Os três títulos acima não são exceção — são retratos recentes de uma realidade que insiste em se repetir em Mato Grosso do Sul. Em poucos dias, casos de violência extrema envolvendo mulheres voltaram a ocupar espaço no noticiário: uma tentativa de homicídio com arma de fogo, um feminicídio seguido de suicídio presenciado por uma criança, e mais um crime investigado pela Polícia Civil com indícios de violência de gênero. Soma-se a isso uma parcela significativa de situações que sequer chegam ao conhecimento das autoridades — casos que não são registrados por medo, dependência ou silêncio — além das violências que permanecem no campo das ofensas, ameaças e agressões verbais, que também configuram violência doméstica e deixam marcas profundas.
Os episódios, registrados em diferentes municípios do Estado, reforçam um padrão que já não pode mais ser tratado como isolado. O que se observa é uma escalada de violência que, em muitos casos, nasce dentro de relações afetivas — relações que, em tese, deveriam ser espaços de proteção, respeito e cuidado.
A pergunta que ecoa diante desse cenário é inevitável: que tipo de sentimento é esse que se apresenta como amor, mas termina em agressão, perseguição e morte?
O feminicídio, tipificado no Brasil como crime hediondo, é o desfecho mais extremo de um ciclo de violência que, na maioria das vezes, começa de forma silenciosa. Controle excessivo, ciúmes, ameaças, humilhações e agressões físicas são sinais frequentemente ignorados ou minimizados — até que a violência atinja níveis irreversíveis.
Casos como o da mulher baleada ao tentar fugir, pulando um muro para sobreviver, evidenciam o desespero de quem já não encontra outra saída. Já o crime cometido diante de uma criança de apenas 9 anos expõe não só a brutalidade do ato, mas também o impacto profundo e duradouro que essa violência causa em famílias inteiras.
Em paralelo, o trabalho das forças de segurança, como a Polícia Civil, tem resultado na elucidação de crimes e na prisão de suspeitos. No entanto, a resposta repressiva, embora necessária, não é suficiente para conter um problema que é estrutural.
A raiz dessa violência está em padrões culturais que ainda naturalizam a posse sobre o outro, especialmente sobre a mulher. A ideia distorcida de que o fim de um relacionamento pode justificar atos extremos revela uma mentalidade que precisa ser enfrentada com urgência — por meio da educação, da conscientização e de políticas públicas eficazes.
É preciso também fortalecer as redes de apoio. Denúncias devem ser incentivadas, acolhidas e tratadas com seriedade. Muitas vítimas permanecem em silêncio por medo, dependência emocional ou financeira, ou pela descrença no sistema de proteção.
O início de 2026 acende um alerta preocupante. Se em poucos meses já há registros de casos tão graves, a projeção para o restante do ano exige atenção redobrada das autoridades e da sociedade.
Amor não fere. Não controla. Não ameaça. Muito menos mata.
Quando a violência se disfarça de sentimento, é sinal de que algo está profundamente errado — não apenas na relação entre duas pessoas, mas na forma como a sociedade ainda compreende o que é, de fato, amar.
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