24/02/2026 09h40
São Paulo e Salvador lideram alta da cesta de consumo básica em janeiro; Rio segue com a cesta mais cara do país, aponta Neogrid & FGV IBRE
São Paulo e Salvador registram as maiores altas do mês; Rio de Janeiro segue no topo do ranking da cesta, mesmo com a baixa variação; Manaus lidera o ranking de variação acumulada no semestre;
O Rio de Janeiro segue como a capital com a cesta de consumo básica mais cara do país, apesar de apresentar a menor variação mensal entre os municípios estudados, de 0,21%, passando de R$ 987,32 em dezembro 2025 para R$ 989,40 em janeiro de 2026. No acumulado dos últimos seis meses, a cesta subiu de R$ 945,92, em agosto de 2025, para R$ 989,40 em janeiro de 2026, representando um avanço de 4,60% e mantendo-se em patamar elevado no primeiro mês deste ano.
São Paulo registrou alta de 1,56% no mês, com a cesta passando de R$ 938,59 para R$ 953,25. Com o aumento apresentado em janeiro, o acumulado semestral mostra alta de 2,47%, com o custo subindo de R$ 930,24, em agosto de 2025, para R$ 953,25 em janeiro de 2026, sinalizando recomposição gradual no período.
Em Fortaleza, a cesta apresentou alta de 1,06%, passando de R$ 861,24 para R$ 870,37. No acumulado de seis meses, o movimento é de alta (3,03%), com o valor subindo de R$ 844,76, em agosto, para R$ 870,37 em janeiro, indicando variação moderada no semestre.
Manaus teve aumento mensal de 0,95%, com a cesta passando de R$ 852,60 para R$ 860,72. No acumulado semestral, a capital se mantém como principal destaque de alta, com avanço de 18,43%, subindo de R$ 726,76 para R$ 860,72 no último semestre, refletindo pressões persistentes associadas a custos logísticos e maior dependência de itens industrializados.
Salvador registrou a maior alta do mês de janeiro, 2,34%, com a cesta passando de R$ 829,58 para R$ 848,98. No acumulado de seis meses, a capital apresenta elevação de 0,33%, com o custo subindo de R$ 846,22 para R$ 848,98 no mês de janeiro.
Brasília apresentou alta de 0,22% no mês, com a cesta passando de R$ 829,05 para R$ 830,88. No acumulado semestral, a variação é positiva em 2,53%, com o valor variando de R$ 810,34, em agosto, para R$ 830,88 em janeiro.
Curitiba registrou uma alta mensal de 1,62%, com a cesta passando de R$ 792,89 para R$ 805,73. No acumulado de seis meses, a capital apresenta alta expressiva (9,24%), subindo de R$ 737,58 para R$ 805,73, refletindo forte avanço no semestre.
Belo Horizonte, que permanece com a cesta mais barata entre as capitais analisadas, teve aumento de 1,05% no mês, com o custo passando de R$ 710,04 para R$ 717,49. No acumulado de seis meses, a capital registra alta de 5,82%, com a cesta avançando de R$ 678,04 em agosto para R$ 717,49 em janeiro de 2026, mostrando recomposição no período.
Quadro 1 – Preços médios da cesta de consumo básica em janeiro/26, por capital
|
Capital |
Preço Médio dezembro/25 (R$) |
Preço Médio janeiro/26 (R$) |
Variação % |
|
Rio de Janeiro |
987,32 |
989,40 |
0,21% |
|
Manaus |
852,60 |
860,72 |
0,95% |
|
São Paulo |
938,59 |
953,25 |
1,56% |
|
Salvador |
829,58 |
848,98 |
2,34% |
|
Curitiba |
792,89 |
805,73 |
1,62% |
|
Belo Horizonte |
710,04 |
717,49 |
1,05% |
|
Fortaleza |
861,24 |
870,37 |
1,06% |
|
Brasília |
829,05 |
830,88 |
0,22% |
Fonte: Neogrid/FGV IBRE
Quadro 2 – Variação acumulada da cesta de consumo básica em janeiro/26, por capital
Fonte: Neogrid/FGV IBRE
Comportamento acumulado no semestre
No acumulado dos últimos seis meses, o comportamento segue heterogêneo entre as capitais monitoradas. Manaus lidera com ampla margem, acumulando alta de 18,43%, refletindo pressões persistentes sobre custos logísticos e alimentos industrializados.
