23/04/2026 14h27
Consumidor de energia pressiona contratos e impulsiona uso de baterias no mercado livre
Bruna Machado
São Paulo, 23 de abril de 2026 – O consumidor de energia passou a exercer maior pressão sobre contratos e a adotar novas estratégias de gestão diante da volatilidade de preços no mercado livre. O movimento foi evidenciado no 2º dia do Energy Solutions Show 2026, realizado no Distrito Anhembi, em São Paulo, evento voltado a consumidores de energia, que reuniu empresas, especialistas e agentes do setor para discutir contratação, gestão de riscos e eficiência energética.
No painel “Sistemas Híbridos e BESS como Transformadores do Mercado - A chave para o fornecimento ininterrupto e seguro?”, especialistas destacaram que a expansão de fontes renováveis, como solar e eólica, tem reduzido custos de geração, mas ampliado a intermitência, os cortes de geração e a oscilação do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), impactando diretamente a estrutura dos contratos.
Segundo Marília Rabassa, head de Consulting Services da CELA, a necessidade de entrega de energia em perfil flat tem se tornado mais complexa e onerosa nesse cenário. “A solar e a eólica são hoje as fontes mais baratas, mas a gente não controla”, afirmou. De acordo com a executiva, a dificuldade de modulação e a volatilidade de preços elevam o custo das operações para garantir previsibilidade ao consumidor.
Para Alexei Vivan, diretor-presidente da Associação Brasileira de Companhias de Energia Elétrica (ABCE), a volatilidade dos preços horários tende a pressionar contratos e estimular renegociações. “Uma coisa é o contrato, outra coisa é o físico. Isso gera exposição para o gerador e pode virar problema para o consumidor”, disse. Segundo ele, o descolamento entre contratos financeiros e entrega física da energia aumenta o risco para as partes envolvidas.
Nesse contexto, os sistemas de armazenamento por baterias (BESS) foram apontados como alternativa para mitigar essa exposição. A tecnologia permite armazenar energia em períodos de menor custo e utilizá-la nos momentos de maior demanda, contribuindo para o ajuste do perfil de consumo, redução de custos e aumento da confiabilidade do fornecimento.
O uso de baterias também avança no lado do consumo. De acordo com Francisco Burmann, da WEG, aplicações “atrás do medidor”, em indústrias e comércios, têm ganhado escala com foco na redução de custos operacionais. Projetos baseados em energy shifting já apresentam retorno entre dois e três anos em regiões com maior variação tarifária ao longo do dia.
Além da tecnologia, os debates também destacaram o papel crescente do consumidor na gestão da demanda. Na palestra “Demanda, Flexibilidade e Gestão de Carga: Perspectiva e Complexidade do DSO para o Consumidor”, realizada na trilha de média tensão, Victor Iocca, diretor de energia elétrica da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres (ABRACE), afirmou que o avanço da flexibilidade exige maior engajamento e comunicação direta com o usuário final.
Segundo ele, o setor ainda precisa evoluir na forma como informações técnicas e regulatórias chegam ao consumidor. “É preciso tornar esse trabalho cada vez mais concreto e próximo do consumidor, inclusive com o uso de novos canais e formas de comunicação”, afirmou. Para o executivo, a ampliação da flexibilidade da demanda dependerá da integração entre informação, previsibilidade e participação ativa dos consumidores.
Além das aplicações no consumo, especialistas discutiram a integração das baterias ao Sistema Interligado Nacional (SIN), incluindo o uso para serviços ao sistema, como controle de frequência e tensão, e a possibilidade de contratação por meio de leilões de reserva de capacidade. A definição de modelos de remuneração e regras operacionais ainda está em discussão.
Serviço
Energy Solutions Show 2026
22 e 23 de abril
Distrito Anhembi – São Paulo (SP)
Mais informações: https://energysolutionsshow.com.br



