28/05/2026 05h42
Rio Grande do Norte
Rio Grande do Norte é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Banhado a norte e a leste pelo Oceano Atlântico, está situado a nordeste da Região Nordeste, fazendo divisas com outros dois estados, a Paraíba, a sul, e o Ceará, a oeste. É dividido em 167 municípios e sua área total é de 52 809,601 km², o que equivale a 3,42% da área do Nordeste e a 0,62% da superfície do Brasil, sendo um pouco maior que o país da Costa Rica. Com uma população de mais de 3,3 milhões de habitantes, o Rio Grande do Norte é o décimo sétimo estado em população do Brasil, possuindo o segundo melhor IDH e a maior renda per capita da região Nordeste[8] e a melhor expectativa de vida do Norte-Nordeste, chegando a 76,0 anos, a nona maior do país
A história inicia-se a partir do povoamento do território que hoje é o Brasil, quando houve uma onda de migrações para os Andes, depois para o Planalto do Brasil, a região Nordeste, até chegarem ao Rio Grande do Norte. Ao longo de sua história, seu território sofreu invasões de povos estrangeiros, sendo os principais os franceses e holandeses. Em 1535, a então Capitania do Rio Grande estaria sendo doada pelo rei D. João III a João de Barros. Em 1822, quando o Brasil conquistou sua independência do Império Português, o Rio Grande do Norte passaria a se tornar província e, com a queda da monarquia e a consequente proclamação da república em 1889, a província se transforma em um estado, tendo como primeiro governador Pedro de Albuquerque Maranhão. A capital do estado é Natal e sua atual governadora é Fátima Bezerra. Devido à sua localização geográfica, que forma um vértice a nordeste da América do Sul, o Rio Grande do Norte é tido como uma das "esquinas" do Brasil e do continente, posição que também lhe confere uma grande projeção para o Atlântico (a maior dentre os estados brasileiros).[9] Seu litoral, com extensão aproximada de quatrocentos quilômetros, é um dos mais famosos do Brasil. Na economia, destaca-se o setor de serviços. Devido ao seu clima semiárido em parte do litoral norte, o Rio Grande do Norte é responsável pela produção de mais de 95% do sal brasileiro. Na bandeira nacional brasileira, o estado é representado pela estrela Shaula, da constelação de Scorpius.[10]
Inicialmente, o território potiguar era habitado por animais da megafauna e, algum tempo depois, começou a ser povoado por caçadores e coletores primitivos. Alguns desses povos primitivos deixaram vestígios que se encontram atualmente nos sítios arqueológicos de Angicos e Mutamba II,[12] onde foram deixados rochas e vestígios de arte rupestre nas paredes das cavernas, desde inscrições até pinturas, cujo significado ainda é discutido, mas, entre várias teorias, a mais aceita afirma que tais vestígios serviam como instrumento de comunicação, pretendendo transmitir uma mensagem pela escrita (que, na época, era muito diferente da atual) e não como uma manifestação artística.[13] Na época das Grandes Navegações, o litoral potiguar era habitado por povos vindos do atual estado do Paraná e do Paraguai, que falavam o abanheenga, língua aglutinada e com reflexões verbais. Mais para o interior, nas regiões do Seridó, Chapada do Apodi e Alto Oeste, residiam os tapuias, povos indígenas que andavam totalmente nus, sem nenhuma cobertura, sem barbas e que depilavam todos os pelos existentes em seus corpos. As mulheres dessa tribo eram mais baixas que os homens e submissas aos seus maridos.[14] Acredita-se que, antes mesmo da chegada dos portugueses, alguns navegadores espanhóis, como Alonso de Ojeda e Diego de Lepe, teriam chegado primeiro em terras norte-rio-grandenses.[15] Há também a tese de que, pouco antes da chegada dos portugueses, Pedro Álvares Cabral tenha atingido o Rio Grande do Norte pela praia de Touros.[16]