Na sequência, aparecem Curitiba (+9,24%) e Belo Horizonte (+5,82%). Rio de Janeiro acumula alta de 4,60%, enquanto Fortaleza (+3,03%), Brasília (+2,53%) e São Paulo (+2,47%) apresentam variações mais moderadas. Salvador registra praticamente estabilidade no semestre, com leve alta de 0,33%, mesmo apresentando a maior alta mensal.
“O início de 2026 mostra um movimento distinto daquele observado no fechamento de 2025. Se antes tínhamos um cenário marcado por volatilidade regional e, até mesmo, quedas relevantes em algumas capitais do Nordeste, janeiro apresentou pressão disseminada em todas as oito capitais monitoradas, evidenciando um encarecimento mais amplo da cesta de consumo básica”, explica Anna Carolina Fercher, líder de dados estratégicos da Neogrid. Ela destaca que as maiores altas do mês foram registradas em Salvador (+2,34%), Curitiba (+1,62%) e São Paulo (+1,56%), enquanto o Rio de Janeiro, que já vinha de um patamar elevado, avançou de forma mais moderada (+0,21%), mas ainda assim manteve a cesta de consumo básica mais cara do país, atingindo R$ 989,40. “No acumulado de seis meses, Manaus continua sendo o maior ponto de atenção, com elevação de 18,43%, reflexo direto de desafios logísticos e da pressão sobre alimentos industrializados. Curitiba (+9,24%) e Belo Horizonte (+5,82%) também seguem em trajetória de aceleração”, destacou a especialista.
Itens que mais pressionam os preços da cesta de consumo básica por capital
Em janeiro, as principais pressões de alta no custo da cesta de consumo básica vieram de legumes, frutas, carnes e derivados de milho, com comportamento desigual entre as capitais. Os legumes registraram avanço expressivo em todas as cidades, com destaque para Belo Horizonte e Fortaleza. As frutas também apresentaram variação positiva em todas as capitais analisadas, embora não tenham sido tão grandes quanto os legumes. Já a farinha de mandioca registrou variação moderada, com exceção de Belo Horizonte, que apresentou uma alta de 4,08%.
Quadro 3 – Maiores variações de preços da cesta de consumo básica em janeiro/2026, por capital.
|
Capital |
Legumes |
Frutas |
Fubá e Farinhas de Milho |
Bovino |
Farinha de Mandioca |
|
Belo Horizonte |
23,58% |
6,72% |
0,28% |
-2,86% |
4,08% |
|
Brasília |
11,11% |
1,48% |
3,45% |
0,69% |
-0,09% |
|
Curitiba |
13,73% |
4,36% |
-3,63% |
5,48% |
0,17% |
|
Fortaleza |
16,68% |
3,84% |
-0,80% |
0,66% |
0,09% |
|
Manaus |
10,14% |
2,88% |
-0,78% |
0,54% |
1,71% |
|
Rio de Janeiro |
10,66% |
2,97% |
-1,06% |
3,05% |
0,31% |
|
Salvador |
8,75% |
6,55% |
6,42% |
2,44% |
1,29% |
|
São Paulo |
11,21% |
4,77% |
1,06% |
-3,55% |
-0,03% |
Fonte: Neogrid/FGV IBRE
Itens que ajudaram a conter o custo da cesta o mês
Quadro 4 – Menores variações de preços da cesta de consumo básica em janeiro/2026, por capital.
|
Capital |
Suíno |
Leite UHT |
Óleo |
Pão |
Ovos |
|
Belo Horizonte |
7,45% |
-2,85% |
-4,69% |
-2,12% |
-3,71% |
|
Brasília |
2,27% |
-1,52% |
-1,93% |
2,47% |
-1,85% |
|
Curitiba |
-0,54% |
-1,56% |
-0,91% |
-4,33% |
-1,26% |
|
Fortaleza |
-5,81% |
-0,20% |
-2,81% |
0,50% |
0,14% |
|
Manaus |
8,87% |
-6,76% |
-0,63% |
-2,76% |
1,26% |
|
Rio de Janeiro |
-4,14% |
-2,01% |
-3,62% |
-0,61% |
-2,82% |
|
Salvador |
-11,13% |
-0,01% |
-2,86% |
-2,32% |
1,44% |
|
São Paulo |
-8,55% |
-3,12% |
-2,20% |
-0,48% |
-4,08% |
Fonte: Neogrid/FGV IBRE
Por outro lado, produtos como leite UHT, óleo de soja, ovos e pão registraram quedas importantes em várias capitais, ajudando a evitar uma alta ainda mais intensa da cesta.
