07/04/2026 14h24
Mineradora em Goiás transforma rejeito em produto de alto valor com tecnologia nacional
Implantação do sistema ERAL da Máquinas Furlan converteu finos de britagem em material de alto valor agregado e reposicionou a operação no mercado de concreto
A combinação entre restrições ambientais mais rigorosas para extração de areia natural e o aumento dos custos logísticos está redesenhando o mercado de agregados no Brasil. Nesse cenário, a areia artificial deixou de ser um rejeito para assumir papel estruturante na cadeia da construção civil. Em Santa Bárbara de Goiás (GO), a Britago exemplifica esse movimento ao incorporar tecnologia de classificação capaz de transformar um passivo acumulado ao longo de anos em ativo estratégico de alta rentabilidade.
Com 28 anos de atuação, a empresa sempre operou com a britagem de gnaisse para fornecimento de agregados ao mercado regional. O material fino gerado no processo — abaixo de aproximadamente 3 mm — era armazenado no pátio, sem aplicação comercial. A empresa estima que entre 40 e 50 mil toneladas desse pó de brita estavam acumuladas, gerando custos de movimentação e ocupando área operacional sem retorno financeiro.
Paralelamente, o ambiente externo pressionava o setor. As exigências para dragagem de rios tornaram a produção de areia natural mais complexa, enquanto o frete — em trajetos que podiam alcançar 250 km até Goiânia — compromete a competitividade do insumo. O que antes representava um problema operacional passou a ser analisado sob uma ótica de oportunidade: havia demanda reprimida por um agregado tecnicamente controlado, com fornecimento estável e menor exposição a riscos regulatórios.
A inflexão estratégica ocorreu em 2013, com a implantação do Conjunto ERAL da Máquinas Furlan, estruturado como uma planta dedicada ao processamento dos finos. O sistema, operado a úmido, integra alimentador vibratório, peneira desaguadora, hidrociclone, correias transportadoras e bacias decantadoras. O hidrociclone exerce função central ao remover o pulverulento — partículas abaixo de 0,075 mm — que impactam diretamente o consumo de cimento, a trabalhabilidade e o desempenho mecânico do concreto.
Mais do que fornecedora de equipamentos, a Furlan atuou como parceira técnica no desenvolvimento do projeto, elaborando o fluxograma da planta dedicada aos finos, realizando estudos de balanço de massa e definindo o dimensionamento do hidrociclone e da peneira desaguadora para garantir eficiência na remoção do pulverulento e estabilidade granulométrica do produto. O resultado foi uma planta capaz de direcionar cerca de 70% do material processado para areia artificial com granulometria controlada, enquanto outra parte do material, passaram a abastecer o mercado agrícola como remineralizador, eliminando integralmente o passivo acumulado.
Do ponto de vista técnico, o novo produto apresentou menor teor de finos contaminantes e maior estabilidade granulométrica, favorecendo a performance nas concreteiras. Sob o prisma econômico, a areia artificial alcançou patamar de comercialização na faixa de R$ 105 por tonelada, posicionando-se entre os agregados de maior margem da operação da empresa inteira. A expectativa da empresa é que, até 2027, esse material lidere o faturamento da pedreira, superando inclusive o gnaisse tradicional.
“A implantação do sistema ERAL representou um salto de posicionamento para a empresa. O que antes ocupava espaço e gerava custo passou a integrar nossa estratégia de crescimento. Hoje, a areia artificial é um dos principais vetores de rentabilidade e nos dá previsibilidade comercial em um mercado cada vez mais exigente”, analisa Gabriel Brandão, Engenheiro de Minas e sócio da empresa.
Além do impacto financeiro, o projeto fortaleceu o alinhamento da operação às tendências de sustentabilidade do setor mineral. Ao ampliar o aproveitamento da jazida e reduzir a dependência da areia de rio, a Britago passou a operar com menor exposição ambiental e maior aderência às demandas regulatórias e de mercado.
Para Gustavo Furlan, gerente comercial da Máquinas Furlan, o caso reflete uma mudança estrutural na mineração brasileira. “A transformação observada na Britago mostra que é possível avançar em competitividade ao mesmo tempo em que se fortalece a responsabilidade ambiental. Quando aplicamos engenharia de processo para melhorar a qualidade do agregado e maximizar o aproveitamento do material, criamos valor em múltiplas dimensões — operacional, econômica e ambiental. Esse é o caminho para a mineração que busca longevidade”, pondera o gerente comercial da Furlan.
A consolidação da parceria técnica, com acompanhamento contínuo e proximidade entre as equipes de engenharia, garantiu previsibilidade operacional e segurança na evolução do projeto. O caso Britago evidencia que a adoção de tecnologia adequada de classificação vai além de resolver gargalo produtivo ao redefinir o modelo de negócio da pedreira, inserindo a areia artificial como elemento central de sua estratégia de crescimento.
Classificação a seco amplia portfólio e reduz custo do concreto em MS
Enquanto a Britago estruturou uma planta dedicada ao processamento a úmido dos finos, em Sidrolândia (MS) a Mineradora Negri trilhou caminho complementar ao investir na classificação a seco para agregar valor ao pó de pedra já produzido em sua operação.
Com mais de 20 anos de atuação, a empresa fornecia ao mercado um único produto oriundo da fração abaixo de 4,76 mm — o tradicional pó de pedra. A ausência de classificação granulométrica limitava o potencial comercial do material e restringia sua aplicação em segmentos mais exigentes da construção civil.
A implantação da peneira de alta frequência da Máquinas Furlan alterou essa dinâmica. O equipamento viabilizou a divisão do pó em três faixas distintas — areia fina, areia média e areia grossa — ampliando o portfólio e possibilitando atendimento mais preciso às demandas de concreteiras e fábricas de pré-moldados.
Do ponto de vista técnico, a classificação trouxe maior controle granulométrico e estabilidade do produto. Sob o aspecto econômico, o investimento abriu novas frentes de mercado e elevou o valor agregado do material anteriormente comercializado como um único insumo.
Outro ganho relevante foi observado na aplicação do agregado no concreto. Com a utilização da areia artificial classificada, houve redução no consumo de areia de rio e diminuição significativa do uso de cimento na composição, refletindo em eficiência produtiva para os clientes e menor impacto ambiental.
O caso da Mineradora Negri mostra que, mesmo quando o fino já tem destinação comercial, a engenharia de classificação pode ampliar margens e elevar a competitividade regional.
Sobre a Máquinas Furlan
A Máquinas Furlan é uma fabricante de soluções para a indústria extrativa, com um portifólio que reúne mais de 150 modelos de equipamentos e uma ampla linha de acessórios para atender às demandas do setor mineral.
Fundada em 1962, na cidade de Limeira, no interior do Estado de São Paulo, a Furlan se consolidou como referência no Brasil, nas Américas do Sul, Central e do Norte. No parque industrial de 210 mil m², a fabricante agrega recursos tecnológicos e profissionais qualificados para o desenvolvimento e fabricação de produtos empregados nas operações de cominuição (britagem, trituração e moagem) e no processamento de minérios (classificação, transporte, piroprocessamento etc.).




