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Bicos pulverizadores com sensor de clorofila aplicam maturadores de crescimento no algodão de acordo com o tamanho e necessidade de cada planta


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  • mell280

02/09/2026 11h00

Bicos pulverizadores com sensor de clorofila aplicam maturadores de crescimento no algodão de acordo com o tamanho e necessidade de cada planta

Flávia Romanelli


A economia no uso de maturadores é de cerca de 20%, evitando também a perda de produtividade por excesso do produto

Testes feitos com a tecnologia Weed-it demonstram que os sensores de pulverização localizada conseguem aplicar os reguladores de crescimento na cultura do algodão de acordo com a quantidade de clorofila identificada, em tempo real. Em vez de aplicar uma dose única em toda a área, a tecnologia identifica diferenças no desenvolvimento das plantas e ajusta a quantidade de produto de acordo com a necessidade de cada uma. Isso faz com a área fique mais uniforme, evitando prejudicar a produtividade do talhão ao aplicar excesso de produto nas plantas que não necessitavam.

Além disso, pesquisas acadêmicas mostram que em áreas com grande variabilidade, a aplicação em taxa variável resultou em uma economia de 17% a 18% no uso dos reguladores de crescimento vegetal em algodão.

Testes realizados em uma fazenda de algodão no Oeste da Bahia, pela Zait.ag, demonstraram a viabilidade da estratégia e indicaram que a aplicação variável pode contribuir para tornar o desenvolvimento da lavoura mais uniforme. O experimento foi conduzido em 560 hectares, distribuídos em quatro talhões de 140 hectares, e envolveu sete aplicações de regulador de crescimento ao longo da safra 2025/26.

A principal inovação está na capacidade de realizar a variação da taxa em tempo real e com resolução de até 25 centímetros, sem a necessidade de elaborar previamente um mapa de prescrição. “O sensor identifica a biomassa por meio da leitura da clorofila e o sistema ajusta automaticamente a dose: quanto menor a clorofila, menor a taxa; quanto maior a clorofila, maior a taxa. De acordo com as especificações apresentadas no material técnico, a taxa pode variar em até quatro vezes, sem alterar a pressão de trabalho, o tamanho das gotas ou a distribuição do leque”, explica Marcos Ferraz, vice-presidente da Zait.ag.

A vantagem fica especialmente evidente em áreas que apresentam grande variabilidade de desenvolvimento. No Pivô 01 B, por exemplo, havia plantas com alturas entre 10 e 70 centímetros no momento da aplicação, devido a diferenças de plantio e replantio. Nesse cenário, uma aplicação uniforme poderia submeter plantas ainda pequenas a uma dose de regulador superior à sua necessidade. Segundo a análise dos mapas, a aplicação variável contribuiu para a homogeneização do desenvolvimento das plantas.

Essa característica é importante porque o regulador de crescimento atua justamente sobre o desenvolvimento vegetativo do algodoeiro. O cloreto de mepiquat, utilizado no experimento, reduz o crescimento em altura e no comprimento dos ramos produtivos, direcionando a energia da planta para processos reprodutivos.

Os dados coletados no experimento mostram que a tecnologia não apenas identifica a variabilidade existente no talhão, mas consegue responder a ela durante a operação. No primeiro conjunto de dados analisado no Pivô 01 B, o índice de clorofila predominante ficou entre 0,3 e 0,6, enquanto as taxas aplicadas se concentraram entre 60 e 80 litros por hectare. O gráfico de dispersão mostrou uma relação positiva entre o índice de clorofila e a taxa aplicada: à medida que a clorofila aumentava, a dose também aumentava.

“Esse comportamento representa uma mudança importante em relação à taxa fixa. Na aplicação convencional, a mesma dose é definida para toda a área, independentemente das diferenças entre plantas. Na taxa variável, o produto é direcionado conforme a real necessidade da cultura, reduzindo a possibilidade de aplicar regulador em excesso sobre plantas que ainda precisam crescer”, orienta Ferraz.

Outro resultado observado nos testes foi a diferença entre a área total e a área efetivamente pulverizada em algumas operações. No Pivô 02 B, por exemplo, foram pulverizados 54,11 dos 74,69 hectares, correspondentes a 72,44% da área. No Pivô 07 A, uma das aplicações atingiu 24,54 hectares de um total de 38,60 hectares, ou 63,65% da área. No Pivô 06 B, foram pulverizados 83 dos 140 hectares, equivalentes a 59,28% da área.

Esses números mostram, na prática, como a aplicação baseada na leitura da cultura permite direcionar a operação. O estudo também destaca que os mapas de aplicação permitem identificar exatamente quais áreas receberam o produto e comparar essas informações com os mapas de clorofila. Com isso, é possível verificar a qualidade e a uniformidade da pulverização e identificar regiões com menor desenvolvimento ou falhas na lavoura. “Para o produtor, o ganho potencial está em combinar economia de insumos, precisão operacional e uniformidade da lavoura.”

A tecnologia Weed-it, utilizada nos testes, trabalha com sensores de alta sensibilidade capazes de detectar a fluorescência da clorofila e acionar válvulas PWM de resposta rápida. O sistema possui bicos espaçados a cada 25 centímetros, permitindo que a taxa seja modificada de acordo com a variabilidade encontrada praticamente planta a planta. O sensoriamento pode ser realizado em diferentes condições de luminosidade, e a operação gera mapas e relatórios para posterior monitoramento.

 

A aplicação variável pode contribuir para tornar o desenvolvimento da lavoura mais uniforme Sensores de pulverização localizada conseguem aplicar os reguladores de crescimento na cultura do algodão de acordo com a quantidade de clorofila identificada


 

 


 




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