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Pesquisa sobre doenças em plantas frutíferas marca trajetória de destaque na iniciação científica de aluno de Agronomia em Registro


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31/08/2026 07h00

Pesquisa sobre doenças em plantas frutíferas marca trajetória de destaque na iniciação científica de aluno de Agronomia em Registro

assessoria


Bicampeão do Congresso de Iniciação Científica da Unesp e destaque na jornada da SBPC, Pedro Ferreira da Silva Neto investiga o uso de hidrolatos, resíduos da produção de óleos essenciais, no controle de doenças em frutas

Pedro Neto no laboratório / Foto: Acervo Pessoal

O reconhecimento recebido em 2026 na Jornada Nacional de Iniciação Científica (JNIC), durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), encerrada no início de agosto, é o mais recente capítulo de uma série de destaques obtidos por Pedro Ferreira da Silva Neto na iniciação científica. Estudante de engenharia agronômica da Unesp, no câmpus de Registro, o jovem pesquisador conquistou o primeiro lugar entre os trabalhos de Ciências Agrárias no Congresso de Iniciação Científica (CIC) da Unesp em 2024 e 2025 e agora o prêmio nacional da sessão de pôsteres da jornada da SBPC.

A sequência de conquistas acompanhou o desenvolvimento de uma mesma linha de investigação sobre o potencial de hidrolatos no controle de doenças de plantas frutíferas, estudo realizado pelo Grupo de Pesquisa Doenças de Plantas Frutíferas, sob liderança da professora Maria Cândida de Godoy Gasparoto.

A relação do estudante, hoje agrônomo recém-formado, com a Unesp começou depois de uma primeira experiência no ensino superior em Santa Catarina. Em 2020, aos 17 anos, Pedro Neto ingressou no Instituto Federal de Rio do Sul, onde permaneceu por dois anos. A pandemia interrompeu a rotina acadêmica presencial e, depois de retornar a São Paulo, o jovem decidiu buscar uma instituição mais próxima da família. Tentou diferentes processos de transferência externa, até chegar ao câmpus de Registro.

"Eu me apaixonei pelo curso quando entrei na Unesp", afirma o jovem, hoje com 23 anos. "Fui percebendo que o mundo da agronomia é gigantesco e que existem várias áreas diferentes dentro da profissão”, diz Pedro Neto.

Foi também na Unesp que a pesquisa passou a ocupar um espaço central em sua formação. O primeiro projeto foi desenvolvido em 2024, a partir de uma bolsa do PIBITI (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação) do CNPq, que deu origem à sequência de trabalhos que seria apresentada nos anos seguintes.

A pesquisa, inicialmente voltada à identificação de efeitos dos hidrolatos, avançou progressivamente para questões relacionadas à estabilidade dos compostos e, posteriormente, à aplicação em frutos. Os hidrolatos são obtidos durante o processo de produção de óleos essenciais e constituem o resíduo majoritário desse procedimento. A pesquisa investiga o potencial desses materiais descartados pela indústria no controle de doenças que afetam plantas frutíferas, com foco atual na antracnose.

Diferentemente de enfermidades que se manifestam ainda no campo de cultivo, a antracnose pode se desenvolver durante o processo de amadurecimento dos frutos, o que amplia o risco de perdas mesmo depois da colheita. O próprio pesquisador explica.

“A antracnose é uma doença pós-colheita e, por isso, tem uma dinâmica de interação diferente. Quando o fruto está no campo e ainda está verde, ele pode ter contato com o patógeno sem apresentar sintomas. Isso acontece porque, nesse estágio, o fruto possui uma concentração maior de alguns compostos, principalmente o amido, que ainda não foi convertido em açúcar. Com o início do amadurecimento, o fruto passa por uma série de transformações fisiológicas", diz Pedro Neto.

"No caso de frutos climatéricos, como o mamão, esse processo continua mesmo depois da colheita. Quando o fungo percebe essas mudanças, principalmente a conversão do amido em açúcar e a transformação de outros compostos, ele encontra condições mais favoráveis para se desenvolver. A partir daí, a doença pode evoluir rapidamente e comprometer o fruto, causando perdas na produção.”

Para a orientadora, a professora Maria Cândida de Godoy Gasparoto, o desempenho do estudante é resultado da maturidade científica desenvolvida ao longo da graduação, aliada à qualidade e à relevância da pesquisa realizada. “Um trabalho se faz com pessoas que estão dispostas a defendê-lo de maneira argumentativa, com base em ciência.”

A docente também destaca que essa trajetória foi construída em um câmpus de menor porte e em um grupo de pesquisa reduzido, contexto que possibilitou um acompanhamento mais próximo do estudante pela orientadora e favoreceu seu amadurecimento, tanto pessoal quanto científico, ao longo da graduação.

Leia a reportagem completa no portal da Unesp.

 

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