A primeira expedição a alcançar terras pertencentes ao Rio Grande do Norte, que contava, inclusive, com a participação de Américo Vespúcio, começou em 10 de maio de 1501 e, depois de onze semanas de viagem, alcançou o Cabo de São Roque, onde foi fixado o primeiro marco de posse colonial português no Brasil. O comandante dessa expedição é incerto e, dentre vários nomes, o mais aceito é Gaspar de Lemos. Algum tempo depois, o litoral brasileiro começou a ser visitado por corsários e Portugal, ao saber disso, envia expedições para contê-las, primeiramente entre 1516 e 1519 e depois entre 1526 e 1528.[17] Em 1534, o rei português D. João III divide a colônia do Brasil em um sistema de capitanias hereditárias e, entre elas, estava a Capitania do Rio Grande, de João de Barros, com uma extensão de cem léguas. Em 1535, foi organizada uma expedição com cinco naus, cinco caravelas, 900 homens e mais de cem cavalos que, porém, fracassou com a morte de seu comandante Aires da Cunha. Mais a norte, os portugueses fundaram um povoado (Nazaré), onde permaneceram por três anos.[17] Com o fracasso da expedição, dá-se a invasão dos franceses, que começaram o contrabando do pau-brasil. Com a União Ibérica, Portugal ficou sob domínio da Espanha e o rei espanhol Felipe II lançou sua atenção sobre a colônia brasileira e, ao perceber o clima de ameaça francesa em tentar conquistar a capitania do Rio Grande, determinou, por meio de duas cartas régias (1596 e 1597), a expulsão dos franceses, a construção de uma fortaleza, de uma Igreja (Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação) e a fundação de uma cidade.[18] Os franceses dominaram o Rio Grande até o ano seguinte, quando os portugueses, liderados por Jerônimo de Albuquerque e Manuel de Mascarenhas Homem, constroem a Fortaleza dos Reis Magos com objetivo de garantir a posse das terras.[19] Expulsos os franceses e terminada a construção da fortaleza, a cidade de Natal foi fundada em 25 de dezembro de 1599.[20] Em 21 de dezembro de 1631, uma frota de catorze navios com dez companhias de soldados veteranos, comandadas pelo tenente-coronel Hartman Godefrid Van Steyn-Gallefels, partiram de Recife com destino a Natal, onde desembarcam em Ponta Negra e, posteriormente em Genipabu, segundo o historiador Luís da Câmara Cascudo, com o objetivo de conquistar o Rio Grande, porém a primeira tentativa fracassou.[21] Quase dois anos depois, em 5 de dezembro de 1633, uma outra esquadra comandada pelo almirante Jan Corneliszoon Lichthardt e com tropas sob o comando de tenente-coronel Baltazar Bijm partiram também de Recife com direção à capitania do Rio Grande. Ao chegarem da capitania, os holandeses feriram o capitão-mor do Rio Grande, Pero Mendes Gouveia, e tomaram a Fortaleza da Barra do Rio Grande, que passou a se chamar Castelo de Keulen, dando início ao domínio holandês na capitania.[22][23] Durante o período do domínio holandês, a Holanda se preocupava somente em dominar a explorar e ocupar a região, eliminando qualquer tipo de resistência,[23] dentre as quais os massacres de Cunhaú e Uruaçu, ocorridas em 1645. O domínio holandês chegaria ao fim somente em 1654,[24] quando os portugueses puderam retomar o avanço em direção ao interior nordestino, expandindo as fazendas de gado e perseguindo as etnias indígenas. Somente em 1695, quando Bernardo Vieira de Melo assume o governo da capitania, a região é finalmente pacificada.[25] Em 11 de janeiro de 1701, o Rio Grande do Norte é subordinado a Pernambuco e, posteriormente, à Paraíba. Durante todo o século XVIII, a agropecuária foi a base da economia potiguar. Em 1817, a capitania do Rio Grande do Norte adere à Revolução Pernambucana e uma junta do Governo Provisório se instala em Natal.[25][26] Em 18 de março de 1818, por meio de Alvará-Régio, é criada a comarca de Natal, desmembrada da comarca da Paraíba.[27]
