26/04/2026 05h20
Voar da Capital vira luxo e o desafio é achar passagens por menos de R$ 1 mil
Encontrar preços mais acessíveis de ida e volta para SP requer pesquisa e paciência
Por Izabela Cavalcanti
Viajar de avião saindo de Campo Grande tem pesado cada vez mais no bolso e, sem planejamento, o susto pode ser grande. Há cerca de 3 anos, era possível encontrar passagens de ida e volta para São Paulo, por exemplo, por cerca de R$ 450, até R$ 600. Hoje, conseguir esses mesmos trechos por menos de R$ 1 mil virou exceção e quem acha é sortudo. A pesquisa exige programação, atenção e paciência para encontrar o melhor preço.
Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com base no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), mostram que as passagens aéreas em Campo Grande subiram 4,04% em março de 2026. No recorte de um ano, o maior pico foi registrado em julho de 2025, quando o aumento chegou a 20,39%.
Levantamento feito pelo Campo Grande News evidencia essa disparada, levando em consideração uma viagem já para o próximo mês.
Para quem pretende viajar para São Paulo em maio, entre os dias 18 a 22 de maio, por exemplo, para São Paulo, o preço mais em conta é a passagem de ida e volta da companhia aérea Azul, que custa R$ 1.015 para Viracopos.
Para Guarulhos, da mesma companhia aérea, o preço sobe para R$ 1.519. Na Gol e na Latam, o preço passa para R$ 1.782.
Numa simulação para passar um fim de semana em São Paulo, entre os dias 15 e 17 de maio, o preço mais em conta é de R$ 1.357 para Viracopos. Para Congonhas, R$ 1.981. Os dois da Azul. Da Gol e da Latam, o preço chega a R$ 2.286 no preço mais em conta para Congonhas.
Aplicativo mostra preço das passagens entre 18 e 22 de maio, saindo de Campo Grande para São Paulo (Foto: Geniffer Valeriano)
Para o Rio de Janeiro, no mesmo período de 18 a 22 de maio, a passagem mais em conta da companhia Azul aparece por R$ 1.096, com desembarque no Aeroporto Santos Dumont. Da companhia Gol no mesmo aeroporto, R$ 1.508 e da Latam R$ 1.462.
Para um fim de semana, o valor da passagem da companhia Azul está R$ 1.651 para o Aeroporto Galeão. Para desembarque no Aeroporto Santos Dumont, com a Gol, a passagem sobe para R$ 1.941.
No entanto, cada caso tem um cenário diferente. Os preços de passagens dependem dos meses do ano, dos horários e também da oferta e procura.
Reflexo - Para especialistas, a alta não é pontual e reflete mudanças estruturais no setor aéreo. Cristina Albuquerque, proprietária da Veromundo Viagens, explica sobre o cenário.
“De 2022 para cá, o mercado aéreo passou por uma transição importante. Em 2022 ainda vivíamos um cenário de recuperação pós-pandemia, com demanda reprimida e uma retomada gradual das operações. No entanto, ao longo dos últimos anos, o que observamos foi um crescimento da demanda sem a mesma proporção de expansão na malha aérea, especialmente Campo Grande”, pontuou.
Ela destaca ainda o impacto direto dessa combinação na principal rota da região. “Um dos principais exemplos é a rota Campo Grande–São Paulo, que é estratégica para os passageiros da região, já que São Paulo funciona como o principal hub de conexão para voos nacionais e internacionais. Essa alta demanda constante, aliada à limitação de voos e companhias operando, fez com que os preços médios aumentassem significativamente", disse.
Cristina completou dando um exemplo. "De fato, passagens que anteriormente eram encontradas mais baratas do que hoje, podendo chegar a R$ 3.000, dependendo da antecedência e da disponibilidade”.
Arte: Thainara Fontoura
O comportamento dos preços segue a lógica clássica do setor. “Passagens adquiridas com maior antecedência tendem a ter valores mais atrativos. Já compras realizadas com menos de 30 dias do embarque geralmente encontram tarifas mais elevadas, pois a maior parte dos assentos já foi comercializada. Esse modelo sempre existiu, mas hoje está mais evidente devido à alta taxa de ocupação dos voos”, disse.
Outro fator é a redução da concorrência em algumas rotas. De acordo com ela, houve uma queda no número de companhias e frequências em algumas rotas partindo de Campo Grande.
“Essa menor competitividade impacta diretamente os preços, reduzindo a disponibilidade de promoções e alternativas de horários. Em geral, rotas com menor concorrência tendem a ter tarifas mais elevadas, e não o contrário".
A presidente da ABAV-MS (Agência Brasileira de Viagens de Mato Grosso do Sul), Luciana Leite, reforça que a situação não é isolada e acompanha o cenário global.
“Essa mudança está acontecendo globalmente. Algo que afeta fora do Brasil, acaba também refletido dentro do país, isso reflete toda uma cadeia: o petróleo, combustíveis, o avião depende do querosene, os fretes, tudo acaba movimentando de alguma forma”, ressaltou.
A representante do setor alerta para a importância do planejamento, principalmente em períodos de alta demanda.
“Se você busca com antecedência, o próprio agente de viagem ajuda nessa questão, também tem a questão do acesso e procura. Se for procurar voos para São Paulo em novembro para Fórmula 1, o valor vai ser alto”, justificou.
O planejamento continua como o principal conselho. “O importante é sempre o passageiro se organizar, se planejar, se possível não deixar para fazer a compra em cima da hora. Procurar um agente de viagem para dar suporte, fazer toda essa ponte, como também os hotéis”, finalizou.
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