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01/10/2026 09h30
EXPOCINE 2026 abre suas portas ao público com Feira de Negócios e programação com painéis, oficinas formativas e apresentações das distribuidoras
Primeiro dia discutiu assuntos como políticas do audiovisual, festivalização de conteúdo, formatos de tela premium e o tema desta edição 'Tela Aberta: Cinema que se move por si só'
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A programação da 13ª edição da EXPOCINE, maior convenção de negócios de cinema da América Latina, começou nesta quarta-feira, 30 de setembro, com a abertura da Feira de Negócios, dos painéis, oficinas formativas e a apresentação do line-up 2026-2027 das distribuidoras Sato Company, Warner Bros, Retrato Filmes, Universal Pictures, O2 Play e Sony Pictures.
O primeiro painel do dia, Políticas do Audiovisual - Film Commissions, Mercado e Desenvolvimento, apresentado pela Spcine, no Espaço Center 3 de Eventos, tratou sobre como políticas locais e regionais podem impulsionar o audiovisual ao atrair produções, apoiar formação, melhorar infraestrutura e articular governo e mercado para criar ecossistemas mais fortes e sustentáveis. Anna Paula Montini, Diretora-Presidente da Spcine, comentou sobre a participação das políticas públicas em prol do audiovisual.
“É no município que as coisas acontecem. A política pública encontra a realidade da indústria no município. Filmar em São Paulo, por exemplo, tem uma peculiaridade de uma cidade gigantesca, com carros, trânsito e toda uma logística que afeta as filmagens. A presença de estruturas e de empresas dedicadas ao setor audiovisual local é fundamental e faz uma grande diferença nessa estrutura”, destacou Montini.
A conversa ainda contou com as participações de Dani Tolomei, da Transforma Plataforma, José Maurício Fittipaldi da CQS/FV Advogados e Renato Nery, da Bahia Filmes.
Nesta quarta também foi apresentado o painel tema da EXPOCINE 2026, Tela Aberta: Cinema que se move por si só, com Adriana Barbosa, da Feira Preta, José Octávio Freitas, diretor de programação da Cinemark, Marcos Saraiva, da MSP Estúdios e Maria Carlota Bruno, da VideoFilmes. Conduzido pela jornalista Barbara Demerov, o painel analisou como o cinema brasileiro pode se fortalecer ao combinar elementos culturais — como nostalgia e marcas que atravessam gerações — com fatores econômicos, como bilheteria, modelos de negócio e sustentabilidade. A conversa destacou ainda a importância de integrar criatividade, identidade nacional e estratégias de mercado para ampliar a competitividade do audiovisual brasileiro.
Para José Octavio Freitas, da Cinemark, as salas não concorrem apenas com outras formas de entretenimento e é preciso colocar o foco no consumidor.
“A gente concorre muito com os eventos que estão acontecendo na vida cotidiana dos nossos consumidores. Acho que o grande ponto é pensar muito, olhar muito para o consumidor em todos os aspectos. No final das contas, o que eu entendo é que a chave é colocar o consumidor no centro dessa história e pensar como que a gente pode, de fato, engajar melhor”, pontuou.
Adriana Barbosa, da Feira Preta, ao discutir a relação entre audiovisual, representatividade e consumo chamou a atenção para a necessidade da representatividade ir além da presença de personagens ou profissionais diversos nas telas.
“Representatividade apenas na lógica do casting não cria relação. Não é só sobre representatividade, tem a ver com valores, com crenças, com estética, com símbolos".
A festivalização de conteúdo também foi um tema discutido no primeiro dia do evento no painel Festivalização de Conteúdo: CCXP, Ghibli Fest e Rio2C Escrevem o Novo Manual de Lançamento. Com Cris Barreto, do Rio2C, Otávio Juliato, do Omelete Company, Victor Sato, da Sato Company e Pedro Curi, da ESPM Rio, o painel discutiu como os festivais deixaram de ser apenas vitrines finais e passaram a ser lugares onde conteúdos nascem, viralizam e são vendidos antes mesmo da estreia. A CCXP, criada em 2014, transformou a cultura pop em um grande palco de anúncios, reunindo cerca de 120 marcas por edição e se tornando o principal espaço para estúdios e streamings lançarem trailers, elencos e painéis, substituindo coletivas de imprensa tradicionais.
Otávio Juliato, Chief Commercial Officer (CCO) e sócio da Omelete Company, iniciou sua participação abordando o mercado a partir da visão da experiência do espectador, com ênfase na paixão do fã que vai além da duração do evento físico.
"Minha análise sempre parte da perspectiva do fã, visto que nossa atuação está mais focada na jornada desse espectador — nas fases de promoção, engajamento e antecipação — do que nos processos internos da cadeia de produção. É importante ressaltar que o fã não se limita ao período de quatro dias de um evento; o fã é, na verdade, um entusiasta durante toda a vida".
Cris Barreto, Diretora da Rio2C, apontou que o processo audiovisual deixou de ser uma esteira linear para se tornar simultâneo e integrado desde o início, e que o engajamento da audiência e de novos atores do mercado (como creators) acontece durante a criação, transformando a dinâmica de divulgação.