Em 7 de setembro de 1822, o Brasil tornou-se independente de Portugal. A notícia da independência levou quase três meses para chegar ao Rio Grande do Norte, que se tornou uma província.[27] Em 1824, explode em Pernambuco uma revolta contra o autoritarismo do imperador brasileiro, D. Pedro I, a Confederação do Equador, que objetivava o projeto de uma república no Nordeste e, de Pernambuco, a revolta se espalhou pelas províncias vizinhas.[28] Na província do Rio Grande do Norte, o movimento foi caracterizado pela atuação de Tomás de Araújo Pereira, que tentou evitar a ocorrência de conflitos armados em território potiguar.[29] No final, o movimento acabou sem obter sucesso após a chegada das tropas imperiais, que dominaram a revolta.[28] Embora, em 1817, o Rio Grande do Norte já tenha aderido aos ideais republicanos,[30] acredita-se que o início oficial da propaganda republicana na província tenha ocorrido somente em 1851, com a publicação do jornal Jaguarari, jornal dirigido por Manuel Brandão. Entre 1857 e 1875, com a participação de Joaquim Teodoro Cisneiro de Albuquerque, a campanha seguiu, o movimento cresceu e conseguiu obter mais organização. Em 1886, foi formado em Caicó um núcleo republicano, liderado por Janúncio Nóbrega e Manuel Sabino da Costa, intensificando cada vez mais o cenário republicano. Três anos depois, em 27 de janeiro de 1889, é fundado no Rio Grande do Norte o Partido Republicano, com participação especial de Pedro de Albuquerque Maranhão (conhecido como Pedro Velho), mais tarde líder da campanha. Após a fundação do partido, foi criado o jornal "A República", que se tornou órgão oficial do partido recém-criado.[30] Ainda durante o Império, a escravidão, predominante do Brasil, também existia no Rio Grande do Norte. Com o objetivo de lutar pelo fim do regime de trabalho escravo, ocorreu em todo o país um movimento abolicionista. Em 30 de setembro de 1883, Mossoró, na região oeste da província, tornou-se uma das primeiras cidades brasileiras a abolir a escravidão, antes mesmo da assinatura da Lei Áurea, em 1888.[29] Em 15 de novembro de 1889, a monarquia é derrubada e o regime republicano é adotado e o Rio Grande do Norte, como as demais províncias, transforma-se em estado. A notícia do fim da monarquia chegou ao estado no dia seguinte, com o envio de um telegrama enviado por José Leão Ferreira Souto ao Partido Republicano.[31] Em 17 de novembro, Pedro Velho toma posse como primeiro governador do estado, no entanto, permaneceu no cargo durante um curto período de tempo (até 6 de dezembro de 1889).[31] Nos primeiros anos de República, o Rio Grande do Norte foi dominado pelo sistema oligárquico.[32] Em oposição a esse regime, surge a figura do capitão José da Penha Alves de Souza, responsável por promover a primeira campanha popular no estado, tentando, inclusive, lançar a candidatura do tenente Leônidas Hermes da Fonseca ao governo estadual, mas sem obter sucesso; mais tarde, José da Penha se mudou para o Ceará.[33] No início do século XX, os estados do Ceará e do Rio Grande do Norte ainda não possuíam seus limites definidos. Em 1901, a Assembleia Legislativa do Ceará elevou Grossos (que corresponde aos atuais municípios de Grossos e Tibau) à condição de vila, anexando-a ao território cearense. Depois, Pedro Augusto Borges, que era presidente (hoje governador) do Ceará na época, sancionou a resolução.