A Söderhem, empresa sueco-brasileira especializada em moradia para longevidade ativa, firmou parceria com a Domini Incorporadora para desenvolver seu primeiro projeto no Brasil, com lançamento previsto para o início de 2027, em Florianópolis (SC). O empreendimento será voltado ao público acima dos 55 anos, com autonomia e vida ativa, um segmento ainda pouco explorado no país, mas que ganha relevância diante do envelhecimento acelerado da população.
Segundo o IBGE, a parcela de brasileiros com mais de 50 anos deve crescer de forma consistente nas próximas décadas, alterando o perfil de consumo e pressionando diferentes setores a se adaptarem. No cenário global, a ONU projeta que o número de pessoas com mais de 60 anos deve ultrapassar 2 bilhões até 2050.
Esse movimento já se reflete na chamada economia prateada, que movimenta cerca de R$ 1,8 trilhão por ano no Brasil, segundo a Data8, e deve mais que dobrar nas próximas duas décadas.
Apesar do potencial, o segmento de moradia voltada à longevidade ativa ainda é pouco desenvolvido no Brasil. Hoje, grande parte da oferta imobiliária para o público mais longevo está concentrada em modelos assistenciais, voltados a pessoas com algum grau de dependência.
Para Daline Hällbom, fundadora da Söderhem, há uma lacuna relevante entre o perfil do consumidor maduro atual e os produtos disponíveis no mercado: “o público 55+ de hoje tem renda, autonomia e expectativa de vida maior. É um consumidor ativo, que busca qualidade de vida e soluções de moradia mais alinhadas ao longo prazo. Ainda há pouca oferta estruturada para atender essa demanda no Brasil”, afirma.
Em mercados mais maduros, como Estados Unidos e Europa, o setor já apresenta maior segmentação, com modelos como Independent Living, voltados a pessoas independentes, além de soluções com diferentes níveis de suporte.
A avaliação é que o Brasil começa agora a entrar nessa curva de desenvolvimento, o que pode abrir espaço para novos produtos e estratégias dentro do setor imobiliário. “A longevidade tende a se tornar um dos principais vetores de transformação do real estate nos próximos anos. É uma mudança estrutural, não conjuntural”, diz Daline.
Para a Söderhem, o avanço da economia prateada deve impulsionar uma revisão nas estratégias de incorporadoras e investidores, à medida que o mercado passa a olhar para um público historicamente subatendido, como afirma Daline: “o setor imobiliário foi estruturado por décadas para atender outras fases da vida. Agora, começa a surgir um novo ciclo, com demandas diferentes e potencial relevante de crescimento”.
O projeto em parceria com a Domini marca a entrada da empresa no mercado brasileiro e pode servir como termômetro para a evolução desse segmento nos próximos anos.
Saiba mais: https://www.instagram.com/soderhem.nolt/