"Antes a gente tinha um tempo que você pensava, você desenvolvia, você produzia, distribuía, comunicava e chegava no público. Só que hoje as coisas acontecem de uma forma muito simultânea. Você começa a formar uma comunidade enquanto você ainda está desenvolvendo a propriedade. O público interfere na conversa, o creator vira agente de descoberta e o evento hoje vira mídia”.
Já Victor Sato, Diretor de Negócios e Operações da Sato Company, destacou a geração Z como uma audiência relevante para o crescimento dos eventos, pontuando uma mudança geracional que vem ocorrendo com pessoas mais jovens.
"Essa tendência reflete uma mudança de comportamento geracional, na qual mesmo os públicos mais jovens têm valorizado o analógico e a desaceleração. Não é por acaso que, após o período de isolamento imposto pela pandemia, os eventos presenciais retornaram com tanta força. A experiência física é fundamental”.
Para fechar a programação de palestras do dia, os participantes acompanharam o painel Telas em Disputa. Jason Swason, da Imax, Luciano Taffetani, da Dolby Laboratories, Inc. e Ricardo Laporta, da Neolux, se reuniram para discutir os novos formatos premium que promovem maior imersão e transformam a experiência do público.
Durante seu depoimento, Swason definiu o pilar da IMAX.
"Em suma, defino a IMAX como uma tríade composta por tecnologia de ponta, especialização e customização, que integra um projeto arquitetônico singular a uma curadoria rigorosa de conteúdo."
Já Luciano Taffetani, da Dolby Laboratories, destacou que a abertura à inovação é indispensável.
“Ao introduzir conteúdo alternativo, atrai-se um novo público e oferecem-se formatos e experiências inéditas, o que é essencial para diversificar a audiência e manter o engajamento contínuo”.
Ao longo do dia, o evento ainda discutiu temas como novos formatos e narrativas, cinema espiritual e religioso, como os dados guiam o desenvolvimento de conteúdo e as novas vozes que inspiram o futuro do mercado.
Regida por três pilares: educativo, estratégico e de mercado, a EXPOCINE 2026 tem o tema “Tela Aberta: Cinema Que Se Move Por Si Só", que coloca a convergência de telas no mote central da discussão, em que salas de cinema, streaming e novas janelas de distribuição convivem no mesmo ecossistema.
Este ano, a EXPOCINE acontece em dois endereços da Avenida Paulista: o Espaço Center 3 de Eventos (com a feira de negócios, treinamentos técnicos e os painéis estratégicos) e o Cine Marquise, no Conjunto Nacional (onde acontecem as oficinas formativas, e as apresentações das distribuidoras). A venda de credenciais está aberta para o quarto lote e o destaque é para a categoria FORUM, que dá acesso completo à feira de negócios, oficinas formativas e painéis estratégicos. Para conferir a programação, os valores, categorias de acesso e realizar a inscrição, acesse o site oficial.
Confira, abaixo, a programação desta quinta-feira, 1º de outubro da EXPOCINE 2026
Painéis | Sala Spcine, Espaço Center 3 de Eventos
O Cinema do Futuro — Novos Modelos de Negócio para a Exibição | 10h às 11h | Participação de Claudia Cortez, Ventre Studios, Gabriel Gurman, Galeria; Rodrigo Guimarães, Ark Entertainment, . com moderação de Thais Colli
A Cadeira que Fica Vazia — O Preço de Deixar o Público PCD de Fora | 11h30 às 12h30 | Participação de Cid Torquato, CT Acessibilidade; Lígia Zamaro, Sesc São Paulo; Marcella Fazzio, MAV; Marina Herrador, Paris Filmes; Renata Del Giudice, Ancine
A acessibilidade no cinema também é uma questão de negócio. Com mais de 18,6 milhões de pessoas portadores de deficiência no Brasil, além de cuidadores, amigos e familiares que compõem essa cadeia de consumo, o setor tem diante de si um público que ainda enfrenta barreiras para chegar às salas. O painel discute quanto o mercado deixa de faturar e de fidelizar ao não transformar acessibilidade em estratégia de público, reunindo perspectivas da distribuição, do consumidor e da regulação do tema.
Regulação do VOD - O que Muda para a Sala de Cinema Quando o Streaming For Regulado | 14h às 15h| Participação de Luiza Favele, Glaz Entretenimento; Celia Catunda, Pinguim Content; Vanessa de Araújo Souza, Canal Curta, com mediação de Gabriel Portela
O debate sobre regulação de streaming no Brasil teve poucas movimentações concretas no último ano, o que é, em si, parte do problema: enquanto o Congresso segue sem definição, plataformas de vídeo e canais de TV por assinatura continuam operando num cenário de regras pouco claras, cada um com interesses diferentes sobre o que uma futura regulação deveria proteger.