Manaus apresentou recuo expressivo no leite UHT (-6,76%), enquanto Belo Horizonte registrou queda relevante no óleo (-4,69%). Em São Paulo, ovos (-4,08%) e suíno (-8,55%) contribuíram para moderar o resultado final. No Rio de Janeiro, as reduções do óleo de soja (-3,62%) e dos ovos (-2,82%) também exerceram efeito de contenção.
Cesta Ampliada: movimentos mistos entre as capitais
A cesta de consumo ampliada, que reúne os 18 itens da cesta de consumo básica mais 15 produtos de higiene e limpeza, apresentou comportamento variado em janeiro.
Todas as capitais apresentaram alta em janeiro:
- Salvador: 1,98%, alcançando R$ 1.939,27;
- Belo Horizonte: 1,87%, totalizando R$ 1.912,40;
- Brasília: 1,42%, fechando em R$ 2.038,59;
- Fortaleza: 1,06%, somando R$ 1.934,20;
- Rio de Janeiro: 1,03%, alcançando R$ 2.252,31, mantendo-se como a cesta mais cara do país;
- São Paulo: 0,72%, totalizando R$ 2.089,06;
- Curitiba: 0,55%, alcançando R$ 1.817,13;
- Manaus: 0,17%, fechando em R$ 1.879,34.
Em Brasília, alimentos processados como a batata congelada e requeijão registraram aumento de 5,52% e 4,91%, respectivamente, enquanto, em Fortaleza, os queijos apresentaram incremento de 4,38%. Em São Paulo e Belo Horizonte, a elevação no preço médio das verduras (4,32% e 3,75%) também contribuiu para sustentar a pressão do mês.
Destaques por capital:
- Manaus: verduras (2,76%);
- Brasília: batata congelada (5,52%);
- Rio de Janeiro: requeijão (3,24%);
- São Paulo: verduras (4,32%);
- Belo Horizonte: xampu (4,70%);
- Curitiba: xampu (2,12%);
- Fortaleza: queijos (4,38%);
- Salvador: queijos (3,55%)
Quadro 5 – Preços médios em R$ da cesta de consumo ampliada em janeiro/26, por capital.
|
Capital |
Preço Médio (R$) dezembro/25 |
Preço Médio (R$) janeiro/26 |
Variação % |
|
Rio de Janeiro |
2229,29 |
2252,31 |
1,03% |
|
Belo Horizonte |
1877,27 |
1912,40 |
1,87% |
|
São Paulo |
2074,17 |
2089,06 |
0,72% |
|
Curitiba |
1807,17 |
1817,13 |
0,55% |
|
Fortaleza |
1913,95 |
1934,20 |
1,06% |
|
Salvador |
1901,70 |
1939,27 |
1,98% |
|
Manaus |
1876,07 |
1879,34 |
0,17% |
|
Brasília |
2010,05 |
2038,59 |
1,42% |
Fonte: Neogrid/FGV IBRE
Quadro 6 – Maiores variações de preços da cesta de consumo ampliada em janeiro/2026, por capital.
Fonte: Neogrid/FGV IBRE
Sobre a Cesta de Consumo NEOGRID & FGV IBRE
A Neogrid e o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) (https://portalibre.fgv.br/) se uniram para lançar a plataforma Cesta de Consumo. O serviço monitora a variação de preço de duas cestas de consumo típicas brasileiras pela análise da leitura mensal de mais de 35 milhões de notas fiscais: a Cesta de Consumo Básica, que conta com 22 alimentos básicos com maior presença nas compras do shopper, e a Cesta de Consumo Ampliada, contendo mais de 50 produtos de consumo, incluindo bebidas e itens de limpeza, higiene e beleza.
A plataforma, que pode ser acessada no Painel de Insights Neogrid no link https://hub.neogrid.com/painel-insights-ecossistema-neogrid monitora a variação e o comportamento dos preços nas oito maiores capitais brasileiras em população - Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, e os produtos e quantidades analisados variam conforme os hábitos de consumo locais.