[34] O governador do Rio Grande do Norte, Alberto Maranhão, protestou contra esta medida e os governos dos dois estados reagiram enviando tropas para a região disputada. A controvérsia foi levada para decisão por meio de arbitramento, saindo o resultado final favorável ao Ceará. Sendo assim, Pedro Velho convidou Rui Barbosa para defender a causa do Rio Grande do Norte,[35] contando com a participação de Augusto Tavares de Lira. No final, o jurista Augusto Petronio, por meio de três acórdãos (1908, 1915 e 1920), deu ganho de causa ao Rio Grande do Norte, dando fim à Questão de Grossos.[29] Em meados de 1920, o eixo econômico do Rio Grande do Norte, que era restrito apenas ao litoral, desloca-se para o interior.[32] Em 1926, a Coluna Prestes, que já havia percorrido uma vasta parte do território brasileiro, chegou ao Rio Grande do Norte. O governador procurou, de maneira imediata, reforçar a segurança no estado e enviou o primeiro contingente da polícia militar para a região, onde ocorreram quase todos os combates entre autoridades policiais e rebeldes. A região do Seridó também corria riscos de ser invadida, por isso colocou suas forças policiais em alerta. Somente algum tempo depois, a Coluna Prestes saiu do estado.[36] No ano seguinte, em 10 de junho de 1927, o cangaceiro mais famoso do Nordeste, Virgulino Ferreira da Silva (conhecido popularmente como Lampião) chegou com seu bando ao Rio Grande do Norte, percorrendo várias cidades da região oeste e deixando vários rastros de destruição.[37] Em Mossoró, última cidade invadida, o Lampião sofreria a única derrota de sua vida.[38]
No ano de 1930, quando ocorreu a eclosão de um movimento revolucionário que deu fim à República Velha, o Rio Grande do Norte era administrado por Juvenal Lamartine, cujo governo era caracterizado pela dependência do governo federal e intolerância em combater os adversários, dentre os quais Café Filho, principal personagem de atuação da Revolução de 1930 no estado,[40] que foi perseguido e fugiu para a Paraíba.[29] Em 5 de outubro daquele ano, alguns dias antes do movimento, Juvenal Lamartine abandonou o governo do estado e, em seu lugar, assumiu uma junta governativa formada por três pessoas, que ficaram no poder durante uma semana.[40] Com a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, o Rio Grande do Norte passou a ser administrado por interventores federais até 1947. Somente entre outubro de 1930 e outubro de 1935, o estado teve cinco interventores federais: Irineu Joffily (outubro de 1930 a janeiro de 1931), Aluísio Moura (janeiro a julho de 1931), Herculino Cascardo (julho de 1931 a junho de 1932), Bertulino Silva (junho de 1932 a agosto de 1933) e Mário Câmara (agosto de 1933 a outubro de 1935).[41] No dia 1º de janeiro de 1931, o navio italiano "Lazeroto Malocello", comandado pelo capitão de fragata Carlo Alberto Coraggio, chegava à capital potiguar, trazendo a Coluna Capitolina, doada pelo chefe do governo da Itália, o fascista Benito Mussolini. Cinco dias mais tarde, a capital norte-riograndense foi visitada pela esquadrilha da Força Aérea italiana.[29] Em 1935, ocorreu a Intentona Comunista, causada principalmente por setores da população descontentes com o interventor Mário Câmara. A rebelião saiu vitoriosa e deixou a cidade de Natal bastante agitada. Em 25 de novembro do mesmo ano foi instalado o "Comitê Popular Revolucionário" e, após a derrota do movimento na cidade do Rio de Janeiro, Natal foi abandonada pelos rebeldes, que se deslocaram para a região do Seridó, onde a repressão foi realizada violentamente até o fim da Intentona Comunista.[29] Com o fim da Intentona, assume o governo do estado Rafael Fernandes Gurjão, eleito indiretamente pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte e, com o Estado Novo, nomeado interventor em 1937, ficando no poder até junho de 1943.