PUBLICIDADE

"Muitas lavouras morrem de sede com o pé na água": Agrônomo aponta 5 erros que travam a produtividade da soja no Brasil


PUBLICIDADE

25/05/2026 10h34

"Muitas lavouras morrem de sede com o pé na água": Agrônomo aponta 5 erros que travam a produtividade da soja no Brasil

Deivianne Jhasper


Enquanto a média nacional não passa de 64 sacas, método que foca na construção de perfil de solo ajuda produtores a romperem a barreira dos três dígitos

 

 

 

O Brasil vive um paradoxo produtivo em 2026. Segundo o levantamento mais recente da CONAB, a safra 25/26 atingiu o recorde de 177,8 milhões de toneladas, impulsionada por uma área plantada de quase 49 milhões de hectares. No entanto, o dado que tira o sono do produtor é outro, pois a média nacional de produtividade segue estagnada na faixa das 60 sacas por hectare.

Enquanto o potencial genético da soja é estimado em 200 sc/ha, por que a maioria das fazendas não consegue romper esse teto de vidro? Para o engenheiro agrônomo Leandro Barcelos, mentor do projeto A Raiz da Solução e estrategista por trás do recorde nacional de 135,49 sc/ha (Agro Mallon/CESB 2025), a resposta está em vícios de manejo que drenam o lucro, especialmente agora, com a ureia 40% mais cara devido às restrições chinesas às exportações de fertilizantes.

O especialista é enfático ao analisar o cenário. “A semente que você planta tem DNA para entregar 200 sacas, mas ela morre de sede e fome com o pé na água e no adubo, porque o manejo tradicional criou uma barreira invisível entre a raiz e o nutriente”. O agrônomo elenca os 5 erros críticos que impedem o produtor de colher três dígitos de soja:

  1. Plantar sem análise de solo atualizada: O primeiro erro é o "voo às cegas". Muitos produtores utilizam análises defasadas ou simplistas. No cenário de 2026, onde cada quilo de fertilizante custa caro, não saber exatamente o que o solo possui é sinônimo de desperdício. Uma análise aprofundada pode revelar, por exemplo, excesso de fósforo (acima de 40 ppm em resina), permitindo reduzir custos sem perder produtividade.
  2. Adubar sem mapa de fertilidade: Tratar a fazenda como um bloco único é um equívoco que gera manchas de baixa produtividade. Sem o mapeamento de fertilidade, o produtor aplica o mesmo volume de insumo em zonas que precisam de muito e em zonas que já estão saturadas. A eficiência econômica na safra 26/27 depende de nutrição de precisão.
  3. Ignorar a compactação e o perfil do solo: Este é, talvez, o erro mais caro. "Muitas lavouras morrem de sede tendo água no solo", afirma Barcelos. Isso ocorre porque o solo compactado impede que a raiz desça. O segredo da estabilidade produtiva é construir um perfil de solo corrigido até 1 ou 1,5 metro de profundidade, permitindo que a planta acesse a reserva de 200 a 400 mm de água que o solo brasileiro tem capacidade de armazenar.
  4. Confiar cegamente no "pacote do revendedor": Em momentos de crise de insumos, o produtor precisa de autonomia técnica. Seguir pacotes padronizados de prateleira, sem uma decisão técnica baseada na real necessidade da sua gleba, muitas vezes leva à compra de produtos desnecessários que não atacam o gargalo real da lavoura.
  5. Tratar sintoma com foliar em vez de tratar a causa no solo: É comum ver o produtor investir pesado em fertilizantes foliares para "corrigir" uma folha amarelada, ignorando que o problema está na base. O foliar é um complemento muito importante, mas a produtividade de 100+ sacas é construída na raiz. Foliar tem dose e fonte de acordo com o potencial da lavoura,  sem receita de bolo. Tratar o sintoma sem corrigir a causa química ou física do solo é um erro que limita o teto produtivo ano após ano.

O caminho para a recuperação de margens 

Diante da alta dos fertilizantes e da estagnação da média nacional, Leandro Barcelos defende que a "tecnologia" mais rentável de 2026 não vem em um saco de adubo, mas no conhecimento aplicado. Para aprofundar esses temas, o agrônomo realizará o evento ARDS Experience em junho, que visa ensinar produtores a como recuperar a produtividade por meio do planejamento racional. 

O recorde que desafiou o clima 

O método defendido por Leandro Barcelos foi o alicerce da maior conquista da soja brasileira na última temporada. Ele foi o consultor da Agro Mallon (Fazenda Santa Bárbara), em Canoinhas/SC, campeã nacional do 17º Desafio do CESB (2025). O Comitê Estratégico de Soja Brasil (CESB) é a maior entidade de fomento à produtividade do país, e seu desafio funciona como uma "Copa do Mundo" da soja, onde áreas são rigorosamente auditadas. Sob o manejo de Barcelos, o produtor Charles Adriano Breda colheu 135,49 sc/ha, mesmo enfrentando 18 dias de veranico durante o ciclo.

Do caminhão ao topo do agronegócio 

Aos 54 anos, Leandro Barcelos carrega uma trajetória de superação. Natural do Rio Grande do Sul e filho de produtor, viu sua família quebrar devido a secas severas. Reinventou-se como caminhoneiro na Bahia, estudando fisiologia de plantas dentro da cabine enquanto cruzava o país. Ao voltar ao campo como agrônomo, prometeu "nunca mais perder para o clima". Desenvolveu o método A Raiz da Solução, que hoje transforma mais de 50 alunos em recordistas de produtividade em todas as regiões do Brasil.

-

Quem é Leandro Barcelos?

Especialista em fisiologia vegetal com mais de 40 anos de vivência no campo, Leandro Barcelos é o consultor agronômico por trás do recorde nacional de produtividade de soja do CESB 2025. 

Natural do Rio Grande do Sul e filho de produtores, trilhou uma jornada resiliente: de produtor rural a caminhoneiro, estudando ciência das plantas na cabine do caminhão após enfrentar perdas severas pela seca. Essa trajetória o levou a desenvolver um método exclusivo chamado A Raiz da Solução, que permite colher acima de 100 sc/ha em diversas regiões do Brasil. 

Referência técnica validada por milhares de alunos e cases de sucesso espalhados por todo o país, ele transformou o desafio do estresse hídrico na marca histórica de 135,49 sc/ha na Fazenda Santa Bárbara (SC), consolidando-se como uma das maiores autoridades em produtividade e resiliência climática no agronegócio brasileiro. 

 

 
 




PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
  • academia374
  • Nelson Dias12
PUBLICIDADE