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Nos 10 anos sem Elke Maravilha, espetáculo inspirado em sua trajetória estreia no Rio de Janeiro em agosto


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30/07/2026 08h52

Nos 10 anos sem Elke Maravilha, espetáculo inspirado em sua trajetória estreia no Rio de Janeiro em agosto

Carlos Pinho


“Quero ser Elke Maravilha” fará temporada no Teatro Candido Mendes, em Ipanema

 

Um tributo à mulher que transformou a sua vida em um ato radical de liberdade. Nos 10 anos sem Elke Maravilha (1945-2016), a icônica artista terá parte da sua história revisitada no monólogo “Quero ser Elke Maravilha”, que estreia no Teatro Candido Mendes, em Ipanema, temporada de 14 a 30 de agosto, com sessões de sexta a domingo, às 20h.    

 

Idealizado e encenado por Igor Castilho, que também assina texto e dramaturgia com Rodrigo Murat, o espetáculo atravessa a jornada de um rapaz que, após ser chamado de “Elke Maravilha” pelos colegas da escola, se recolhe no seu quarto para compreender esse apelido. Entre memórias, delírios e fabulações, ele recria os episódios mais emblemáticos da vida da artista, como a primeira vez em que vestiu uma roupa extravagante e quando criou a maquiagem que se tornaria sua marca registrada, e acaba descobrindo diversos paralelos com a sua própria trajetória. Nesse processo de investigação, o jovem percebe que contar a história de Elke Maravilha é também contar a sua própria história - e a de tantas outras pessoas que, assim como ele, buscam a possibilidade de existir para além da normatividade. A direção artística é de Jhoão Scarpa.

 

- A voz de Elke, mesmo depois de 10 anos de ter ido “brincar de outra coisa”, como dizia, continua ecoando como um convite à autenticidade. E foi por ter aceitado esse convite, na adolescência, que passei a enxergar a Elke como uma inspiração para acolher as minhas singularidades e me apropriar delas como qualidades, e não defeitos – destaca Igor Castilho.

 

Igor conta que o projeto nasceu do desejo de compartilhar com o público esse processo de identificação com Elke, na esperança de inspirar outras pessoas que ainda se sentem pressionadas a esconder suas diferenças a reconhecê-las como parte de sua potência.  

 

- Ao aproximar essas duas trajetórias, a ideia é propor uma reflexão sobre identidade, pertencimento e liberdade, mostrando que aquilo que muitas vezes é visto como motivo de ridicularização pode se tornar justamente a maior fonte de força e expressão do sujeito – completa.

 

De refugiada de guerra à consagração na TV

 

Personalidade da televisão, ativista, modelo, apresentadora e atriz, Elke Maravilha nasceu Elke Georgievna Grünupp em Leningrado, hoje São Petersburgo, na Rússia. Chegou ao Brasil com seus pais aos quatro anos, em 1949, fugindo da perseguição política deflagrada pela Rússia contra o seu pai, considerado traidor da pátria por ter se rebelado contra o próprio país para lutar como guerrilheiro voluntário pela Finlândia na Guerra de Inverno, durante a Segunda Guerra Mundial. A família se estabeleceu primeiramente em Itabira (MG), mudando depois para Atibaia (SP) e Bragança Paulista (SP), dedicando-se sempre à agricultura.

 

Naturalizou-se brasileira só nos anos de 1960, quando retornou à Minas Gerais e ganhou o concurso de beleza “Glamour Girl”, em Belo Horizonte. Depois, a família Grünupp foi morar em Porto Alegre (RS), onde Elke valeu-se da fluência em oito idiomas - muitos deles aprendidos no próprio ambiente familiar - para trabalhar como secretária bilíngue, além de ser a mais jovem professora de francês da Aliança Francesa e de inglês na União Cultural Brasil–Estados Unidos. Lá, ela também cursou cadeiras nas faculdades de Filosofia, Medicina e Letras da UFRGS e se formou tradutora e intérprete de línguas estrangeiras.

 

Aos 20 anos, passou dois anos morando na Europa, onde conheceu o seu primeiro marido, Alexandros Evremidis (1940-2014), responsável por incentivar Elke a começar a atuar como modelo e manequim, em 1969. Devido ao seu jeito irreverente - e revolucionário - de desfilar sorrindo, Elke logo chamou a atenção dos principais estilistas da época, tornando-se grande amiga de Clodovil, Guilherme Guimarães, Dener e Zuzu Angel, chegando a ser presa pela ditadura militar por protestar contra prisão do filho da estilista, Stuart Angel Jones, em 1972, ocasião na qual perdeu a sua cidadania brasileira e se tornou apátrida.

 

O sucesso nas passarelas a levou a estudar atuação e, como atriz, trabalhou no cinema, no teatro e na televisão, marcando presença em produções importantes, como os filmes “Xica da Silva”, de Cacá Diegues, pelo qual foi premiada com o troféu “Coruja de Ouro” de melhor atriz coadjuvante (1975), e “Pixote”, de Héctor Babenco, além da peça “Orfeu da Conceição” e da novela “A Volta de Beto Rockfeller”, na extinta TV Tupi.

 

Mas foi como jurada de TV nos programas de auditório de Chacrinha e Silvio Santos que sua irreverência e visual ganhou o país, chegando até a ganhar uma atração própria em 1993, no SBT, tornando-se também uma referência para a comunidade LGBTQIAPN+.

 

Serviço:

Temporada: de 14 a 30 de agosto

Sessões: sextas, sábados e domingos, às 20h

Local: Teatro Candido Mendes - Rua Joana Angélica, 63, Ipanema, Rio de Janeiro - RJ

Entrada: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia), vendas no site https://bileto.sympla.com.br/event/123127/d/396210

Obs.: Não será permitida a entrada após o início do espetáculo.

Obs.(2): há 2 categorias de cortesias (i) *trans free* (2 ingressos por sessão), e (ii) *drag free* (1 ingresso por sessão), para pessoas autodeclaradas transgênero ou dragqueens.

Gênero: Monólogo

Duração: 70 min

Classificação etária: 14 anos

Rede social: https://www.instagram.com/elkemaravilhateatro/

 

Ficha técnica:

Idealização e atuação: Igor Castilho

Direção artística: Jhoão Scarpa

Texto e dramaturgia: Igor Castilho e Rodrigo Murat

Contribuição dramatúrgica: Jhoão Scarpa

Produção executiva: Igor Castilho

Assistência de produção: Marcela Galdino e Matos

Cenografia: Daio Moreira

Iluminação: Nathan Barbosa

Figurinos: Jhoão Scarpa

Adereços: Igor Castilho

Marketing digital: Marcos Eduardo

Gestão de tráfego: Arthur Herculano

Assessoria jurídica: Marcela Galdino e Matos

Assessoria de imprensa: Carlos Pinho

Direção de arte: Igor Xavier

Fotos de estúdio: Marcela Saraceni

Realização: Creia Produções Ltda.

Apoio: Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, Espaço Cultural Municipal Sala Baden Powell, Par Produções Artísticas e Teatro Cândido Mendes

Agradecimentos: Fernanda Becker, Fernando Melvin, Solange Maia Quadros, Ton Garcia e Yuri Cerroso.





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