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Dez tendências que colocam as Compras de Indiretos no centro da estratégia


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  • mell280

30/09/2026 10h00

Dez tendências que colocam as Compras de Indiretos no centro da estratégia

Juliete Neves


Tecnologia, novos ecossistemas de fornecedores e pressão por eficiência ampliam as fronteiras de atuação de Procurement

Durante muito tempo, Procurement foi associado principalmente à negociação de contratos, redução de custos e controle de fornecedores. Nas compras de indiretos, responsáveis pela contratação de serviços como marketing, tecnologia, consultoria, eventos e outras categorias que sustentam o funcionamento das empresas, essa lógica também predominou. 

Embora essas atribuições continuem relevantes, elas já não são suficientes para responder ao ambiente de negócios atual. A combinação entre inteligência artificial, instabilidade geopolítica, mudanças regulatórias e cadeias de suprimentos cada vez mais complexas está ampliando o papel da área, que passa a exercer influência direta sobre produtividade, gestão de riscos, inovação e alocação de recursos.

"A área de Compras tem um papel cada vez mais estratégico na aceleração da aplicação da IA nos negócios. Ao transformar dados de fornecedores, categorias e processos em inteligência, Compras amplia sua capacidade de gerar insights, antecipar cenários e direcionar decisões mais eficientes para o negócio", afirma Daniel Prianti, Co-CEO da BPool.  BPool.

A seguir, dez movimentos ajudam a explicar por que Compras de Indiretos caminha para se consolidar como uma das funções mais estratégicas para a geração de valor nas organizações.

1. Procurement deixa de negociar para habilitar o negócio

Durante décadas, Compras foi medida principalmente por indicadores como savings, negociação e compliance. Esses objetivos continuam importantes, mas passam a coexistir com uma nova expectativa: permitir que as áreas de negócio tenham acesso mais rápido a especialistas, fornecedores qualificados e soluções capazes de gerar impacto. A evolução da área está relacionada à capacidade de transformar a contratação em uma ferramenta de produtividade e inovação, conectando necessidades internas a ecossistemas externos de conhecimento.

2. IA deixa de automatizar tarefas para redesenhar processos

A inteligência artificial já faz parte da rotina de muitas organizações, mas o principal desafio agora é transformar a experimentação em impacto operacional.

Segundo a pesquisa “The State of AI”, da McKinsey, 88% dos participantes afirmam que suas organizações utilizam IA em pelo menos uma função de negócio. Ao mesmo tempo, a maioria ainda está nos estágios iniciais de escala: apenas uma parcela menor das empresas conseguiu incorporar a tecnologia de forma ampla aos processos corporativos.

3. Shared Services passam por uma reinvenção

O modelo de gestão que centraliza funções de suporte e administrativas de uma empresa  foi criado para concentrar processos, ganhar eficiência e reduzir custos. Agora, começam a assumir um papel diferente: orquestrar tecnologia, dados e pessoas. Com o avanço da inteligência artificial, esses modelos deixam de ser apenas estruturas operacionais e passam a funcionar como plataformas capazes de coordenar atividades, automatizar etapas e apoiar decisões.

4. A produtividade passa a depender da simplificação

A transformação digital não depende apenas da implementação de novas ferramentas. Muitas vezes, o maior ganho está em eliminar a complexidade. A McKinsey aponta que organizações enfrentam desafios relacionados à complexidade excessiva de processos e estruturas internas. Nesse cenário, simplificar fluxos, reduzir retrabalho e diminuir interfaces passa a ser uma prioridade estratégica.

Esse é um dos fundamentos por trás do crescimento de modelos como marketplaces corporativos, que organizam fornecedores e tornam o processo de contratação mais simples para as áreas requisitantes.

5. A experiência do cliente interno vira indicador estratégico

Historicamente, Procurement desenhou processos priorizando controle e conformidade. Agora, começa a considerar também a experiência de quem utiliza esses processos. A inteligência artificial permite criar jornadas mais intuitivas, ampliar o autosserviço, reduzir etapas manuais e facilitar o acesso a fornecedores e soluções.

Essa mudança não significa substituir governança por conveniência. Pelo contrário: uma experiência melhor aumenta a adesão aos processos oficiais e fortalece o compliance.

6. IA amplia exponencialmente a capacidade de Procurement

Uma pesquisa da KPMG com executivos de Procurement e outsourcing aponta que 96% dos entrevistados já avançaram em iniciativas relacionadas à IA generativa. A consultoria também estima que entre 50% e 80% do trabalho atual de Procurement pode ser automatizado ou migrado para modelos de autosserviço, dependendo do processo e do nível de maturidade tecnológica.

O impacto dessa transformação não está apenas na redução de tarefas operacionais, mas na possibilidade de o comprador atuar com maior foco em estratégia, inteligência de mercado e gestão de relacionamento.

7. Dados passam a valer mais do que processos

Compras deixa de apenas acompanhar gastos e passa a integrar diferentes camadas como despesas, riscos e performance. A próxima evolução da área será transformar esses dados em recomendações capazes de apoiar decisões em tempo real. Com isso, Procurement deixa de produzir apenas relatórios históricos e passa a atuar como uma fonte de inteligência para o negócio.

8. Gestão de riscos torna-se disciplina permanente

A volatilidade dos mercados mudou a forma como as empresas enxergam suas cadeias de fornecedores. Questões como tensões geopolíticas, mudanças regulatórias, segurança cibernética, sustentabilidade e dependência de fornecedores passaram a fazer parte da agenda estratégica de Compras. A McKinsey destaca que as empresas estão ampliando o uso de tecnologia e dados para identificar riscos e responder mais rapidamente a mudanças externas.

9. Compras passa a administrar ecossistemas, não apenas fornecedores

A lógica deixa de ser baseada apenas em uma lista de parceiros homologados e passa a envolver ecossistemas formados por especialistas, plataformas, marketplaces e redes de fornecedores. Nas compras de indiretos, esse movimento é especialmente relevante porque categorias como marketing, tecnologia e consultoria dependem cada vez mais de conhecimento especializado e soluções customizadas.

“Além da especialização, a diversidade de fornecedores amplia o repertório de soluções disponíveis para as empresas. Ecossistemas mais plurais favorecem inovação, criatividade e a capacidade de responder a desafios complexos, tornando a gestão de fornecedores um diferencial competitivo”, conclui Daniel.

10. O ativo estratégico deixa de ser tecnologia

Plataformas e marketplaces tendem a se tornar parte da infraestrutura básica das empresas e o verdadeiro diferencial estará na arquitetura operacional construída sobre essas tecnologias. Empresas capazes de organizar dados, estruturar processos, conectar fornecedores e reduzir atritos terão vantagem competitiva.

Sobre a BPool 

Fundada em meados de 2019, a BPool é uma plataforma de curadoria, contratação e gestão de serviços de marketing que viabiliza que grandes empresas se conectem ao ecossistema de comunicação. Através de curadoria prévia, de algoritmos e de um workflow automatizado, a plataforma permite que clientes façam a contratação e a gestão de serviços de marketing trazendo ganhos significativos em criatividade, inovação, agilidade e eficiência, endereçando também os desafios de saving, controle e compliance das áreas de Procurement. 

Hoje, a BPool atua na América Latina, nos EUA e na Europa, conectada a um ecossistema de quase 5.000 freelancers e cerca de 1500 fornecedores selecionados, atendendo 50 grandes marcas. A plataforma recebeu aporte dos fundos Chromo Invest, Quartz Investimentos entre outros investidores, e em 2023 foi selecionada para o programa de aceleração de scale-ups da Endeavor.