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12/05/2026 13h02
Alvos na "Cascalhos de Areia", servidores são presos por desvio no tapa-buraco
Edivaldo Aquino Pereira e Mehdi Talayeh trabalham na Secretaria de Infraestrutura
Por Aline dos Santos, Kamila Alcântara e Bruna Marques
Preso nesta terça-feira (dia 12) na operação do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) contra desvios em contratos de obras, o servidor Edivaldo Aquino Pereira é coordenador do serviço de tapa-buraco em Campo Grande.
Lotado na Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos), ele também estava na mira na Cascalhos de Areia, deflagrada em 2023 por irregularidades no setor de ruas sem asfalto.
Operação contra desvio no tapa-buraco apreende R$ 429 mil em dinheiro vivo
Equipes do Gecoc, braço de investigação do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), amanheceram na porta de Edivaldo, no Bairro Tiradentes, em Campo Grande. Ele saiu preso no fim da manhã. O filho dele também foi levado para a delegacia após ser localizado droga.
Em julho de 2023, matéria do Campo Grande News mostrou que o servidor investigado, após a Cascalhos de Areia, tinha se tornado fiscal do contrato de aquisição de “concreto betuminoso usinado a quente (CBUQ) para atender as demandas” da Sisep.

Veículos descaracterizados do Gecoc em frente à casa de Edivaldo, no Tiradentes. (Foto: Juliano Almeida)
Outro preso é o engenheiro Mehdi Talayeh. Conforme o mandado obtido pela reportagem a prisão preventiva de Mehdi foi decretada pelo Núcleo de Garantias no dia 29 de abril, dentro de medida cautelar sigilosa relacionada à operação.
O advogado João Vitor Comiran afirmou que ainda não teve acesso aos autos completos do processo contra Mehdi. Os documentos da prisão mostram que o procedimento tramita sob sigilo absoluto.
Desde 2020, Mehdi aparece nos registros da Sisep como servidor comissionado. No Portal da Transparência da Prefeitura de Campo Grande, os salários declarados variaram ao longo dos anos entre cerca de R$ 4 mil e R$ 20 mil. Desde fevereiro deste ano, porém, não há mais lançamentos de remuneração em nome dele, embora também não exista publicação oficial de exoneração.

Mehdi Talayeh durante entrevista em 18 de junho de 2019. (Foto: Marina Pacheco/Arquivo)
Na vida privada, o engenheiro costuma publicar nas redes sociais resultados de cavalos de competição criados em um sítio que leva seu nome em Bandeirantes, cidade localizada a cerca de 70 quilômetros de Campo Grande. Ele já foi alvo da Cascalhos de Areia.
A lista de presos ainda tem Rudi Fiorese, que comandou a pasta de obras entre 2017 e 2023, Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa (sócio-administrador da Construtora Rial Ltda) e Fernando Souza Oliveira.
As defesas do ex-secretário e do empresário informaram que ainda não tiveram acesso ao processo. A reportagem não conseguiu contato com Edivaldo.

Edivaldo foi preso em operação contra corrupção. (Foto: Juliano Almeida)
Esquema - A investigação do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) constatou a existência de organização criminosa que atua fraudando, sistematicamente, a execução do serviço de manutenção de vias públicas na cidade, por meio da manipulação de medições e da realização de pagamentos indevidos. A ação apreendeu R$ 429 mil em dinheiro vivo.
Segundo o Gecoc, as evidências revelaram pagamentos públicos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados, com o propósito de permitir o desvio de dinheiro, o enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, a má qualidade das vias na cidade.
Policial carrega malote no pátio da Secretaria de Infraestrutura. (Foto: Juliano Almeida)
Levantamento indica que, entre 2018 e 2025, a empresa investigada amealhou contratos e aditivos que somam R$ 113.702.491,02. A operação também cumpriu mandado na Sisep. A reportagem solicitou posicionamento da Prefeitura de Campo Grande e aguarda retorno.
Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa é dono da Construtora Rial. (Foto: Bruna Marques)

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