Marketing de Bilheteria na Era do TikTok | 15h30 às 16h30 | Participação de Camila Ramires, do TikTok; Luiz Angi, da Cinépolis; Sabrina Salgado, da Cinemark, com mediação de Flavia Guerra, jornalista, documentarista, curadora e crítica de cinema
O trailer oficial já não é necessariamente o primeiro contato do público com um filme. Bastidores, cenas reeditadas por fãs e vídeos que viralizam no TikTok e Instagram podem antecipar a campanha. Esse novo jogo não se resume a estúdios grandes: edits de fãs de "Divertidamente 2" acumularam dezenas de milhares de visualizações no TikTok sem qualquer investimento de mídia. Este painel senta o marketing de duas grandes redes de exibição com operação regional e da própria plataforma para debater o que substitui o trailer como ferramenta de conversão de bilheteria, e o que isso muda na forma como se planeja, orça e mede uma campanha de lançamento hoje.
O LED Invadiu o Cinema: do Set de Filmagem à Sala de Exibição | 17h às 18h |
O LED está avançando do set de filmagem para a própria sala de cinema. O painel debate os dois lados dessa transformação: na produção, os ganhos criativos e o custo-benefício da tecnologia; na exibição, o investimento, a disponibilidade de conteúdo em HDR e a percepção do público. Quais desses usos têm maior potencial de crescimento no cinema?
Cruzando fronteiras: Coprodução na Rota do Cinema Brasileiro | 18h30 | Participação de Berta Marchiori, RT Features, com moderação de Barbara Demerov
A coprodução se consolidou como uma das principais portas de entrada do cinema brasileiro no mercado internacional. O painel reúne quatro perspectivas sobre esse caminho: acordos bilaterais, experiências autorais premiadas, a atuação de novos produtores e a estratégia de uma das maiores coprodutoras do país. A discussão busca responder a uma questão prática: por onde começar e como escolher parceiros internacionais?
Oficinas Formativas | Sala Exibidor, Cine Marquise
A Reforma Tributária Chegou - O que Muda no Audiovisual e na Exibição | 9h30 às 12h00 | Participação de Daniella Galvão Imeri, advogada Tributarista, sócia do CQS/FV Advogados
Com a reforma tributária à vista, é hora de entender o que já está garantido, o que ainda depende de regulamentação, e quais ajustes práticos toda produtora, distribuidora e exibidora, pequena ou grande, precisa fazer agora para não ser pega de surpresa quando a cobrança de fato começar.
Marketing e Bilheteria: o Playbook Digital para Vender Mais Ingresso | 15h00 às 17h00 | Em parceria com Webedia Brasil (AdoroCinema e The Boxoffice Company) | Participação de: Antoine Clauzel, Diretor Geral de Marcas e Conteúdo, Webedia Brasil; Caio Garritano, Gerente de Produto e Conteúdo, AdoroCinema; Joana Cinelli, Head Brasil e LATAM, The Boxoffice Company.
A briga pela atenção do espectador começa muito antes dele chegar à bilheteria física, na busca por sessão e horário, no site e no app do cinema, no anúncio que aparece durante a navegação. Para o exibidor, principalmente o de rede regional ou independente, essa camada digital costuma ser a mais difícil de dominar, por falta de tempo, equipe ou repertório técnico.
Esta oficina mostrará na prática como dados, tecnologia e mídia se conectam para vender mais ingressos, trazendo casos reais de exibidores que já usam essas ferramentas. Globalmente, a The Boxoffice Company opera o Boost (site, app, CRM, e-mail marketing e venda de ingresso online, usado por mais de 350 circuitos de cinema), o Source (base de dados de sessão e horário presente em 70 países e 25 idiomas, que chega a mais de 90% das buscas globais por sessão de cinema) e, para estúdios, o Pulse, plataforma de inteligência de mercado para acompanhar performance de bilheteria nacional e internacional.
Sobre a EXPOCINE
Consagrada como o maior encontro de negócios de cinema da América Latina e o segundo maior do mundo, a EXPOCINE vem de uma trajetória de crescimento contínuo. Somente na sua última edição, em 2025, o evento reuniu mais de 2.300 credenciados e apresentou um impressionante salto na área de negócios, saindo de 24 marcas expositoras em 2023 para mais de 60. Com mais de 55 horas de conteúdo e a presença de exibidores, distribuidores, produtores e executivos do setor, a convenção se consolida como o palco onde a indústria latino-americana decide seus próximos passos. Alinhada com o seu crescimento estrutural e de conteúdo, a EXPOCINE 2026 reforça seu compromisso com a inclusão e a pluralidade. Em parceria com a MAV, o evento garantirá maior acessibilidade para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Além disso, as apresentações contarão com tradução simultânea para espanhol e inglês.
Sobre a Tonks - produtora da EXPOCINE:
Criado em 2006 por Marcelo J. L. Lima, o Grupo Tonks nasceu como uma consultoria de tecnologia e soluções digitais para as principais redes exibidoras do país. Com o objetivo de ampliar o seu portfólio e ter maior presença no mercado, a empresa fundou também a Revista Exibidor, alimentando a indústria com novidades; a Expocine, encontro presencial anual entre os profissionais de cinema, e, recentemente, o Cine Marquise, espaço premiado e com uma programação versátil para todos os fãs de cinema com duas unidades, sendo uma no coração de São Paulo e a outra em Poços de Caldas.



