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Prefeito rasga projeto de aumento, mesmo achando “injusto” salário de R$ 19 mil


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24/01/2026 09h57

Prefeito rasga projeto de aumento, mesmo achando “injusto” salário de R$ 19 mil

Juliano Ferro publicou vídeo anunciando a retirada da proposta enviada à Câmara após pressão da população

Por Jhefferson Gamarra


 Um dia após a Câmara de Vereadores de Ivinhema adiar a sessão extraordinária que votaria o reajuste salarial do Executivo, o prefeito Juliano Ferro (PSDB) anunciou publicamente a retirada do projeto. Nesta sexta-feira (23), o chefe do Executivo publicou um vídeo em seu perfil no Instagram no qual aparece rasgando o texto do projeto de lei que previa recomposição salarial de 34,06% para o cargo de prefeito, 34,06% para a vice-prefeita e 24,4% para os secretários municipais.

 
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A manifestação ocorre após forte repercussão negativa do envio da proposta à Câmara, tanto na imprensa quanto entre moradores do município. O projeto havia sido encaminhado ao Legislativo na segunda-feira (19) e seria votado em regime de urgência durante o recesso parlamentar, em sessão extraordinária marcada para quinta-feira (22). No entanto, a votação foi suspensa após pedido formal do próprio prefeito, protocolado na manhã do mesmo dia.
 
No vídeo, Juliano Ferro afirma que decidiu retirar a proposta diante das críticas e diz que não pretende mais discutir reajuste para si durante o atual mandato. Em tom exaltado, ele declarou:
 
 
“venho aqui falar com a população, em Ivinhemense, falar com o povo sul matogrossense, estou com um projeto aqui, um projeto que eu mandei, um reajuste do salário, que é de direito do prefeito para a Câmara. E muito barulho, sabe, muito barulho. Nós ganhamos 19 mil, pega R$ 14 mil, é um barulho de imprensa em cima da gente, é um barulho que existe, olha, olha, eu estou rasgando esse projeto, que eu já trabalhei quatro anos aí, ganhando 19 mil, e não é 19 mil que vai deixar o mais pobre, o mais rico e vou para cima, porque eu não vou ficar aguentando, é vagabundo, com o nome meu na boca aí, sair, tiverem vergonha, querendo crescer”.
 
Em outro trecho, o prefeito reforça que não pretende insistir na proposta e que irá comunicar oficialmente a Câmara sobre a retirada do projeto:
 
“estou rasgando, e agora eu que não quero mais aumento, não quero reposição, porque não é aumento. É uma reposição salarial. Quero agradecer a Câmara de Vereadores, quero agradecer todo mundo, só que nós vamos rasgar esse projeto e eu vou trabalhar mais esse resto desse mandato, desses três anos, com esse salário que para mim é injusto, porque se aumenta passa dois dias e a justiça não der se aumentar. Aí a mídia pau em cima. Você pede o reajuste e é o maior inferno, é notificado, é nego ligando para o Vereador, é imprensa. Então eu entrei na política e vou me virar, vou vender carro, vou fazer sorteio, bora para cima, ganho a comissão e olha, o projeto está rasgado, vou estar ligando para o Presidente, retirando”.
 
 
Juliano Ferro também afirmou que a prioridade de sua gestão continuará sendo a valorização dos servidores municipais, destacando os reajustes concedidos nos últimos anos. Segundo ele, mesmo abrindo mão da recomposição salarial para o próprio cargo, a administração seguirá concedendo aumentos ao funcionalismo:
 
“E vou aumentar o salário do funcionário, o salário do professor, entendeu? Vamos aumentar e vamos para cima, porque em dezesseis anos dentro de Vieira deram 24% de aumento. Esse ano, meu quinto ano de mandato, eu já passei de 40% de aumento para o funcionário público, valorizando o funcionário público. Valorizando a classe de trabalhadores, só que o meu a gente não pode aumentar, a gente não pode dar reajuste, a gente não pode dar nada, então agora quem não quer mais aumento de salário é eu que eu vou trabalhar, vou continuar trabalhando e ganhando pouco”.
 
O projeto rasgado pelo prefeito previa elevar o salário do chefe do Executivo de R$ 19.904,00 para R$ 26.683,30. A vice-prefeita Ângela Cardoso teria o vencimento reajustado de R$ 9.952,00 para R$ 13.341,65, enquanto os secretários municipais passariam de R$ 10.836,65 para R$ 13.480,49.
 
 
A tentativa de recomposição ocorre em meio a um histórico de disputas judiciais envolvendo os subsídios do prefeito. No fim de 2024, a Câmara aprovou um aumento de 75% para o prefeito reeleito, elevando o salário para R$ 35 mil, mas a medida foi suspensa pela Justiça, tanto em primeira instância quanto pelo Tribunal de Justiça, por afronta à Constituição Federal e à Lei de Responsabilidade Fiscal. Mesmo com a suspensão, Juliano Ferro passou a receber R$ 25 mil por meio de decreto, ato que ainda é questionado judicialmente.
 
Até o momento, a Câmara de Vereadores não se manifestou oficialmente sobre a retirada formal do projeto nem sobre os próximos encaminhamentos da pauta que estava prevista para a sessão extraordinária.
 
 

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