- mell280
01/07/2026 11h57
Na Copa de 2026, o jogo das marcas acontece fora dos estádios
O campeonato evidencia um novo comportamento do público latino-americano, que comenta, cria conteúdo e interage nas redes sociais durante as partidas, exigindo estratégias mais ágeis das marcas
A Copa do Mundo de 2026 evidencia uma transformação no relacionamento entre marcas e torcedores. O perfil do torcedor latino-americano mudou profundamente. A faixa etária predominante hoje está entre 22 e 33 anos, com forte presença da Geração Z e dos Millennials. Esse público não apenas consome o esporte: comenta em tempo real, amplifica opiniões nas redes sociais e acompanha cada partida com o celular na mão.
Os números deixam isso claro: 41% dos fãs já assistem às partidas por meio de plataformas digitais e 51% usam as redes sociais ao mesmo tempo em que acompanham os jogos pela televisão.
Mais do que acompanhar os jogos, milhões de pessoas comentam lances, compartilham memes e repercutem acontecimentos nas plataformas digitais, ampliando as oportunidades para empresas que conseguem se inserir nessas conversas de forma autêntica e relevante.
Com 48 seleções, 104 jogos e três países-sede, a FIFA projeta que mais de 6 bilhões de pessoas acompanharão o torneio de alguma forma. Para a América Latina, cujas seleções já conquistaram o título mundial 10 vezes, a competição carrega um peso emocional especial.
Um público que não assiste mais futebol em silêncio
Na prática, o que se vê ao longo do torneio é que cada partida desencadeia horas de comentários, memes, vídeos e debates que continuam mesmo após o apito final — uma oportunidade que as estratégias de comunicação tradicionais, pensadas para um consumidor passivo, simplesmente não estão preparadas para aproveitar.
"A Copa está mostrando que o torcedor participa de uma conversa contínua. As marcas que esperam o jogo acabar para se posicionar perdem o momento de maior engajamento e relevância", afirma Livia Gammardella, Head de Marketing e Digital da LatAm Intersect.
As primeiras semanas do torneio já mostram como a atenção do público se desloca rapidamente entre diferentes narrativas. A jornada do Brasil é um exemplo claro disso: cada partida gerou uma nova onda de conversas, que foi muito além do resultado em si. Com a virada sobre o Japão, o Brasil garantiu vaga nas oitavas de final, e o próximo capítulo já está definido: o confronto com a Noruega no próximo domingo.
Para o torcedor latino-americano, esses momentos não são apenas resultados: são gatilhos de identidade, pertencimento e conversa contínua. Exatamente o tipo de oportunidade que as marcas precisam aprender a acompanhar em tempo real. Para as marcas, isso significa que o planejamento prévio continua importante, mas já não é suficiente: capacidade de adaptação, agilidade e leitura do contexto passaram a ser fatores decisivos para conquistar relevância ao longo do torneio.
Três perfis, três conversas diferentes
Nem todos os torcedores são iguais, e tratá-los como tais é um dos erros mais frequentes nas estratégias de comunicação para grandes eventos esportivos. A análise feita com base em dados do e-book "Como Entender o Novo Torcedor Latino-Americano Antes do Principal Momento Esportivo de 2026", produzido pela LatAm Intersect, identifica três perfis distintos:
- O torcedor casual, que entra no clima dos grandes jogos, acompanha os momentos mais importantes e participa das conversas que estão em alta.
- O torcedor fiel, que acompanha o time independentemente da fase, tem seus rituais pessoais e percebe rapidamente quando uma marca está apenas tentando aproveitar o momento sem ter uma conexão real com o esporte.
- E o fanático é aquele torcedor para quem o futebol vai muito além do entretenimento. É parte da identidade, da rotina e do senso de pertencimento. Não basta aparecer durante os grandes torneios: a marca precisa demonstrar uma relação genuína com o universo do futebol.
Além desses três segmentos, há um grupo em rápido crescimento que as campanhas globais frequentemente ignoram: as torcedoras, cujo engajamento digital está em constante crescimento, e os torcedores que chegam ao futebol por meio da cultura pop, memes e música. De fato, segundo a GWI Sports, 62% das mulheres na América Latina afirmam assistir ao futebol regularmente, tornando-as um público cada vez mais importante para a Copa do Mundo de 2026.
Plataformas digitais como palco principal
O torcedor latino-americano de 2026 é mais jovem, mais conectado digitalmente e mais diverso do que em qualquer edição anterior. As plataformas digitais deixaram de ser um suporte para se tornarem o palco principal. E, embora a conversa aconteça em escala global, ela continua sendo local em seu conteúdo.
O torneio acontece simultaneamente em múltiplos ambientes. O Instagram funciona como uma vitrine visual e um canal de posicionamento de marca. O TikTok é onde as tendências nascem e onde a criatividade nativa costuma superar produções caras. Já o X se consolidou como o espaço das conversas em tempo real, com oportunidades de relevância que surgem e desaparecem em questão de segundos.
Não tratar todos esses ambientes da mesma forma
Tratar todos esses ambientes como se fossem um único canal é, segundo especialistas, uma das maneiras mais rápidas de uma marca passar despercebida.
As primeiras semanas da Copa já reforçam que o torneio acontece simultaneamente nos estádios, nas transmissões e nas plataformas digitais. O segredo para as marcas vai muito além de estar presente no evento, mas também de participar das conversas que surgem em tempo real e dialogar com diferentes perfis de torcedores.
A análise completa, incluindo dados de público por mercado, mapeamento de plataformas e estratégias para cada perfil de torcedor, está disponível no e-book Soccer, Futebol, and Football: Understanding Latin American Fans and Exploring Local Conversations at the 2026 World Cup, criado pela LatAm Intersect. O material pode ser solicitado AQUI.
Sobre a LatAm Intersect
A LatAm Intersect é uma agência de relações públicas e comunicação integrada especializada em campanhas corporativas e de consumo, com operações em toda a América Latina. Reconhecida por sua excelência, a agência está entre as cinco melhores da América Latina segundo o SABRE Awards Latin America de 2022, 2024 e 2025. Seus fundadores, Claudia Daré e Roger Darashah, figuram nas listas PRovoke 25 America Innovators Professionals de 2022 e 2024, respectivamente. Claudia é a única brasileira presente na lista. O nome Intersect reflete nosso princípio fundamental: em um mundo cada vez mais impulsionado pelo big data e pela automação, a capacidade de se conectar com as pessoas de forma autêntica, por meio de relacionamentos, testes e debates, é indispensável para empresas que desejam ser relevantes no mercado. www.latamintersectpr.com



