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A nova era do turismo: a empresa antes da venda


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  • mell280

18/10/2026 08h12

A nova era do turismo: a empresa antes da venda

Larissa Abraços Fischer


Por Marta Fehlauer, empresária, advogada especialista em Direito do Consumidor, agente de viagens com 11 anos de experiência no setor, estrategista de mercado, consultora de negócios e fundadora da Travel Trade Expertise

Durante muito tempo, o mercado de turismo ensinou as agências de viagens a vender: conquistar clientes, montar roteiros, negociar com fornecedores e transformar desejos em experiências. Mas, em meio à busca constante por resultados, muitas empresas deixaram de fazer uma pergunta essencial: estamos construindo uma empresa capaz de sustentar tudo aquilo que vendemos?

Vender é fundamental, mas não significa, necessariamente, ter um negócio estruturado para crescer, valorizar o conhecimento, remunerar adequadamente os serviços e garantir uma operação sustentável.

Muitas agências foram construindo suas estruturas conforme as necessidades apareciam. O posicionamento era definido quando surgia a necessidade de comunicar; os limites do serviço, quando o cliente ultrapassava o combinado; os contratos, quando surgiam conflitos; e as contratações, quando a equipe já estava sobrecarregada.

Esse modelo mantém o empreendedor ocupado, quase sempre resolvendo urgências, mas nem sempre construindo as bases necessárias para o futuro da empresa.

É diante dessa realidade que proponho uma nova ERA para as agências de viagens: enxergar, romper e arquitetar.

Enxergar: compreender a empresa antes de agir

Antes de buscar mais clientes, aumentar as vendas ou adotar novas ferramentas, é preciso enxergar a empresa por inteiro.

Compreender o que já existe, identificar o que falta, reconhecer os pontos desconectados e descobrir o que realmente provoca os problemas da operação.

Uma agência pode vender muito e ter margens insuficientes. Pode oferecer um serviço especializado e não conseguir demonstrar seu verdadeiro valor. Pode conquistar clientes e, ainda assim, depender excessivamente do esforço e da presença constante de seu proprietário.

Enxergar é ir além dos resultados comerciais para compreender como o negócio funciona e quais mudanças são necessárias para torná-lo mais consistente.

Romper: abandonar a lógica de construir a empresa conforme a venda exige

Romper significa questionar práticas que se tornaram habituais, mas que nem sempre contribuem para a evolução do negócio.

É abandonar a lógica de agir somente quando um problema aparece. É definir posicionamento antes de comunicar, escopo antes de iniciar o atendimento, contratos antes dos conflitos e critérios de remuneração antes que anos de conhecimento sejam entregues sem o devido reconhecimento.

Também significa compreender que atender bem não é estar disponível para tudo, assim como crescer não é simplesmente vender mais.

Uma empresa precisa de limites claros, responsabilidades definidas e decisões estratégicas que permitam ao empreendedor conduzir o negócio, em vez de viver permanentemente reagindo às demandas.

Arquitetar: construir os pilares de uma empresa sólida

Depois de enxergar e romper, é hora de arquitetar a empresa que se deseja construir.

Identidade, território, posicionamento, narrativa, serviços, experiência, remuneração, processos, escopo, proteção e pessoas são pilares que precisam funcionar de maneira integrada.

Não basta comunicar uma especialidade se os serviços não refletem esse posicionamento. Não basta prometer uma experiência diferenciada se a operação não está preparada para entregá-la. E não basta ampliar as vendas sem avaliar se a estrutura consegue sustentar o crescimento.

Arquitetar é criar coerência entre aquilo que a empresa acredita, o que comunica, o que vende e o que efetivamente entrega.

É transformar conhecimento em valor, organizar a operação e construir um negócio que não dependa exclusivamente do esforço individual de seu proprietário para funcionar.

O futuro das agências começa agora

Essa é a lógica que orienta minhas consultorias e traduz a mudança que defendo para o nosso mercado.

As agências de viagens precisam continuar vendendo, inovando e criando experiências. Mas também precisam reconhecer que a sustentabilidade do negócio depende da forma como sua estrutura é concebida, organizada e valorizada.

O futuro não está apenas em vender mais viagens, mas em construir empresas capazes de entregar valor com consistência, estabelecer relações mais claras com seus clientes e crescer sem comprometer a qualidade do serviço ou a saúde da operação.

Enxergar. Romper. Arquitetar.

Três movimentos que representam uma nova maneira de pensar e construir empresas no turismo.

Porque a nova era do turismo não começa com uma nova maneira de vender viagens. Começa com uma nova maneira de construir as empresas que as vendem.

 


 


 

 




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