17/04/2026 17h12
Morre Oscar Schmidt, lenda do basquete mundial, aos 68 anos
Família confirmou morte de ex-jogador, um dos maiores nomes da história do esporte, nesta sexta-feira (17)
Por Gabriela Antualpa
Lenda do basquete mundial, Oscar Schmidt morreu aos 68 anos nesta sexta-feira (17). A morte do ex-atleta, que deixou esposa e dois filhos, foi confirmada em um comunicado da família. O irmão do apresentador Tadeu Schmidt passou mal em sua casa, na cidade de Santana de Parnaíba, no interior de São Paulo.
O Corpo de Bombeiros de Santana do Parnaíba informou à reportagem da Quem que recebeu um chamado para atendimento, por volta das 13h - o ex-atleta, que jogou pela Seleção Brasileira de Basquete e em times como Flamengo e Palmeiras, estava em parada cardiorrespiratória, chegando ao Hospital Municipal Santa Ana sem vida.
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Segundo a nota, o velório de Oscar será reservado aos familiares "em respeito ao desejo da família por um momento íntimo de recolhimento".
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Comunicado da família
"É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Oscar Schmidt, um dos maiores nomes da história do basquete mundial e uma figura de imenso significado humano e esportivo. Ao longo de mais de 15 anos, Oscar enfrentou com coragem, dignidade e resiliência a sua batalha contra um tumor cerebral, mantendo-se como exemplo de determinação, generosidade e amor à vida", disse a nota.
"Reconhecido por sua trajetória brilhante dentro das quadras e por sua personalidade marcante fora delas, Oscar deixa um legado que transcende o esporte e inspira gerações de atletas e admiradores no Brasil e no mundo. A despedida se dará de forma reservada, restrita aos familiares, em respeito ao desejo da família por um momento íntimo de recolhimento", apontou.
"Os familiares agradecem, sensibilizados, todas as manifestações de carinho, respeito e solidariedade recebidas, e solicitam a compreensão de todos quanto à necessidade de privacidade neste momento de luto. Seu legado permanecerá vivo na memória coletiva e na história do esporte, assim como no coração de todos que foram tocados por sua trajetória".
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Oscar foi diagnosticado com um tumor cerebral em 2011 e o tratou até 2022, quando terminou o tratamento com respaldo médico. "Parei (com o tratamento) esse ano, eu mesmo decidi parar. Morria de medo de morrer. Fechar o olho e não acordar mais, para mim, era um terror. E, graças ao tumor, perdi esse medo. Não quero ser o melhor palestrante ou o melhor jogador. Quero ser um marido e pai melhor", disse em entrevista para a Rede TV.
"Meu médico, Dr. Olavo Ferreira, ao ver os meus últimos exames, falou: 'Oscar, você está bem, vamos parar com a quimioterapia'. Depois dessa declaração que eu dei, virou uma confusão danada. Não estou desistindo do meu tratamento. Recebi alta do meu médico. Estou seguindo o conselho do meu médico, que acha que eu estou curado. E estou mesmo! Eu venci essa batalha!", disse ele alguns dias depois.
Carreira estrelada
Considerado um dos maiores nomes da história do basquete mundial, Oscar iniciou sua trajetória ainda jovem. Aos 16 anos, mudou-se para São Paulo para atuar nas categorias de base do Palmeiras, onde rapidamente se destacou e passou a integrar a seleção brasileira. Em 1979, já defendendo o Sírio, conquistou o mundial interclubes e, no ano seguinte, disputou sua primeira Olimpíada, em Moscou.
Ao longo da carreira, brilhou também no exterior, com destaque para mais de uma década pelo basquete italiano, onde se consolidou como um dos principais cestinhas da Europa. De volta ao Brasil nos anos 1990, vestiu camisas como a do Corinthians e do Flamengo, clube pelo qual atingiu uma de suas marcas mais emblemáticas: tornou-se o maior pontuador da história do basquete, com 49.737 pontos.
Oscar Schmidt — Foto: Reprodução/Instagram
Oscar Schmidt — Foto: Reprodução/Instagram
Pela seleção brasileira, disputou cinco Olimpíadas e se tornou o maior cestinha da história dos Jogos Olímpicos, com 1.093 pontos. Ele já enfrentou até a Seleção dos EUA na época do Dream Team - com Michael Jordan, Magic Johnson e Larry Bird - em 1992, marcando 24 pontos, um recorde naquele jogo.
Antes, tinha feito história para o Brasil, ao liderar a vitória da Seleção contra os Estados Unidos na final dos Jogos Pan-americanos de Indianápolis, em 1987. O Brasil venceu por 120 x 115, na primeira vez que os americanos perderam em casa, quando sofreram mais de cem pontos diante de sua torcida após 34 jogos de invencibilidade - algo impensável até então, e uma medalha de ouro inesquecível para o Brasil.
Oscar Schmidt — Foto: Reprodução/Instagram
Oscar Schmidt — Foto: Reprodução/Instagram
Ídolo também em casa
Conhecido como "Mão Santa", o atleta aposentou-se do basquete profissional em 14 de maio de 2003, aos 45 anos de idade. Sua última partida oficial foi pelo Flamengo contra o Minas Tênis Clube, em Belo Horizonte, marcando o fim de uma carreira de 30 anos e o recorde de maior pontuador da história.
Fora das quadras, também se destacou como palestrante. Oscar era casado desde 1981 com Maria Cristina Victorino - os dois fariam 50 anos juntos em maio deste ano. No ano passado, publicou uma homenagem carinhosa à amada. "49 anos de uma parceira linda, 44 deles casados. Obrigado por uma vida de alegrias!", escreveu.
Ele deixa os filhos Felipe e Stephanie, além dos irmãos Luís Felipe Schmidt e Tadeu Schmidt. Em fevereiro, quando Oscar completou 68 anos de vida, ganhou uma declaração do primogênito. "68 anos de vida, de caminhada, de exemplos e de luta, de conquistas. Um pai que sempre esteve presente, nos momentos bons, nos difíceis e em todos os aprendizados que realmente importam", disse.
"Muito do que eu sou veio do que aprendi dentro de casa: trabalhar com seriedade, respeitar as pessoas, manter a humildade e seguir firme, dentro e fora do esporte. Obrigado por cada conselho, cada puxão de orelha, cada incentivo e por mostrar, na prática, o que é ser um homem íntegro. Hoje a comemoração é sua e a gratidão é minha", apontou.
Felipe lamentou a morte do pai nas redes sociais. “Pai, vou sentir a sua falta. Vou honrar tudo o que você me ensinou a ser como homem e tentar ser ao menos 10% do ser humano que você foi. Você foi um exemplo de vida para mim, e eu nunca, nunca vou te esquecer", afirmou. "Celebrem a vida que meu pai teve dentro e fora das quadras. Ele foi um herói e deixou um legado no basquete que poucos alcançaram", disse o empresário.



