23/10/2026 09h43
NOVA comemora cinco anos no Brasil e projeta crescimento acelerado no país nos próximos 10 anos
Líder em biotecnologia na Argentina, multinacional aposta no mercado brasileiro para ampliar sua presença global, desenvolver novas soluções em nutrição de plantas e avançar na construção de parcerias para produção local
Consolidada na Argentina, onde registra faturamento anual de cerca de US$ 110 milhões e participação de aproximadamente 23% no mercado de biológicos, a NOVA chega aos cinco anos de operação no Brasil mirando uma nova etapa de crescimento. Especializada no desenvolvimento de soluções biotecnológicas para a nutrição e proteção de cultivos, a companhia estrutura um plano de expansão no país, com novas tecnologias e a busca por parcerias estratégicas para ampliar sua presença no mercado brasileiro.
Para alcançar esse patamar, a estratégia combina ampliação da equipe comercial, fortalecimento de alianças estratégicas com distribuição e negócios B2B, desenvolvimento de novas tecnologias, formação de parcerias de longo prazo e, futuramente, a possibilidade de estabelecer uma estrutura industrial no país. “O Brasil é o maior mercado do mundo e é o principal foco de desenvolvimento estratégico para a nossa companhia em nível mundial”, diz Elian Porta, CEO da NOVA do Brasil.
A expansão, no entanto, deverá ocorrer de forma gradual. Segundo o executivo, a multinacional não pretende acelerar as vendas a qualquer custo, mas, sim, construir uma operação estruturada e sustentável. A ideia é acompanhar o desenvolvimento do mercado brasileiro e, ao mesmo tempo, manter o equilíbrio financeiro do negócio.
Caso o mercado responda positivamente, no horizonte de uma década, a empresa projeta que seria possível alcançar um faturamento de pelo menos R$ 600 milhões no Brasil. “Grande parte dos nossos investimentos é realizada com capital próprio, seguindo o modelo adotado na Argentina. O crescimento será condicionado ao comportamento do agro e à capacidade de manter uma operação financeiramente equilibrada”, resume o CEO da NOVA Brasil.
Estrutura no Brasil
Desde a sua chegada ao Brasil, a NOVA vem construindo uma estrutura voltada à importação, distribuição e comercialização de tecnologias agrícolas, apoiada por equipes técnicas e comerciais nas principais regiões produtoras. A sede brasileira está localizada em Londrina (PR), onde a companhia mantém um laboratório de última geração, cadastrado no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), no qual realiza análises de qualidade, testes de compatibilidade e avaliações de concentração, pureza e viabilidade de produtos biológicos.
Na mesma área, a empresa também conta com um grande centro de distribuição. A estrutura logística inclui ainda unidades no Maranhão, Goiás, São Paulo e Ceará, com o objetivo de formar uma das cadeias de distribuição mais rápidas e responsivas às necessidades e ao ritmo de consumo do mercado brasileiro. Atualmente, a NOVA já está presente nas principais regiões produtoras de soja e milho, com atuação mais concentrada no Centro-Oeste e no Norte do país. Agora, a companhia acelera a expansão comercial no Paraná e em parte de São Paulo, com a perspectiva de ampliar gradualmente sua presença em outras regiões.
A estratégia tem como um de seus pilares a construção de parcerias de longo prazo com empresas locais. Segundo o CEO, o objetivo é reproduzir no Brasil, de forma gradual, o modelo de distribuição consolidado pela companhia na Argentina, onde a NOVA mantém relacionamento com mais de 500 distribuidores, com uma média de 26 anos de parceria. “Nosso pilar de crescimento no Brasil é estabelecer parcerias duradouras, baseadas no respeito mútuo, na ética empresarial e em práticas sustentáveis. Queremos construir, nos próximos anos, um sistema de distribuição semelhante ao que temos na Argentina”, comenta Porta.
Tecnologia como eixo da expansão
A matriz na Argentina reúne em seu portfólio soluções para diferentes etapas do manejo agrícola. Isso inclui defensivos agrícolas, adjuvantes, adubos minerais e organominerais especiais, inoculantes, bioestimulantes, produtos para controle biológico, enzimas industriais, produtos para combate a incêndios, além da prestação de serviços no tratamento de sementes de gramíneas e forrageiras.
