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Balanço da semana | macroeconomia


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28/09/2026 06h41

Balanço da semana | macroeconomia

Carolina Montuori


28/9, por William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue

A semana começa com os juros dos Treasuries ainda em níveis elevados, refletindo uma combinação de fatores que ganhou força nas últimas semanas. Esse movimento não tem uma única explicação e varia de acordo com o prazo dos títulos.
Na ponta mais curta da curva, especialmente nos Treasuries de dois anos, o mercado segue atento à inflação e à atividade econômica. A continuidade do conflito no Oriente Médio mantém a pressão sobre os preços do petróleo, enquanto os dados recentes de atividade nos Estados Unidos seguem mostrando uma economia resiliente. Na semana passada, o Flash PMI veio mais forte do que o esperado, reforçando a percepção de atividade aquecida e aumentando as preocupações com a inflação.
Esse cenário levou o mercado a reprecificar as expectativas para os juros americanos. A combinação de atividade forte e inflação ainda pressionada elevou as apostas em novos aumentos de juros, ajudando a explicar a abertura da curva de curto prazo.
Nos vencimentos mais longos, como os Treasuries de dez e 30 anos, outros fatores ganham peso. A situação fiscal e o nível da dívida americana continuam sendo componentes importantes, especialmente em um contexto de maiores gastos. No entanto, não explicam sozinhos a alta dos yields. O crescimento da economia e as expectativas de inflação de longo prazo também contribuem para taxas de equilíbrio mais elevadas.
Outro elemento relevante é o forte ciclo de investimentos das grandes empresas de tecnologia. Companhias como Google, Microsoft, Amazon e Nvidia vêm ampliando seus investimentos e recorrendo ao mercado para captar recursos. Com empresas e governos disputando capital, os investidores passam a exigir taxas maiores para disponibilizar esses recursos.
Por isso, a alta dos juros longos não deve ser interpretada apenas como consequência das preocupações com a dívida americana. Parte do movimento também está associada a uma economia que continua crescendo e a empresas que seguem investindo. A inflação permanece como um ponto de atenção, mas crescimento econômico e aumento do CapEx corporativo não são, isoladamente, sinais negativos.
Na semana passada, o Treasury de dez anos chegou a 5,22%, enquanto o de 30 anos alcançou 5,53%, patamar que não era observado há mais de duas décadas. A alta dos yields pressiona os preços dos títulos de renda fixa, dada a relação inversa entre taxa e preço dos bonds.
Os juros mais elevados também vêm contribuindo para o fortalecimento global do dólar. Esse movimento ainda não apareceu com a mesma intensidade em relação ao real, que continua encontrando suporte no diferencial de juros e nos preços elevados das commodities. Ainda assim, a redução gradual desse diferencial é um fator que merece acompanhamento.
A semana começa também com nova pressão sobre o petróleo. O Brent e o WTI avançam após a rejeição, por Donald Trump, de uma proposta do Irã relacionada a um cessar-fogo e à reabertura do Estreito de Hormuz. Ao mesmo tempo, permanecem sinalizações de que novas conversas entre Estados Unidos e Irã podem ocorrer ao longo da semana, mantendo elevada a volatilidade em torno do conflito e dos preços de energia.
No calendário econômico, a agenda será mais carregada do que na semana anterior. Os Estados Unidos terão dados importantes do mercado de trabalho, como JOLTS, ADP e payroll, além da divulgação do PCE, indicador de inflação acompanhado de perto pelo Federal Reserve. Depois da surpresa positiva com a atividade na semana passada, esses números devem ajudar a calibrar novamente as expectativas para os próximos passos da política monetária americana.
No mercado acionário, a atividade econômica americana continua mostrando resiliência. A temporada de balanços do terceiro trimestre, que começa nas próximas semanas, será importante para verificar se esse ambiente segue sustentando o crescimento dos lucros corporativos. Apesar de os índices americanos estarem próximos das máximas históricas, os múltiplos não estão em seus maiores níveis, enquanto os lucros das empresas continuam avançando. A evolução dos resultados corporativos será, portanto, um dos principais elementos para avaliar a sustentação do mercado daqui para frente.


 





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