Os índices citados acima são baseados em estudos do próprio BIRD, balizador do projeto que além do ponto de vista financeiro também considera a segurança e o conforto que será adicionado aos usuários dos trechos inclusos no Rodar MS, que adota um modelo inovador, o Crema (Contrato de Restauração e Manutenção de Rodovias).
"A maior vantagem que Mato Grosso do Sul terá ao adotar o Crema é que a empresa contratada é quem irá executar o projeto executivo. Ela fecha o contrato através de um projeto básico e propõe o projeto executivo, que segue para aprovação da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos). Daí é que ela [a empresa] executa os primeiros dos anos de restauração da rodovia", frisa o secretário de Infraestrutura e Logística, Guilherme Alcântara.
O chefe da pasta sul-mato-grossense de obras continua a explicação, revelando o grande trunfo desse modelo inovador. "Quanto melhor for a restauração, menos custo terá para a manutenção. Daí a vantagem da empresa fazer um ótimo projeto e uma excelente execução", conclui o titular da secretaria que tem em seu escopo a Agesul.
Ao todo, o Rodar MS estima um investimento de U$S 250 milhões - na cotação atual a conversão chega a aproximadamente R$ 1,25 bilhão. Desse total, US$ 200 milhões são oriundos do Banco Mundial, enquanto os US$ 50 milhões restantes devem sair dos cofres estaduais, como contrapartida do projeto. Já o total de municípios impactados de forma direta e indireta pelo Rodar MS chega a 22, sendo 18 deles na região leste de Mato Grosso do Sul - onde fica o Vale do Ivinhema - e outras quatro no Bolsão, território do Vale da Celulose.
Conheça mais sobre o projeto

Dentro do modelo Crema adotado por Mato Grosso do Sul existem duas vertentes, a DBM (Design, Build, Maintain) e a via PPP (Parceria Público-Privada). Na primeira situação, o Rodar MS inclui 730,3 km, sendo 686,4 km de eixo principal e 43,8 km de travessia urbana. Os detalhes podem ser conferidos ao lado, na imagem com a tabela da Seilog.
No DBM, a duração do contrato será de 10 anos, com contratação integrada de projeto, obra, manutenção e pagamento pelo Estado sendo feito com base no cumprimento de indicadores de desempenho previamente estabecidos em contrato - ou seja, os repasses não estão vinculados apenas à execução de serviços, mas também à qualidade das obras.
Já no Bolsão, Água Clara, Inocência, Paranaíba e Três Lagoas estão entre os municípios impactados pelo Rodar MS. Lá, porém, o modelo a ser implantado será o de PPP, que terá a mesma dinâmica do BDM, mas com duração maior: 30 anos.
Nesse período, a empresa que ficar responsável pelo serviço terá que manter em boas condições de tráfego e segurança as rodovias MS-377 (entre Água Clara e Inocência) e MS-240 (entre Inocência e Paranaíba). São 208,7 km, todos rodoviárias, sendo 128,14 km na MS-377 (entre a BR-158 e a MS-112) e outros 80,56 km na MS-240 (entre a BR-262 e a MS-112).
Acessibilidade em 24 escolas públicas
Construído conjuntamente por Seilog e EPE (Escritório de Parcerias Estratégicas), o Rodar MS ainda apresenta ações para dar mais segurança no entorno de escolas públicas. As intervenções nas estradas, próximas a essas unidades de educação, têm foco na redução de riscos na travessia para alunos, comunidade escolar e toda comunidade do entorno.
As ações relacionadas à segurança viária e à acessibilidade serão realizadas em 24 escolas públicas municipais e estaduais, contribuindo para a redução de riscos de sinistros de trânsito e para a proteção de estudantes, profissionais da educação e da comunidade escolar.
As intervenções, segundo o projeto, permitirão a melhoria das condições de deslocamento, com maior segurança para pedestres e ciclistas, além de promover inclusão e acessibilidade. Adicionalmente, será realizado diagnóstico técnico que possibilitará uma tomada de decisão mais eficiente e baseada em evidências, otimizando a alocação de recursos públicos e priorizando as áreas de maior criticidade. Como resultado espera-se a criação de ambientes escolares mais seguros, inclusivos e adequados ao desenvolvimento social e educacional.
Foto: Saul Schramm/Secom/Arquivo



