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Custo de vida redefine escolhas habitacionais da Geração Z


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11/02/2026 09h40

Custo de vida redefine escolhas habitacionais da Geração Z

assessoria


Com renda pressionada e crédito restrito, jovens seguem interessados em comprar imóveis, mas precisam otimizar espaço, localização e orçamento

O avanço do custo de vida, a redução do poder de compra e as dificuldades de acesso ao crédito vêm impactando diretamente a forma como as novas gerações se relacionam com a moradia. Entre jovens da Geração Z, o desejo pela casa própria ainda existe, mas passa a conviver com limitações financeiras que exigem decisões mais pragmáticas e alinhadas à realidade econômica.

Esse cenário ajuda a explicar o crescimento da oferta e da procura por imóveis compactos nas grandes cidades brasileiras. Longe de representar uma idealização ou preferência absoluta, a compactação surge, em muitos casos, como uma alternativa possível diante dos custos elevados, especialmente em regiões bem localizadas, com acesso a transporte, serviços e infraestrutura urbana. Para Isabela Baracat, cofundadora da Pon.to Arquitetura Criativa e especialista em comportamento de consumo, é fundamental evitar leituras simplistas sobre o tema.

“Apartamentos compactos não podem ser tratados como um desejo universal. Espaços muito reduzidos trazem desafios reais e, quando mal planejados, podem comprometer conforto e qualidade de vida. O que vemos é uma resposta às condições econômicas e ao momento de vida de determinados públicos”, explica. 

Dados da pesquisa Retratos do Morar, realizada pela Ipsos-Ipec, reforçam essa tensão entre desejo e realidade. O levantamento aponta que 50% dos jovens da Geração Z, entre 18 e 28 anos, afirmam sonhar com a compra de um imóvel, percentual acima da média nacional, de 41%. Ao mesmo tempo, as barreiras financeiras permanecem significativas: 47% dizem não ter recursos para dar entrada ou financiar a compra, 30% citam os preços elevados e 21% os juros como principais obstáculos. 

“A existência dessa intenção de compra, mesmo em um cenário de perda de poder aquisitivo, indica que o sonho da moradia própria não desapareceu. O que mudou foi a forma de viabilizá-lo, o que leva à necessidade de otimizar recursos e repensar excessos”, analisa Isabela. 

Nesse contexto, os imóveis compactos passam a fazer sentido para determinados perfis e fases da vida, como jovens solteiros, casais sem filhos ou pessoas que priorizam mobilidade e inserção urbana. A tendência também se conecta a transformações sociais mais amplas, como a redução do tamanho dos lares, o adiamento do casamento e a busca por maior flexibilidade residencial. 

Para a especialista, o ponto central do debate não está na metragem ideal, mas na clareza sobre quem é o público atendido. “Não existe um modelo único de moradia que sirva para todos. O mercado precisa entender com precisão o nicho, o momento de vida e as prioridades de cada grupo para definir qual tipologia faz sentido”, afirma. 

Isabela também destaca a diferença entre compactar metragem e compactar experiência. “Reduzir área sem critério pode gerar problemas. Já compactar a experiência significa eliminar usos pouco eficientes, mantendo conforto, funcionalidade e bem-estar. Quando o projeto é bem pensado, a compactação deixa de ser uma limitação e se torna uma solução possível dentro das restrições orçamentárias”, explica. A localização aparece como um dos fatores mais relevantes nessa equação. A proximidade com transporte público, comércio, serviços, polos de trabalho e lazer frequentemente pesa mais do que o tamanho do imóvel. “Para essas gerações, tempo é um ativo valioso. Morar bem localizado reduz deslocamentos e amplia o acesso à cidade, o que impacta diretamente a qualidade de vida”, reforça. 

A tecnologia também desempenha papel central, especialmente para a Geração Z que cresceu em ambientes digitais. Soluções de automação residencial, aplicativos de gestão condominial e sistemas que simplificam a rotina são cada vez mais encarados como expectativas básicas, e não como diferenciais.

 O movimento observado no Brasil acompanha tendências já consolidadas em grandes centros urbanos globais, como Nova York, Londres, Berlim e Tóquio, onde a combinação entre espaços menores, áreas comuns compartilhadas e forte integração com o entorno urbano vem ganhando força. 

Para Isabela Baracat, o mercado imobiliário atravessa um momento de ajuste de discurso e de produto. “Não se trata de afirmar que o futuro está apenas nos apartamentos compactos, nem de descartar unidades maiores. O que existe é a necessidade de compreender o contexto econômico, o público-alvo e o estilo de vida. Para muitos jovens, a compactação é uma alternativa viável diante do custo e não uma idealização”, conclui.

Sobre Isabela Baracat

Isabela Baracat é cofundadora da Pon.to Arquitetura Criativa e possui mais de 15 anos de experiência em projetos comerciais e corporativos para o varejo e o mercado imobiliário. Referência em retail design e arquitetura comercial, participou da cocriação de mais de 900 projetos no Brasil e em implementações internacionais. Arquiteta, mestre e especialista em mercado imobiliário e retail design, atua como docente no Mackenzie, IPOG e Belas Artes. Também é palestrante em temas relacionados a comportamento de consumo, design e inovação, unindo pesquisa e prática em sua atuação profissional. Acesse: https://www.pon.to/ ou https://www.linkedin.com/in/isabelabaracat/ 

 

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