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Crédito travado limita crescimento de PMEs e impulsiona alternativas fora dos bancos


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21/04/2026 09h58

Crédito travado limita crescimento de PMEs e impulsiona alternativas fora dos bancos

Carolina Lara


Exigências elevadas e processos lentos dificultam acesso a capital e aceleram avanço do crédito estruturado no país

 

 

 

O patrimônio líquido dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios alcançou cerca de R$ 833 bilhões em 2025, segundo dados da indústria, refletindo a migração de empresas para alternativas fora do sistema bancário tradicional. Mesmo assim, pequenas e médias empresas seguem com dificuldade para acessar financiamento, ainda que apresentem crescimento consistente e operações saudáveis. 

Para Beny Fard, CEO e cofundador da fintech DeFin e da B8 Partners, o problema não está na escassez de recursos. “Existe capital disponível, mas ele não chega com eficiência para quem está crescendo. O modelo de crédito não foi desenhado para atender esse perfil”, afirma.

Na prática, empresas com faturamento relevante e contratos em expansão continuam enfrentando barreiras como exigência de garantias elevadas, histórico financeiro robusto e prazos longos de análise. Esse descompasso compromete a capacidade de reação do negócio. “O tempo do banco não acompanha o tempo da empresa. Quando a resposta chega, muitas vezes a oportunidade já foi perdida”, diz.

A dificuldade tem origem na própria estrutura das instituições financeiras. O modelo tradicional opera com esteiras padronizadas, voltadas principalmente ao crédito massificado para pessoa física ou a grandes operações corporativas. No meio desse processo, as PMEs acabam desassistidas. “Analisar uma empresa média exige praticamente o mesmo esforço que analisar uma grande companhia, mas com retorno menor. O banco responde restringindo e padronizando”, explica.

Esse formato penaliza principalmente empresas em fase de expansão. Negócios que crescem rapidamente tendem a apresentar balanços mais pressionados por investimentos, o que pode ser interpretado como risco elevado. “O sistema interpreta crescimento como instabilidade. Para o empresário, isso não faz sentido, porque é justamente nesse momento que ele mais precisa de capital”, afirma.

Esse gargalo tem impulsionado o avanço do crédito estruturado e de soluções fora do sistema bancário. Fundos, fintechs e plataformas especializadas passaram a olhar para ativos gerados pelas próprias empresas, como recebíveis, em vez de depender exclusivamente de garantias tradicionais. “Quando a análise considera o fluxo de receita e a qualidade dos contratos, o acesso ao crédito muda de patamar”, diz.

A antecipação de recebíveis se consolidou como uma das principais alternativas nesse processo. Nesse modelo, o risco da operação está mais associado ao pagador final do que à empresa que busca o crédito, o que amplia a previsibilidade e reduz a necessidade de garantias adicionais. “O crédito deixa de depender apenas do balanço da empresa e passa a considerar a operação que ela já realizou. Isso destrava capital com mais velocidade”, afirma.

Apesar do crescimento dessas soluções, ainda existem entraves relevantes. A falta de informação sobre alternativas, a complexidade regulatória e a baixa integração tecnológica entre empresas e plataformas financeiras limitam o acesso. “Muitos empresários ainda acreditam que banco é a única porta. Esse desconhecimento mantém o gargalo ativo”, diz.

O especialista aponta cinco estratégias para destravar o crédito e ampliar o acesso a capital fora dos bancos tradicionais

Antes de buscar financiamento, especialistas recomendam que empresas revisem sua estrutura financeira e avaliem alternativas disponíveis. Algumas práticas ajudam a ampliar o acesso a capital e melhorar condições de negociação:

  • Organizar informações financeiras
    Empresas com dados estruturados, fluxo de caixa previsível e controle de recebíveis transmitem mais segurança e conseguem acessar crédito com melhores condições.
  • Utilizar recebíveis como ativo estratégico
    Antecipar valores a receber permite transformar vendas já realizadas em capital imediato, reduzindo a dependência de crédito tradicional.
  • Diversificar fontes de financiamento
    Buscar alternativas além dos bancos amplia o leque de opções e aumenta o poder de negociação, especialmente em momentos de expansão.
  • Avaliar além da taxa de juros
    Prazo, agilidade na liberação e impacto no caixa devem ser considerados na decisão, não apenas o custo nominal da operação.
  • Contar com parceiros especializados
    Empresas que estruturam operações financeiras com apoio técnico conseguem acessar soluções mais adequadas ao seu estágio de crescimento. “O empresário não precisa enfrentar esse processo sozinho. Existe um ecossistema preparado para estruturar e viabilizar esse acesso”, afirma.

O avanço do crédito estruturado indica uma mudança gradual na forma como empresas acessam capital no país. Embora os bancos continuem relevantes, novas soluções ganham espaço ao oferecer mais flexibilidade e aderência à realidade das PMEs. “O gargalo ainda existe, mas as alternativas já estão disponíveis. A diferença está em quem consegue acessar essas novas estruturas com mais rapidez”, conclui.

Sobre Beny Fard

Beny Fard, CFP®, é engenheiro e cofundador da B8 Partners, boutique financeira especializada em M&A, Dívida & Crédito Corporativo, Investimentos Alternativos e Ativos Digitais. Atua também como CEO da DeFin, fintech que oferece soluções de Investment Banking as a Service (IBaaS) combinando modelagem financeira, infraestrutura blockchain e metodologias de análise de risco aplicadas à Renda Fixa Digital e Real World Assets (RWA).

Consultor de valores mobiliários registrado na CVM, acumula experiência em finanças descentralizadas, investimentos alternativos, gestão e planejamento patrimonial, estruturação de ativos e inovação corporativa. Antes da B8, teve passagem pelo Banco BTG Pactual, atuou como investidor de startups e em projetos de inovação corporativa ligados ao Stanford Research Institute. Sua trajetória inclui participação em iniciativas de investimento e consultoria em empresas de médio e grande porte, com atuação em estratégias de crescimento, governança e mercado de capitais.

Para saber mais acesse o instagram, linkedin ou pelo site.

Sugestão de fonte: clique aqui

Sobre a DeFin

A DeFin nasceu como a gêmea digital (digital twin) da B8 Partners, e se tornou uma fintech (spin-off), servindo como uma plataforma de inteligência e estruturação digital, e tem como time de sócios Beny Fard, Christian Gazzetta, André Carvalho, Juliano Nicocelli e Vinicius Valler. Focada em Renda Fixa Digital e Real World Assets (RWA), a unidade atua como um Investment Banking as a Service (IBaaS), combinando tecnologia proprietária e rigor analítico para auditar, estruturar e liquidar ativos digitais com governança institucional. 

Para mais informações acesse https://defin.global/ e assine a carta semanal da DeFin Research.

Fontes de pesquisa

Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais)
https://www.anbima.com.br/pt_br/informar/estatisticas/mercado-de-fundos/fundos-de-investimento-em-direitos-creditorios-fidc.htm

Banco Central do Brasil (Relatório de Estabilidade Financeira e Estatísticas de Crédito)
https://www.bcb.gov.br/publicacoes/relatorioestabilidadefinanceira

https://www.bcb.gov.br/estatisticas/credito

CVM (Comissão de Valores Mobiliários – Dados e Regulação de FIDCs)
https://www.gov.br/cvm/pt-br/assuntos/regulados/fundos-de-investimento/fidc
https://dados.cvm.gov.br/dataset/fidc-doc




 




 

 




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