04/06/2026 06h34
Desejo da casa própria resiste aos juros em 2026: veja 9 dicas essenciais para comprar o primeiro imóvel
Mesmo com juros altos, intenção de compra atinge 49% no início do ano; especialistas listam os cuidados principais antes de fechar o negócio.
Diante de um cenário macroeconômico desafiador, marcado por taxas de juros elevadas e pelo endividamento das famílias, o desejo do brasileiro pela casa própria dá sinais de resiliência e fecha o início de 2026 em patamar histórico. Divulgado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) em parceria com a Brain Inteligência Estratégica, o estudo Indicadores Imobiliários Nacionais revela que a intenção de compra no primeiro trimestre atingiu 49%. O índice consolida a estabilidade da demanda residencial no país, mostrando que quase metade da população mantém o plano de adquirir um imóvel.
O resultado atual mostra uma sutil oscilação frente aos 50% registrados no encerramento de 2025, mas supera os 44% apurados no mesmo período do ano anterior. Desde o meio de 2024, o indicador tem flutuado rigidamente na faixa entre 49% e 50%, configurando um dos momentos mais vigorosos da série histórica, que completa uma década neste ano. A pesquisa, que entrevistou mais de 2 mil pessoas em 221 municípios de todas as regiões e principais metrópoles do país, detalha que o planejamento de médio prazo dita o ritmo do mercado, já que a maior fatia dos interessados (39%) mira o horizonte de um a dois anos para fechar o negócio.
Essa busca por estabilidade e planejamento urbano tem impulsionado a procura por mobilidade nas grandes cidades. Em capitais como São Paulo, a valorização de imóveis próximos ao metrô disparou, já que compradores de primeira viagem priorizam a redução do tempo no trânsito e a facilidade de deslocamento diário.
Especialistas do setor destacam que as vantagens de morar perto do metrô vão muito além da conveniência de transporte, englobando também o forte potencial de valorização do patrimônio a longo prazo e o desenvolvimento de um comércio local forte ao redor das estações.
A flexibilização das regras do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) promovida pelo Conselho Curador do FGTS também funciona como um forte colchão de amortecimento para o mercado imobiliário tradicional. Com o teto de renda familiar elegível para a Faixa 4 ampliado para R$ 13 mil mensais e o valor limite dos imóveis financiados elevado para R$ 600 mil, uma parcela muito maior da classe média passou a encontrar viabilidade financeira para realizar o desejo de comprar o primeiro imóvel.
Para apoiar essa parcela expressiva da população que está planejando a aquisição, a Setin, empresa de referência em incorporação e desenvolvimento imobiliário, listou algumas dicas valiosas para evitar erros comuns e garantir um negócio seguro e bem estruturado. Confira os principais pontos a serem considerados antes de assinar o contrato:
1. Projete o tamanho do imóvel com foco no futuro
A compra do primeiro imóvel costuma envolver planos de longo prazo. Por isso, é essencial considerar as mudanças que podem ocorrer na sua vida nos próximos anos. Mesmo quem planeja morar sozinho hoje deve ponderar sobre a possibilidade de casamento, novos pets, home office ou o nascimento de filhos para não precisar trocar de endereço antes do tempo.
2. Avalie as suas perspectivas de crescimento
O planejamento deve andar lado a lado com a sua evolução pessoal e profissional. Se você está em uma trajetória de ascensão na carreira, vale a pena ousar um pouco mais na escolha e investir em uma planta com melhor estrutura. O que pode parecer um espaço exagerado no momento atual pode se tornar perfeito em um período relativamente curto.
3. Investigue minuciosamente a segurança do bairro
A localização é um dos pontos mais importantes na hora de fechar negócio. Ao pesquisar a região, verifique os índices de policiamento e as tecnologias de segurança adotadas pelos condomínios do entorno. Em grandes centros urbanos, faça também uma pesquisa sobre o comportamento do bairro em dias de chuvas fortes para garantir que as vias de acesso não sofram com alagamentos.
4. Cheque o acesso a serviços, comércio e transporte
A rotina diária se torna muito mais prática quando as necessidades básicas são resolvidas perto de casa. Certifique-se de que a vizinhança oferece mercados, farmácias, padarias e boas redes de entrega. Para quem já tem ou deseja construir uma família, vale pesquisar a qualidade das instituições de ensino próximas e as opções de lazer no entorno.
5. Considere as vantagens de um imóvel na planta
Se você não tem pressa imediata para se mudar, comprar na planta costuma oferecer excelentes atrativos financeiros. Além de valores geralmente menores em comparação aos prontos, o fluxo de pagamento da entrada é facilitado e distribuído ao longo da obra. Outra vantagem marcante é a personalização, permitindo adaptar acabamentos e layouts antes de receber as chaves.
6. Faça as contas sobre custos com reformas
Ao se interessar por um imóvel usado, coloque na ponta do lápis todas as manutenções necessárias para deixá-lo habitável. Reformas inesperadas costumam estourar orçamentos mal planejados. Nesse quesito, empreendimentos novos levam vantagem por saírem direto da construtora sem a necessidade de intervenções estruturais pesadas.
7. Calcule todas as taxas e despesas extras
O valor anunciado do imóvel é apenas uma parte do investimento. Lembre-se de incluir no planejamento financeiro as despesas burocráticas que ocorrem no ato da compra, como os custos cartorários, escrituras, impostos de transmissão (ITBI) e taxas bancárias. Além disso, certifique-se de que as parcelas cabem no bolso sem comprometer as contas de consumo do dia a dia.
8. Exija certidões e cheque a regularidade jurídica
Para afastar riscos de problemas judiciais no futuro, analise com atenção a matrícula atualizada do imóvel e a certidão de ônus e ações reais diretamente no Cartório de Registro de Imóveis. Esses documentos revelam todo o histórico de antigos proprietários, hipotecas e penhoras. Solicite também certidões negativas que comprovem a quitação total do IPTU e das cotas condominiais.
9. Monte um checklist rigoroso para as visitas presenciais
Mesmo que a tecnologia permita excelentes tours virtuais, inspecionar o local pessoalmente é indispensável. Visite o imóvel em horários alternados para checar a incidência solar, a ventilação natural e os ruídos da rua. Durante a vistoria, teste o funcionamento das tomadas, certifique-se de que portas e janelas correm sem ruídos e examine as paredes em busca de manchas ou estufamentos que possam indicar infiltrações nas tubulações.
Com a estabilização da intenção de compra em patamares elevados e o suporte de novas regras de crédito, o cenário de 2026 desenha um momento de maturidade para o mercado imobiliário brasileiro. Cruzar a linha que separa o planejamento do fechamento do contrato exige inteligência estratégica e paciência por parte do consumidor. No fim das contas, diante de um cenário econômico ainda restritivo, o sucesso da conquista do primeiro imóvel dependerá diretamente do equilíbrio entre o aproveitamento das oportunidades de financiamento e o rigor técnico na escolha do futuro lar.



