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Novembro Vermelho: Humap destaca a importância do diagnóstico precoce do câncer de boca


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  • mell280

07/11/2026 05h44

Novembro Vermelho: Humap destaca a importância do diagnóstico precoce do câncer de boca

Unidade de Comunicação Regional 25


Especialista explica os impactos do cigarro eletrônico na saúde bucal, os principais fatores de risco e as alterações que merecem investigação.
 
 
Uma ferida na boca que não cicatriza, uma mancha diferente na língua ou uma alteração na gengiva podem parecer problemas simples, mas também podem ser sinais de uma doença que exige atenção. No Novembro Vermelho, campanha de conscientização sobre o câncer de boca, o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), filiado à HU Brasil, chama a atenção para a prevenção, os fatores de risco e a importância de identificar precocemente alterações suspeitas.
Entre os assuntos que merecem atenção está a popularização dos cigarros eletrônicos, conhecidos como vape, pod ou e-cigarro, especialmente entre os jovens. Apesar da aparência moderna e dos diferentes sabores disponíveis, esses dispositivos não são inofensivos. Seu uso pode provocar danos à saúde bucal e expor o organismo a substâncias potencialmente prejudiciais.
Segundo o cirurgião-dentista especialista em Estomatologia, Dr. Fabio Pagliato, da Unidade de Cabeça e Pescoço do Humap, os cigarros eletrônicos podem causar efeitos semelhantes aos observados entre usuários de cigarros convencionais. Entre as consequências estão o aumento da predisposição a doenças periodontais, como gengivite e periodontite, a redução do fluxo salivar, que favorece o aparecimento de cáries, e a maior suscetibilidade a infecções oportunistas.
A composição dos dispositivos também preocupa. Entre as substâncias encontradas estão nicotina, sais de nicotina, propilenoglicol, glicerina vegetal, aromatizantes sintéticos, tetrahidrocanabinol (THC) e partículas de metais pesados. A falta de padronização dos produtos e das concentrações desses componentes dificulta conhecer a dimensão da exposição a cada substância.
Vape não é alternativa inofensiva
A ideia de que o cigarro eletrônico seria menos prejudicial por não produzir a fumaça característica do cigarro tradicional é equivocada. Os aromatizantes e sabores também não eliminam os riscos associados à inalação dos compostos presentes nos dispositivos.
Em relação ao câncer, o especialista esclarece que já existem estudos que associam o uso de cigarros eletrônicos a uma maior ocorrência de lesões e alterações celulares. Entretanto, a relação direta de causa e efeito ainda não está estabelecida com o mesmo nível de evidência científica existente para o cigarro convencional.
Isso não significa que o produto seja seguro. As substâncias presentes nos aerossóis podem provocar alterações celulares semelhantes às observadas com a exposição ao fumo tradicional, o que reforça a importância de não banalizar seu consumo.
Álcool e tabaco: uma associação que aumenta os riscos
O tabagismo continua entre os principais fatores de risco para o câncer de boca, independentemente da forma de consumo. Cigarros industrializados, palheiros, charutos, cachimbos e até o fumo mascado estão associados ao desenvolvimento da doença.
O consumo de bebidas alcoólicas também merece atenção, especialmente quando combinado ao tabaco. Segundo Dr. Fabio, essa associação potencializa os efeitos prejudiciais dos compostos tóxicos sobre a mucosa da boca. O álcool atua como solvente, facilitando a ação dessas substâncias nos tecidos.
Outros fatores também estão relacionados ao desenvolvimento de determinados tipos de câncer da região da boca e da orofaringe, como a infecção pelo HPV. A exposição solar crônica sem proteção, especialmente nos lábios, também aumenta o risco de alterações malignas. Exposições ambientais a poluentes e metais pesados e determinadas condições nutricionais também são apontadas entre os fatores que merecem atenção.
Câncer de boca também pode atingir quem nunca fumou
Embora o tabagismo e o consumo de álcool sejam fatores de risco importantes, a doença não se restringe a pessoas que apresentam esses hábitos. Pessoas que nunca fumaram e não consomem bebidas alcoólicas também podem desenvolver câncer de boca.
Por isso, a avaliação profissional não deve ser condicionada à presença de fatores de risco conhecidos. A atenção aos sinais e às alterações persistentes é fundamental para todos.
Uma ferida que não cicatriza precisa ser investigada
Um dos principais desafios no enfrentamento do câncer de boca é reconhecer os primeiros sinais. Algumas alterações podem ser confundidas com aftas, machucados ou problemas passageiros, fazendo com que a procura por atendimento seja adiada.
De acordo com o Dr. Fabio, qualquer ferida ou afta que não cicatrize em até 15 dias deve ser avaliada por um profissional de saúde. Outros sinais que merecem investigação são:
  • Manchas brancas, vermelhas, acastanhadas ou enegrecidas na boca;
  • Nódulos ou caroços na boca ou no pescoço;
  • Sensação de dormência ou anestesia na cavidade oral;
  • Rouquidão persistente;
  • Dor ou limitação ao movimentar o pescoço.
A presença desses sinais não significa necessariamente câncer, mas exige avaliação para identificar a causa e definir a necessidade de investigação complementar.
Exame clínico é fundamental para o diagnóstico precoce
O exame clínico da boca realizado pelo cirurgião-dentista é considerado fundamental para identificar lesões suspeitas. Durante a avaliação, o profissional observa os tecidos da cavidade oral, verifica alterações de cor, textura e volume e pode solicitar exames complementares ou indicar uma biópsia para confirmação diagnóstica.
Quanto mais cedo uma alteração é identificada e investigada, maiores são as possibilidades de tratamento oportuno, com melhores perspectivas de cura e menor complexidade terapêutica.
Para contribuir com a prevenção, o especialista recomenda manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas, evitar o tabagismo, moderar o consumo de bebidas alcoólicas e realizar consultas odontológicas preventivas a cada seis meses.
No Novembro Vermelho, a principal mensagem é que cuidar da saúde bucal vai muito além da higiene dos dentes. Observar a língua, as gengivas, as bochechas, o céu da boca e os lábios também faz parte desse cuidado. Uma alteração persistente não deve ser ignorada: procurar avaliação profissional pode fazer toda a diferença.
 
 
 

 

 

 




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