17/06/2026 09h20
Menos itens no carrinho mudam a lógica operacional dos supermercados
Empresários do setor intensificam controle de custos e revisão de estoques para enfrentar o consumo mais cauteloso
A alta dos preços dos alimentos voltou a pressionar a operação dos supermercados brasileiros. Em março, o grupo alimentação e bebidas subiu 1,56% e teve um dos maiores impactos sobre a inflação oficial do país, segundo o IBGE. Ao mesmo tempo, embora o consumo dentro dos lares siga em crescimento, o comportamento de compra mudou, com consumidores mais sensíveis a preço, mais seletivos nas escolhas e com menor disposição para compras volumosas.
Para Márcio Goulart, especialista em gestão de supermercados e porta-voz da Meta Contabilidade, a reação do setor tem exigido ajustes operacionais rápidos e decisões mais estratégicas. “O supermercadista precisou abandonar qualquer lógica automática de operação. Não basta vender mais fluxo. Hoje, a sobrevivência está ligada à capacidade de entender o novo comportamento do consumidor e adaptar a loja com rapidez, sem perder margem”, afirma.
Operação mais enxuta e decisões mais estratégicas
O consumidor continua comprando, mas leva menos itens, comparam mais preços, substituem marcas e distribuem melhor os gastos ao longo do mês. Para os supermercadistas, isso reduz previsibilidade, pressiona margens e exige respostas mais rápidas na operação. Estratégias baseadas apenas em volume perderam força, abrindo espaço para uma gestão mais criteriosa sobre estoque, precificação e eficiência operacional.
Na prática, a principal mudança para o empresário está na forma de interpretar o desempenho da operação, loja cheia já não significa necessariamente bom resultado financeiro. Com tickets mais pressionados e comportamento de compra mais fragmentado, a rentabilidade passou a depender menos do fluxo e mais da capacidade de ajustar rapidamente decisões comerciais e operacionais conforme a movimentação real do consumidor.
Diante desse movimento, Márcio reúne algumas dicas de ajustes práticos para aliviar a pressão e facilitar a vida do empresário no cenário atual.
- Revisar mix e estoques
Com compras mais seletivas, manter produtos de baixo giro ou com rentabilidade comprometida passou a representar custo maior, a revisão do sortimento busca reduzir desperdícios e melhorar o aproveitamento do capital de giro. - Ajustar precificação com mais frequência
A volatilidade nos preços dos alimentos exige revisões comerciais mais constantes para evitar perda de margem e manter competitividade diante de um consumidor altamente sensível a preço.
- Reforçar controle sobre custos e desperdícios
Perdas operacionais que antes tinham impacto diluído passaram a pesar mais no resultado. Energia, logística, vencimentos, rupturas e despesas internas entraram com mais força no radar da gestão.
- Investir em fidelização e promoções mais estratégicas
Com menor espaço para descontos generalizados, redes têm buscado ações mais direcionadas para aumentar a recorrência e estimular compras sem comprometer a rentabilidade.
Margem virou indicador de sobrevivência
Segundo Goulart, o erro de parte do setor foi acreditar que o aumento no fluxo de consumidores significaria melhora automática no caixa. “Muitas lojas seguem cheias, mas com tickets pressionados e compras mais fragmentadas. Se o empresário olha apenas movimentação e não acompanha margem, ruptura, giro e custo operacional, pode ter uma falsa percepção de crescimento.”
A mudança também exige decisões menos intuitivas e mais baseadas em indicadores de operação. Para o especialista, o comportamento do consumidor impôs uma nova lógica ao setor. “Quem continuar operando como se estivesse em outro momento econômico tende a perder competitividade de forma silenciosa”, conclui.
Sobre Márcio Goulart
Márcio Goulart é diretor da Meta Assessoria Empresarial e atua na liderança das frentes de tecnologia e processos da empresa. Ao longo dos últimos anos, foi um dos responsáveis pela modernização da operação, com a implementação de automações e soluções que ampliaram a eficiência e a capacidade de atendimento.
Sua atuação está voltada à conexão entre tecnologia e gestão, apoiando empresários na organização de dados, na melhoria de processos e na tomada de decisão. Com foco em resultado, trabalha no desenvolvimento de estruturas que permitam maior previsibilidade, controle e crescimento sustentável nos negócios.
Para mais informações, acesse instagram
Sobre a Meta Contabilidade
A Meta Assessoria Empresarial é uma empresa especializada em soluções contábeis, fiscais e de gestão, com atuação direcionada ao desenvolvimento de negócios. A companhia atende empresários de diferentes segmentos, com presença relevante no varejo supermercadista, oferecendo suporte estratégico para organização e crescimento das operações.
Nos últimos anos, estruturou um modelo que integra contabilidade, tecnologia e gestão, com foco em eficiência operacional e apoio à tomada de decisão. A empresa também atua na formação de lideranças e na capacitação de gestores, conectando conhecimento técnico à aplicação prática dentro das empresas.
Para mais informações, acesse o site metassessoria.
Fontes de pesquisa
IBGE
Kantar
https://www.kantar.com/brazil/inspiration/consumo/2025/consumidores-brasileiros