[42] Em 28 de janeiro de 1943, Natal recebeu a visita dos presidentes brasileiro (Getúlio Vargas) e estadunidense (Franklin Delano Roosevelt), sediou a Conferência do Potengi.[43] A conferência ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), numa época em que o norte-americanos começaram a ocupar o território potiguar, dada a localização estratégica de Natal, próximo ao "gargalo do Atlântico",[9] fazendo com que a cidade se tornasse famosa e conhecida internacionalmente, ocupando um lugar de grande destaque na história da aviação. Os estadunidenses construíram uma megabase, hoje localizada em Parnamirim, que desempenhou um papel bastante significativo durante o conflito e tornou-se conhecida como "O Trampolim da Vitória".[29] Com a saída de Rafael Fernandes do governo, foram interventores federais no Rio Grande do Norte até a volta das eleições diretas para governador em 1947: Antônio Fernandes Dantas (junho de 1943 a agosto de 1945), Georgino Avelino (agosto a novembro de 1945), Miguel Seabra Fagundes (novembro de 1945 a fevereiro de 1946), Ubaldo Bezerra de Melo (fevereiro de 1946 a janeiro de 1947) e Orestes Lima (janeiro a julho de 1947). As eleições diretas de 1947 deram vitória ao candidato José Augusto Varela, que governou até 1951, quando fora sucedido por Dix-Sept Rosado, ex-prefeito de Mossoró.[44] Este, no entanto, governou apenas por pouco mais de cinco meses, pois, em 12 de julho de 1951, morreu em um acidente de avião na região do Rio do Sal em Sergipe, assumindo em seu lugar o seu vice Sylvio Pedroza, ex-prefeito de Natal, que por sua vez esteve à frente da administração estadual até janeiro de 1956, completando o mandato de seu antecessor.[45] Durante este período, em agosto de 1954, com o suicídio de Vargas, seu vice Café Filho assume a presidência da república, sendo, até os dias atuais, o único potiguar a ocupar o cargo, permanecendo até novembro de 1955.[46] Sylvio Pedroza fora sucedido por Dinarte Mariz (1956-1961).[47] Em seu governo, foi criada a Universidade do Rio Grande do Norte, em 1960 federalizada e transformada na atual Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).[48] Logo após o governo de Mariz, vieram Aluízio Alves (1961-1966),[49] Walfredo Gurgel (1966-1971)[50] e Cortez Pereira (1971-1975),[51] os dois primeiros eleitos pelo voto popular e o último nomeado pelo regime militar iniciado com o golpe de estado de 1964, que culminou na implantação de um ditadura militar no Brasil até 1985. Durante o regime, houve perseguições a jovens e intelectuais da terra que se opusessem ao regime;[52] políticos como Aluízio Alves, Djalma Maranhão, Garibaldi Alves e Agnelo Alves tiveram seus direitos políticos suspensos pelo Ato Institucional Nº 5, de 1968. A partir de 1974, com a descoberta das primeiras jazidas de petróleo no estado, sua economia, até então prejudicada pelos períodos de estiagem, algumas vezes muito longos, experimentou um maior ritmo de crescimento econômico.[29] Foram ainda governadores do Rio Grande do Norte durante o regime militar: Tarcísio Maia (1975-1979), Lavoisier Maia (1979-1983) e José Agripino Maia (1983-1986), o único destes a ser eleito diretamente.[53] Até o final do século XX, com a redemocratização do país, governaram o estado: Radir Pereira (1986-1987),[54] Geraldo Melo (1987-1991),[55] José Agripino Maia (1991-1994),[56] Vivaldo Costa (1994)[57] e Garibaldi Alves Filho (1995-2002),[58] tendo este renunciado em 2002 para se candidatar ao Senado, sucedido por seu vice Fernando Freire.[59] Nas eleições estaduais de 2002, o Rio Grande do Norte elegeu pela primeira vez uma mulher para o governo do estado, a ex-prefeita de Natal Wilma de Maria, reeleita em 2006 e permanecendo até 2010.