- mell280
28/08/2026 07h15
Onda de calor de 40°C em SP põe agro em alerta e reforça importância da eficiência hídrica e do crédito rural
Defesa Civil prevê umidade abaixo de 12% e maior risco de incêndios em São Paulo; especialistas alertam que eventos extremos exigem planejamento hídrico e financeiro das propriedades
A onda de calor prevista para atingir São Paulo entre sexta-feira (28) e segunda-feira (31) coloca o setor agropecuário em alerta. Com termômetros podendo chegar aos 40°C no interior e umidade relativa do ar abaixo de 12% nos períodos mais críticos, produtores precisam lidar com maior pressão sobre os recursos hídricos, vegetação mais seca e aumento do risco de incêndios.
O alerta foi divulgado nesta quinta-feira (27) pela Defesa Civil de São Paulo. As condições mais críticas são esperadas nas regiões norte e noroeste do estado, mas o tempo seco e quente também amplia a preocupação com queimadas e incêndios florestais em outras áreas.
O episódio ocorre em um período de atenção às condições hídricas no país. Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) referente a julho identificaram 157 municípios brasileiros em situação de seca severa e outros 532 classificados com seca moderada. Para o trimestre entre agosto e outubro, a previsão sazonal aponta temperaturas acima da média em todo o Brasil e chuvas abaixo da média em praticamente todo o território nacional, à exceção da Região Sul.
Para Francisco Carvalho, gerente comercial da Hydroplan-EB, empresa especializada em tecnologias para otimização do uso da água no campo, episódios de calor intenso reforçam a necessidade de aumentar a eficiência hídrica antes que a escassez se transforme em problema para a lavoura.
“Quando temos temperaturas muito elevadas e baixa umidade, a preocupação do produtor não deve ser apenas com a quantidade de água disponível, mas com a eficiência com que essa água permanece acessível à planta. Quanto maior a perda por evaporação e mais rapidamente o solo perde umidade, maior é a necessidade de pensar o manejo hídrico de forma estratégica”, afirma Carvalho.
A Hydroplan-EB desenvolve tecnologias voltadas à eficiência hídrica na agricultura, entre elas polímeros superabsorventes aplicados ao solo, capazes de reter água e liberá-la gradualmente na região das raízes.
“Não conseguimos controlar quando uma onda de calor vai acontecer, mas podemos trabalhar para deixar o sistema produtivo menos vulnerável. Tecnologias de retenção de água, manejo adequado do solo e planejamento da irrigação fazem parte dessa preparação”, explica Carvalho.
Os extremos climáticos também chegam ao caixa das propriedades. Investimentos em irrigação, infraestrutura, tecnologias de manejo hídrico, prevenção ou recuperação de áreas podem exigir recursos que não estavam previstos inicialmente.
Para Romário Alves, CEO e fundador da Sonhagro, rede especializada em crédito rural, a maior imprevisibilidade climática exige que a organização financeira faça parte do planejamento da produção.
“Uma seca prolongada, uma onda de calor ou um incêndio podem criar uma necessidade de investimento que não estava prevista. Por isso, planejamento financeiro e acesso ao crédito precisam ser discutidos antes de a emergência acontecer”, afirma.
Segundo Alves, o crédito rural também pode financiar investimentos destinados a aumentar a eficiência e reduzir vulnerabilidades da propriedade.
“O crédito precisa ser visto como ferramenta de planejamento. Dependendo da necessidade e da linha disponível, o produtor pode financiar equipamentos, infraestrutura e tecnologias que aumentem a eficiência da propriedade. O erro é esperar o problema acontecer para começar a procurar uma solução financeira”, explica.
A onda de calor prevista para os próximos dias evidencia uma mudança mais ampla na gestão rural. Água, clima e capacidade financeira passam a fazer parte de uma mesma equação.
No campo, preparar-se para temperaturas próximas dos 40°C não significa apenas reagir quando o termômetro sobe, mas reduzir vulnerabilidades, usar a água de forma mais eficiente e manter capacidade financeira para enfrentar um ambiente produtivo cada vez mais exposto aos extremos climáticos.