A estrutura global da empresa está dividida em unidades comerciais especializadas, como a AGRONOVA, voltada a defensivos agrícolas e adjuvantes; a BIONOVA, dedicada às tecnologias biológicas; a FERTINOVA, focada na produção de adubos e fertilizantes especiais; a MÁSNOVA, equipada com maquinário de última geração para o tratamento de sementes de gramíneas e forrageiras. Nessa unidade também são desenvolvidas tecnologias para o combate a incêndios. Já a ENZINOVA é direcionada ao desenvolvimento de enzimas e bioinsumos de terceira geração.
Essa última unidade amplia a atuação da companhia para além do agro, com tecnologias aplicadas também a segmentos como alimentação, nutrição animal, construção civil, biocombustíveis, indústria de extração de petróleo, indústria têxtil e farmacêutica, com acesso comercial a diferentes países, como a China.
No Brasil, no entanto, uma das principais frentes da NOVA é ampliar o uso da biotecnologia na agricultura. Para a companhia, o mercado de biológicos tem grande potencial de crescimento, especialmente com a expansão de soluções que vão além do controle biológico. “A estratégia é avançar em tecnologias que atuem sobre processos fisiológicos e nutricionais das culturas, ajudando a enfrentar estresses climáticos e limitações nutricionais comuns às condições dos solos brasileiros, ampliando o espaço dos bioinsumos dentro dos sistemas”, detalha Porta.
Soluções de destaque
Embora o foco da expansão esteja na construção da operação brasileira, alguns produtos funcionam como exemplos das tecnologias que a companhia pretende desenvolver no país. No tratamento de sementes industrial (TSI), a multinacional já ocupa atualmente posição de destaque entre os principais players de biológicos e projeta avançar nessa participação nos próximos anos. Entre os adjuvantes, a companhia destaca tecnologias como o Sonic, desenvolvido para reduzir as perdas por deriva e melhorar a qualidade da calda de aplicação, proporcionando também alto poder espalhante, e o Bolt, voltado à redução da evaporação durante aplicações terrestres e aéreas.
Outro destaque é o Motosega, mais recente lançamento da companhia no Brasil. Desenvolvido à base das bactérias endofíticas Gluconacetobacter diazotrophicus e Paraburkholderia tropica, o inoculante é uma das apostas da NOVA para ampliar as soluções voltadas ao crescimento e à bionutrição das plantas. Para Aline Ratuchne, bióloga, mestre e doutora em Microbiologia e responsável pela área de Produtos Biológicos da companhia, o desafio é combinar desempenho agronômico com praticidade no campo. “Queremos oferecer produtos com excelência agronômica, que sejam protagonistas no manejo e tornem a operação mais fácil e assertiva”, diz.
Por outro lado, a NOVA continua estruturando e se posicionando no mercado de adubos especiais e, desde 2022, vem desenvolvendo uma linha chamada Lustart Pro, que combina componentes que estimulam a atividade biológica no solo, aumentam a eficiência dos nutrientes aportados e promovem a atividade fisiológica. Essa linha de produtos, assim como as demais da companhia, oferece ao agricultor brasileiro alto desempenho produtivo, aliado a uma política comercial e financeira que reflete o compromisso de longo prazo com o setor.
Próximos passos
A expansão comercial deverá ser acompanhada por uma evolução da estrutura produtiva. A NOVA do Brasil já avalia alternativas para trazer parte da produção para o país, seja por meio de uma indústria própria, seja por meio de parcerias com empresas nacionais qualificadas que já possuem capacidade instalada.
A companhia pretende inicialmente avançar em uma estrutura voltada a especialidades, com possibilidade de produção local de fertilizantes foliares e adjuvantes. A expectativa apresentada pela empresa é que, em um horizonte de quatro a cinco anos, essa operação possa estar instalada no Brasil e, posteriormente, incorporar outras categorias, como adubos especiais.
Na área de biológicos, o caminho estudado é diferente. Em vez de necessariamente começar com uma biofábrica própria, a multinacional estuda buscar parceiros de maior porte que já disponham de estrutura industrial e tecnologia para a produção. O modelo também pode envolver transferência de tecnologias e sistemas de experimentação para empresas brasileiras interessadas em desenvolver capacidade própria na área de bioinsumos.
Para a companhia, a construção dessa estrutura faz parte de uma estratégia de médio prazo. A meta não é apenas ampliar a comercialização de produtos importados, mas criar no Brasil uma operação capaz de desenvolver tecnologias, estabelecer parcerias, produzir localmente e acompanhar de perto as demandas de um dos maiores mercados agrícolas do mundo.