[60] Neste ano, mais uma mulher foi eleita para comandar o executivo estadual, Rosalba Ciarlini Rosado, então senadora e ex-prefeita de Mossoró,[61] empossada em 2011. No ano seguinte, teve início a seca mais prolongada e intensa da história recente do Nordeste brasileiro, que afetou o Rio Grande do Norte até 2017.[62] A falta de chuvas prolongada comprometeu o setor agropecuário e as reservas hídricas e fez quase todo o território estadual entrar em estado de emergência, levando vários municípios ao colapso hídrico.[63] Em 2014, Natal sediou quatro partidas da primeira fase da Copa do Mundo, realizadas na Arena das Dunas,[64] construída no mesmo lugar onde ficavam o Estádio Machadão e o Machadinho. Nas eleições de 2018, o Rio Grande do Norte fez história ao se tornar a primeira unidade da Federação a eleger três mulheres para o governo estadual, com a eleição da senadora Fátima Bezerra,[65] obtendo a maior votação da história do estado, com mais de um milhão de votos, recorde este superado com sua reeleição em 2022.[66]História
Pré-história e período pré-colonial

Período colonial

Império e República Velha


Revolução de 1930 aos dias atuais


O Rio Grande do Norte está localizado a nordeste da Região Nordeste do Brasil, limitando-se com os estados da Paraíba (a sul) e Ceará (a oeste) e o Oceano Atlântico (a norte e a leste). A distância linear entre seus pontos extremos norte e sul é de 263 quilômetros; enquanto isso, seus pontos extremos leste e oeste estão separados por uma distância reta de 443 quilômetros.[68] Também faz parte do território potiguar o Atol das Rocas, uma reserva biológica marinha considerada patrimônio da humanidade pela UNESCO.[67] Sua área territorial é de 52 809,602 km²,[2] sendo um dos menores estados do país, ocupando apenas 0,621% do território nacional. O estado segue o fuso horário UTC-3 (horário de Brasília), três horas atrasado em relação ao Meridiano de Greenwich), com exceção do Atol das Rocas, que segue o fuso UTC-2.[69][70] Em virtude de sua localização geográfica no território brasileiro, o Rio Grande do Norte é tido como uma das "esquinas" do continente sul-americano, sendo a unidade da federação que mais se projeta para a Europa e a África.[nota 1] Com 83% do seu território abaixo dos trezentos metros de altitude, e 60% destes abaixo dos duzentos metros,[73] o relevo do Rio Grande do Norte é formado por planícies principalmente no litoral e por planaltos e depressões no interior. No litoral, estão localizadas as planícies costeiras, caracterizadas pela existência de dunas, além dos tabuleiros costeiros, composto de formações de argila. Logo após os tabuleiros, estão as depressões sublitorâneas e, em seguida, o Planalto da Borborema, que compreende as áreas de maior altitude; a Depressão Sertaneja, com terrenos de altitude mais baixa, logo após o Planalto da Borborema e a Chapada do Apodi, próxima aos rios Piranhas/Açu e Apodi/Mossoró. Também existe a Chapada da Serra Verde, encontrada na região do Mato Grande, com terrenos planos e ligeiramente elevados.[68][74] Predominam os solos latossólicos no litoral oriental, neossólicos às margens dos rios, luvissólicos na região do Seridó, chernossólicos na Chapada do Apodi, argilosos na região do Alto Oeste e cambissólicos nas regiões planas e onduladas. Em outras regiões também podem ser encontrados os solos planossólicos e de mangue.[68] Com 90,6% do seu território localizado na região do Polígono das Secas,[75] o clima predominante do Rio Grande do Norte é o semiárido quente (BSh na classificação de Köppen), que domina quase todas as áreas do interior do estado, inclusive o litoral norte, característico das elevadas temperaturas e da escassez e irregularidade das chuvas, cujo índice pluviométrico é por vezes inferior a 700 milímetros anuais (mm/ano), com exceção da região oeste, em especial o Alto Oeste, que apresenta índices maiores. No litoral oriental, o clima é tropical savânico (As), com chuvas mais abundantes e índices pluviométricos superiores a 1 000 mm/ano.[76]
