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IA expõe dilema estratégico para o Brasil entre competitividade global e aumento das desigualdades


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11/02/2026 18h07

IA expõe dilema estratégico para o Brasil entre competitividade global e aumento das desigualdades

Carolina Lara


Tecnologia abre caminho para ganhos de produtividade e renda mas exige coordenação para evitar concentração econômica e exclusão regional

A inteligência artificial se consolida como uma das principais forças de reorganização da economia global e coloca o Brasil diante de um dilema estratégico. A adoção da tecnologia pode elevar a produtividade, estimular novos modelos de negócio e permitir que o país avance em competitividade internacional. Ao mesmo tempo, a incorporação desigual da IA tende a ampliar o fosso entre empresas estruturadas e aquelas que ainda operam com baixo nível de digitalização.

O debate ganha força em um momento em que organismos multilaterais, como Banco Mundial e OCDE, apontam que tecnologias baseadas em IA podem gerar ganhos relevantes de eficiência, sobretudo em economias emergentes, desde que combinadas a capital humano, governança e investimento em inovação. Sem esses fatores, os benefícios tendem a se concentrar em poucos grupos econômicos.

Para João Paulo Ribeiro, CEO da ON, especialista em especialista em  Customer Experience, a inteligência artificial representa uma oportunidade histórica, mas não automática. A ON atua no desenvolvimento de soluções de atendimento baseadas em inteligência artificial, integração entre pessoas e tecnologia e novos modelos de trabalho digital. “A IA pode ser o maior motor de inclusão produtiva da nossa geração, mas só se for usada para ampliar acesso ao trabalho e à renda, e não apenas para substituir pessoas”, afirma.

Segundo ele, o Brasil reúne condições específicas para avançar mais rápido do que países que já passaram por ciclos completos de industrialização. A forte presença do setor de serviços, aliada à alta penetração digital, cria espaço para ganhos de produtividade sem depender exclusivamente de grandes investimentos industriais. “O Brasil não pode apenas consumir IA. Precisa criar valor com ela, adaptando a tecnologia à sua realidade econômica e social”, diz.

O papel das empresas médias e do interior

A discussão sobre competitividade não se restringe às grandes corporações. Empresas médias e negócios localizados fora dos grandes centros urbanos tendem a desempenhar papel central na difusão da IA. A possibilidade de operar processos de forma remota, com apoio de sistemas inteligentes, reduz barreiras geográficas e amplia o acesso a mercados antes restritos às capitais.

Dados do IBGE e do Sebrae indicam que pequenas e médias empresas ainda enfrentam dificuldades na adoção de tecnologias avançadas, o que reforça o risco de aprofundamento das desigualdades produtivas. Para Ribeiro, esse cenário pode ser revertido se a IA for aplicada como infraestrutura de trabalho e não apenas como ferramenta de automação. “Quando a tecnologia chega ao interior, ela cria novos polos econômicos sem exigir migração ou concentração de renda”, afirma.

Benefícios e riscos no horizonte

Antes de apresentar recomendações práticas, especialistas alertam que a inteligência artificial não é neutra. Relatórios da UNCTAD mostram que investimentos globais em IA estão concentrados em poucos países e grandes empresas de tecnologia, o que pode limitar a autonomia de economias em desenvolvimento.

“A concentração tecnológica é um risco real. Sem um ecossistema local forte, o país pode ganhar eficiência no curto prazo, mas perder capacidade de inovação no longo”, afirma o executivo. Para ele, a competitividade brasileira depende da combinação entre tecnologia, pessoas e modelos de negócio capazes de distribuir ganhos de forma mais ampla.

Como adotar IA sem ampliar desigualdades

A adoção responsável da inteligência artificial começa com decisões estratégicas e não apenas tecnológicas. A seguir, alguns pontos considerados essenciais por especialistas do setor.

O executivo destaca quatro cuidados básicos para empresas que pretendem iniciar esse processo:

1- Diagnóstico da operação: identificar áreas onde a IA pode gerar ganhos mensuráveis de produtividade e qualidade, evitando projetos genéricos.

2- Capacitação das equipes: investir em requalificação profissional para que pessoas atuem em conjunto com a tecnologia.

3- Escolha criteriosa de parceiros: priorizar fornecedores com conhecimento do negócio, atenção à governança de dados e segurança jurídica.

4- Escala gradual: começar com projetos-piloto antes de expandir, reduzindo riscos operacionais e dependência tecnológica.

Na avaliação de Ribeiro, contratar empresas especializadas em IA exige olhar além do discurso de inovação. “É preciso entender se a solução resolve um problema real e se está alinhada à maturidade da empresa. Caso contrário, a tecnologia vira custo e não vantagem competitiva”, afirma.

Competitividade ou aprofundamento das distâncias

O impacto da inteligência artificial sobre a economia brasileira dependerá menos da tecnologia em si e mais das escolhas feitas agora por empresas e formuladores de políticas. Sem coordenação, a IA tende a reforçar assimetrias regionais e setoriais já existentes. Com estratégia, pode se tornar um vetor de geração de renda, inclusão produtiva e criação de novos polos econômicos.

“A IA não é um fim. É um meio”, resume Ribeiro. “Ela pode ajudar o Brasil a competir globalmente, mas só fará sentido se for capaz de incluir mais pessoas e empresas nesse processo.”

Sobre João Paulo Ribeiro

João Paulo Ribeiro é bacharel em Direito e possui  três MBAs em sua formação: Administração e Gestão de Negócios (FIA), Módulo de Negócios Internacionais (Stanford University) e o Program de formação de CEO’s da Fundação Getulio Vargas (FGV). Especialista em CX , liderança e cultura organizacional centrada no cliente, é referência na transformação da experiência de atendimento no Brasil. Escritor e palestrante, é reconhecido pelo mercado como um grande visionário no mercado Brasileiro. 

João começou sua carreira ainda muito jovem, atuando no surgimento das primeiras centrais de relacionamento no Brasil. Essa vivência direta com o cliente tornou-se a base para a metodologia que desenvolveu e aplica hoje em empresas de diferentes portes e segmentos. É CEO do Grupo Inove, com atuação nacional e internacional, e também idealizador do Instituto Respirar, iniciativa voltada ao acolhimento estratégico de empresários em momentos de recomeço, sucessão ou reestruturação, oferecendo suporte prático e emocional para lideranças em transição.

Para mais informações, visite o Linkedin ou o  Instagram.

Sugestão de fonte: clique aqui

Fontes de pesquisa

Banco Mundial (World Bank)
https://www.worldbank.org/en/topic/digitaldevelopment/publication/artificial-intelligence-and-development

Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)
https://www.oecd.org/digital/artificial-intelligence/ai-and-the-future-of-work.htm

Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD)
https://unctad.org/publication/technology-and-innovation-report-2023

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
https://www.ibge.gov.br/estatisticas/multidominio/ciencia-tecnologia-e-inovacao/35867-tic-empresas.html

Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae)
https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/transformacao-digital-nas-mpes,




 

 

  

 





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