19/03/2026 15h42
Rodada de Negócios impulsiona artesanato de MS durante a Semana do Artesão 2026
A Semana do Artesão 2026, realizada entre os dias 18 e 25 de março, se consolida como uma das principais ações de valorização do artesanato sul-mato-grossense. A programação reúne feira de exposição, oficinas, palestras, rodada de negócios e apresentações culturais, promovendo a difusão da cultura e o fortalecimento da economia criativa no estado.
Acontece nesta quinta-feira (19), Dia do Artesão, a Rodada de Negócios. A iniciativa é um dos projetos mais importantes do setor, pois contribui para que o artesanato seja comercializado durante todo o ano.
A Rodada de Negócios cria oportunidades para que os artesãos de Mato Grosso do Sul estabeleçam contatos comerciais e fechem parcerias com lojistas de diferentes regiões do país. Além de dar visibilidade à produção artesanal local, conectando os artesãos sul-mato-grossenses a compradores e fortalecendo a identidade cultural do estado.
O evento é promovido pelo Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio da FCMS (Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul) em parceria com o Sebrae MS.
Neste ano, foram inscritos 30 artesãos que receberam a visita de 10 compradores/lojistas dos Estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Bahia.
Para Katienka Klain, gerente de desenvolvimento de atividades artesanais da FCMS, a Rodada de Negócios é uma oportunidade para divulgar o artesanato sul-mato-grossense.
“A Rodada de Negócios é um projeto em que trazemos lojistas de varejo do Brasil inteiro para comprar o artesanato de Mato Grosso do Sul. Então é uma venda atacada, eles vêm, compram e a gente transporta pelo caminhão da Fundação de Cultura essas peças de artesanato. A gente tem feiras que são esporádicas, feiras nacionais, mas é na Rodada de Negócios que o lojista tem o contato, conhece, compra e leva para a sua loja. Com essas vendas, que são vendas de uma loja diária, sempre aberta, vendendo, ele está sempre comercializando, está sempre comprando e encomendando do lojista”, destacou.
Ela também destaca o aumento da procura por artesanatos: “A gente chegou no ápice do digital e as pessoas estão resgatando o manual, então assim, quando você vai numa feira, você vê que as pessoas procuram o manual, a história, o crochê, o bordado, então a procura está muito grande e demanda também, e todos querem comprar uma história. No ano passado nós tivemos uma venda de R$600 mil reais na rodada”.
A gerente da Unidade de Competitividade e Inovação do Sebrae/MS, Isabella Fernandes Montello destacou a força e o potencial do artesanato sul-mato-grossense no mercado.
“Nós sabemos que o artesanato de Mato Grosso do Sul é um artesanato realmente desejado, muito bem posicionado no mercado, e a gente consegue ter vendas incríveis nessas rodadas e durante o ano. A gente sabe que é um setor que movimenta o negócio para o Mato Grosso do Sul. O fator principal é a origem, o nosso artesanato tem uma origem étnica muito forte, com artesanato indígena, inspirado na beleza da nossa natureza, da nossa flora e da nossa fauna. Isso faz com que ele seja realmente rico artisticamente e projeta cada vez mais o interesse dos compradores.”
Marco Aurélio Saad Pulcherio, 64 anos, o CEO e Curador da Marco500, marca de alta decoração, destaca a importância das rodadas de negócios para que os artesãos ampliem suas vendas e alcancem outros estados e até o mercado internacional.
“É uma chance que nós do atacado temos de ter acesso de uma forma rápida ao trabalho da região toda, normalmente os recortes são regionais, artesanato do pantanal, artesanato do estado, da cidade, por exemplo. Os lojistas são convidados vêem e conhecem o trabalho dos artesãos, e têm a oportunidade de negociar fazer encomendas é o grande propulsor desse artesão para além do ateliê. No meu caso eu tenho um olhar muito fechado porque eu trabalho no mercado de alta decoração, mas tem aqueles que vem comprar para lojas de souvenir, têxtil, eu tenho alguns reguladores para o meu negócio, mas tem os meus colegas, que trocamos figurinhas e as rodadas são boas para construir essas relações entre lojistas e artesãos”, frisou.
Yani stamm hirsch, tem 42 anos, é de Naviraí e trabalha com artesanato extrativista recuperando madeiras de áreas queimadas do pantanal para fazer suas obras de arte.
“O meu artesanato ele migrou por várias fases, hoje eu trabalho com uma parte de artesanato extrativista, que é uma arte que eu me apaixonei. Quando eu comecei foi com ele também, ele surgiu na minha vida pelo mesmo motivo que hoje eu dou aula para outras mulheres em situação de vulnerabilidade, porque é uma matéria-prima que você encontra na natureza e você pode transformá-la em uma obra de arte. Você não precisa gastar dinheiro para começar”.
“Você consegue resgatar uma cápsula de uma semente e uma folha e ir trabalhando nela de uma forma bem econômica e fazer disso uma peça para vender, para ganhar dinheiro, para sustentar suas famílias e para poder também eternizar uma parte da natureza. Hoje nosso artesanato é baseado no artesanato extrativista. São madeiras recuperadas em áreas de incêndio do Pantanal, madeiras recuperadas em antigas fazendas e trabalhamos também com galhos, folhas, tudo de uma maneira muito sustentável”.
Renato Stamm Hirsch dos Santos, de 16 anos, conta como começou no artesanato, inspirado pela mãe, ele é a segunda geração de artesãos extrativistas.
“Eu comecei com 14 anos no Prospera MS e comecei artesanato, eu acho que é uma coisa que os jovens não estão muito ligados a profissão de artesão, meu plano é continuar no artesanato e motivar as pessoas jovens a fazer artesanatos”, destacou.
Ele também trabalha com produção artesanal de erva de tereré: “Para as ervas de tereré eu faço a colheita no assentamento onde meu avô mora e fazemos a moda antiga, porque ela não tem conservantes, é 100% orgânica e é artesanal”.
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