Mais de 85% do território do Rio Grande do Norte é dividido em um conjunto de quatorze bacias hidrográficas: Apodi-Mossoró, Boqueirão, Catu, Ceará-Mirim, Curimataú, Doce, Guaju, Jacu, Maxaranguape, Piranhas-Açu, Potengi, Pirangi, Punaú e Trairi.[77] Outros 10,8% estão na faixa litorânea norte de escoamento difuso[78] e 1,2% na faixa leste,[79] ambas constituídas por pequenos cursos d'água que fluem diretamente para o oceano, sem uma área delimitada pelos divisores de águas.[80] Em âmbito nacional, o Rio Grande do Norte encontra-se totalmente inserido na região hidrográfica do Atlântico Nordeste Oriental.[81] Os dois maiores rios do Rio Grande do Norte, que concentram cerca de 90% das reservas hídricas do estado,[74] são o Piranhas/Açu e o Apodi/Mossoró, cujas bacias cobrem, respectivamente, 32,8%[82] e 26,8% do território estadual.[83] O Rio Piranhas tem sua nascente no sertão da Paraíba e entra em território potiguar pelo município de Jardim de Piranhas, vindo a desaguar no Oceano Atlântico, após passar pela cidade de Macau.[84] No trecho do rio que abrange parte dos municípios de Jucurutu, São Rafael e Itajá, o rio é represado pela Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, o maior reservatório do Rio Grande do Norte,[85] com capacidade máxima para 2 373 066 510 m³.[86] O Rio Apodi-Mossoró, por sua vez, nasce em Luís Gomes, no Alto Oeste, e percorre 210 quilômetros na região oeste do estado até desaguar no mar, entre Grossos e Areia Branca, sendo o maior rio inteiramente potiguar.[87][88] Outros rios importantes do estado são Curimataú, Jacu, Jundiaí, Potengi, Seridó e Trairi.[74][89][90]
A maior parte da cobertura vegetal original do Rio Grande do Norte foi devastada desde o início da colonização do Brasil, restando hoje apenas uma espécie de vegetação secundária e de menor porte e ligada ao clima, ao relevo e aos solos. São eles a caatinga (que ocupa a maior parte do estado) e a Mata Atlântica, além de pequenos trechos de cerrado, floresta ciliar de carnaúba, floresta das serras, manguezais e a vegetação das praias e dunas.[74] Devido à ação humana, essa formação vegetal vem sendo cada vez mais destruída, causando a desertificação e o enfraquecimento da biodiversidade.[92] Na fauna do Rio Grande do Norte estão espécies como o aracuá, o beija-flor, a choca-barrada, o concriz, o galo-de-campina, o gato-maracajá-de-manchas-pequenas, o gavião pé-de-serra, os juritis, o macaco guariba, o mocó, a peba, o preá, o sagui-do-nordeste e o tatu-verdadeiro, além de várias outras espécies, como caranguejos, moluscos, ostras e peixes. Na flora estão a amescla, as aroeiras, a gameleira, o jatobá, a maçaranduba, o marmeleiro, o mulungu, as orquídeas, o pau-brasil, o pau-ferro, o pereiro, a peroba, a sapucaia, a sucupira, além de várias espécies de plantas trepadeiras e raras.[74] O Rio Grande do Norte possui algumas unidades de conservação, dentre áreas de proteção ambiental (APA), parques estaduais e nacionais, reservas de desenvolvimento sustentável, reservas particulares do patrimônio natural (RPPN), entre outras, que juntas possuem uma área de 238 mil metros quadrados, aproximadamente 4,5% do território estadual. Há ainda projetos para a criação de novas unidades de conservação.[93]Geografia
Hidrografia

Ecossistemas e biodiversidade





