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Na experiência do cliente, compreender importa mais do que automatizar


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10/02/2026 10h44

Na experiência do cliente, compreender importa mais do que automatizar

Iago Almeida


Por Caio Galantini, Sócio-diretor da HVAR e HVOICE*

A experiência do cliente atravessa uma inflexão decisiva. Durante anos, a tecnologia foi aplicada sobretudo para automatizar interações, reduzir filas e acelerar respostas. Esse modelo, no entanto, começa a revelar seus limites. A eficiência, quando dissociada da compreensão do cliente, não gera proximidade nem fidelidade. Em jornadas cada vez mais multicanais e emocionalmente carregadas, o diferencial competitivo deixa de ser a rapidez mecânica e passa a ser a capacidade de entender, com precisão, o que o cliente sente, espera e percebe em cada ponto de contato.

Essa inflexão não é apenas tecnológica, mas comportamental e econômica. O consumidor tornou-se mais informado, menos tolerante ao atrito e mais sensível à forma como é tratado. A abundância de escolhas e a facilidade de comparação reduziram drasticamente o custo de troca entre marcas, fazendo com que cada interação deixe de ser apenas um ponto de contato operacional e passe a representar um momento decisivo de retenção ou perda. Experiências corretas, porém frias, tornam-se facilmente substituíveis.

Os dados ajudam a sustentar essa mudança de perspectiva. De acordo com a McKinsey, empresas que dominam a análise da jornada do cliente conseguem aumentar a receita em até 15% e reduzir os custos de serviço em até 20%. Esses ganhos não decorrem exclusivamente da automação, mas da capacidade de interpretar interações, identificar fricções recorrentes e agir de forma contextualizada. Quando a tecnologia é usada para capturar padrões de comportamento, intenção e emoção, ela deixa de funcionar como um filtro impessoal e passa a operar como um instrumento de aproximação entre empresas e consumidores.

A questão central não está na busca por eficiência, está na sua absolutização. Quando métricas operacionais se sobrepõem à leitura do contexto e da intenção do cliente, a experiência se torna funcional, porém distante; rápida, porém descartável. A tecnologia passa a resolver demandas, mas não a construir relações.

É nesse contexto que a análise de sentimento ganha protagonismo estratégico. Ir além do que o cliente diz e compreender como ele se sente transforma interações em sinais acionáveis. Reclamações recorrentes, frustrações silenciosas e percepções negativas sobre produtos ou serviços costumam aparecer primeiro no tom das conversas, muito antes de se refletirem em métricas tradicionais como churn ou NPS. Estudos publicados pela Harvard Business Review indicam que emoções negativas não resolvidas têm impacto direto na perda de clientes, mesmo quando o problema operacional, isoladamente, parece pequeno.

A emoção funciona como um filtro decisório da experiência. Quando negativa, ela distorce a percepção do serviço, reduz a tolerância a falhas futuras e acelera decisões de abandono. O impacto econômico é cumulativo: menor valor do cliente ao longo do tempo, aumento do cancelamento e maior custo de aquisição para compensar perdas. Ignorar esse fator emocional passa a ser uma escolha com efeito direto sobre os resultados financeiros.

Por outro lado, a automação desenhada exclusivamente para ganhos de eficiência operacional tende a criar barreiras na relação com o cliente. Fluxos rígidos, respostas padronizadas e baixa sensibilidade ao contexto aumentam o esforço necessário para resolver demandas simples e enfraquecem a percepção de cuidado. Relatórios do PwC mostram que 32% dos consumidores abandonam uma marca após uma única experiência negativa, evidenciando como ganhos operacionais de curto prazo podem se converter rapidamente em perdas relevantes de receita e valor no longo prazo.

Quando experiências negativas são geradas em escala por sistemas automatizados, o risco deixa de ser pontual e passa a ser sistêmico. Em ambientes digitais, frustrações se propagam com rapidez, amplificando pequenos erros em crises de confiança que afetam reputação, marca e capacidade de crescimento.

Essa lógica se inverte quando a tecnologia é reposicionada como ferramenta de escuta inteligente. A análise estruturada de dados de voz e texto permite ajustes finos em processos internos, identificação precoce de gargalos operacionais e correção de falhas antes que se transformem em crises. No varejo, por exemplo, a leitura sistemática das interações com clientes ajuda a antecipar rupturas de estoque, avaliar o impacto real de promoções e compreender como decisões logísticas influenciam a percepção da marca, conectando eficiência interna à experiência externa.

A nova jornada do cliente exige um reposicionamento claro. Automatizar continua sendo relevante, mas humanizar torna-se indispensável. A escolha estratégica não é entre tecnologia e empatia, mas entre usar a tecnologia para substituir o entendimento humano ou para ampliá-lo. Empresas que fazem a segunda escolha transformam dados em compreensão operacionalizada, constroem relações mais duradouras, reduzem desperdícios e aumentam o valor do cliente ao longo do tempo. Em um mercado onde produtos e preços se igualam rapidamente, entender pessoas deixa de ser um diferencial e passa a ser a principal vantagem competitiva.

*Caio Galantini é sócio-diretor da HVoice, com 20 anos de experiência com tercnologia no universo de Data & AI.


 

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