também é necessário olhar para a saúde emocional de empresários e líderes
Solidão do empresário: isolamento e sobrecarga se tornam riscos para empresas
Com NR-1 em vigor e aumento da atenção aos riscos do estresse, ansiedade, sobrecarga e saúde mental no trabalho, também é necessário olhar para a saúde emocional de empresários e líderes
Dados do Ministério da Previdência Social confirmam o que muitos colaboradores, profissionais de RH e lideranças já sabiam: a saúde mental dos trabalhadores, seja qual for o seu nível, deixou de ser uma dificuldade individual e passou a ser um problema de gestão. Nos últimos quatro anos, os afastamentos por burnout (síndrome do esgotamento profissional) no trabalho cresceram 823%, segundo matéria da Carta Capital.
Com a entrada em vigor das atualizações da NR-1, que ampliam a atenção aos riscos psicossociais no ambiente de trabalho, empresas de todos os portes passaram a olhar com mais atenção para fatores como estresse, sobrecarga e saúde mental dos colaboradores. Mas existe um personagem frequentemente esquecido nessa discussão: o próprio empresário.
Responsável por liderar equipes, tomar decisões estratégicas, lidar com metas, fluxo de caixa, contratações e desafios do mercado, o empreendedor muitas vezes enfrenta uma rotina marcada pelo isolamento. E essa solidão pode gerar impactos que vão muito além do negócio, afetando a saúde emocional, a clareza na tomada de decisões e até a capacidade de liderar pessoas.
“A solidão é uma das dores mais silenciosas do empreendedorismo”, afirma Jair Lima
Para Jair Lima, diretor executivo do BNI Goiás e do BNI Tocantins, a discussão precisa incluir também os empresários já que a saúde mental das empresas começa pela saúde mental dos seus líderes. “A solidão é uma das dores mais silenciosas do empreendedorismo. Um empresário sobrecarregado dificilmente conseguirá construir uma equipe saudável e produtiva. Muitas vezes, o empresário carrega sozinho decisões, preocupações e responsabilidades que impactam diretamente sua qualidade de vida”, comenta.
Ele explica que o isolamento tende a amplificar medos e inseguranças e preocupações que, muitas vezes, existem apenas na nossa cabeça. “Quando você compartilha desafios com pessoas que vivem a mesma realidade, tudo se torna mais leve. Não existe nada mais valioso para um empresário do que encontrar um ambiente onde ele possa conversar com pessoas que enfrentam os mesmos desafios e compreendem exatamente o que ele está vivendo”, pontua Jair Lima.
Networking em Goiás como rede de apoio e fortalecimento emocional
Nesse contexto, grupos empresariais e comunidades de networking vêm ganhando relevância não apenas pela geração de negócios, mas também por funcionarem como redes de apoio, desenvolvimento, troca de experiências, fortalecimento emocional e acolhimento entre empresários que enfrentam desafios semelhantes.
Em seis anos de atuação em Goiás, o BNI Goiás (regional da maior franquia mundial de networking, o Business Networking International), tem cumprido seu papel como motor propulsor não só da economia – já são quase de R$ 215 milhões gerados no estado -, mas também das pessoas. “As pessoas chegam até as equipes procurando clientes, mas acabam encontrando algo ainda mais valioso: uma comunidade de empresários que se ajudam mutuamente”, finaliza Jair.
Empresários não buscam ajuda psicológica por medo do julgamento
Seis em cada dez líderes já enfrentaram sintomas da síndrome, segundo dados da Nascia, uma organização internacional especializada em saúde ocupacional. Porém, apesar disso, líderes e empresários frequentemente evitam buscar ajuda psicológica formal por medo do impacto na reputação, exposição e perda de autoridade dentro da empresa.
Para o psicólogo, mentor de gestores da saúde e diretor da Story Clinic, Bruno Garrote, o comportamento da liderança influencia diretamente no clima do ambiente de trabalho. “A saúde mental do empresário impacta absolutamente tudo dentro da empresa. Um líder emocionalmente sobrecarregado perde clareza de raciocínio, toma decisões mais impulsivas, entra em modo de sobrevivência e começa a agir apenas apagando fogo. Isso afeta sua estratégia, criatividade, produtividade e até a forma como ele se comunica com a equipe”, alerta.
O empresário suporta grande carga de pressão sem compartilhar o que sente por receio de serem vistos como fracos. Reflexo disso é que a empresa pode até crescer por um período, mas será às custas da própria saúde, da vida pessoal e da sustentabilidade do negócio, já que o crescimento sustentável exige constância, visão estratégica e equilíbrio emocional.
O burnout tira clareza, energia, criatividade e capacidade estratégica. O empresário entra em um ciclo de exaustão onde trabalha muito, mas produz cada vez menos com qualidade. Muitos líderes acabam confundindo hiperprodutividade com performance saudável.
“Eu acredito que as empresas crescem até o limite emocional do líder. Na mentoria Story Gestão, trabalhamos muito além do financeiro ou operacional. O objetivo é estruturar o empresário/profissional da saúde para que ele consiga crescer sem entrar em colapso emocional. Muitos problemas empresariais são, na verdade, reflexos emocionais: excesso de controle, medo de perder dinheiro, dificuldade de confiar na equipe, ansiedade constante e culpa por descansar”, ressalta o psicólogo.
Algumas ferramentas que Bruno compartilha com seus mentorados e que podem ajudar outros empresários:
- organização de rotina e agenda;
- melhoria de processos internos;
- redução da sobrecarga operacional;
- desenvolvimento de liderança;
- delegação estratégica;
- análise de indicadores;
- estruturação financeira;
- clareza de metas e prioridades;
- fortalecimento da comunicação da equipe.



