16/05/2026 06h00
Acordo Mercosul-União Europeia inaugura nova corrida por eficiência tributária e pode redefinir competitividade da indústria brasileira
Tratado elimina tarifas sobre mais de 80% das exportações brasileiras, mas especialistas alertam que empresas podem perder competitividade sem adaptação fiscal, regulatória e operacional
A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, em 1º de maio de 2026, inaugura um dos maiores movimentos de abertura econômica já vividos pelo Brasil nas últimas décadas e reposiciona o país no comércio global. Após mais de 26 anos de negociações, o tratado conecta um mercado de mais de 700 milhões de consumidores e um PIB combinado superior a US$ 22 trilhões, criando uma das maiores áreas de livre comércio do planeta.
Na prática, mais de 80% das exportações brasileiras destinadas à União Europeia passam a contar imediatamente com tarifa de importação zerada, ampliando o acesso de produtos nacionais ao bloco europeu e elevando a pressão competitiva sobre as empresas brasileiras .Mas, para especialistas, o impacto do acordo vai muito além da redução tarifária.
Para Victor Hugo Rocha, sócio-administrador do Rocha & Rocha Advogados e especialista em Direito Tributário e Aduaneiro, o novo cenário cria uma espécie de “corrida por eficiência” dentro da indústria nacional, em que a competitividade internacional dependerá diretamente da capacidade de adaptação fiscal, regulatória e operacional das empresas.
“O acordo abre uma oportunidade histórica para o Brasil ampliar sua presença internacional, mas também expõe empresas nacionais a um novo nível de exigência. A competitividade agora passa por um binômio muito claro: conformidade técnica e eficiência tributária”, afirma.
Segundo o advogado, o momento coincide com uma transformação estrutural do sistema tributário brasileiro provocada pela Reforma Tributária. Com a implementação do IBS e da CBS previstos na LC 224/2025, empresas exportadoras precisarão acelerar processos de reorganização fiscal para evitar perda de margem e aumento de custo operacional.
“A lógica tributária da indústria brasileira está mudando ao mesmo tempo em que o país entra em uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. Isso exige revisão de cadeia produtiva, recuperação ágil de créditos acumulados, planejamento aduaneiro e capacidade de adaptação rápida às exigências internacionais”, explica Victor Hugo Rocha.
Entre os setores mais impactados pelo acordo estão alimentos, agronegócio, metalurgia, químicos, máquinas e equipamentos e materiais elétricos, segmentos altamente dependentes de competitividade tributária e logística para operar globalmente.
Além da redução de tarifas, o tratado estabelece regras comuns de comércio, harmonização técnica, padrões de rastreabilidade e exigências ambientais e de governança alinhadas ao modelo europeu de ESG. Na avaliação do especialista, isso transforma a própria gestão fiscal em um ativo estratégico de negócio.
“A nota fiscal deixa de ser apenas uma obrigação acessória e passa a funcionar como ferramenta estratégica de competitividade global. Empresas que não tiverem rastreabilidade, compliance e governança tributária robusta podem perder espaço mesmo com tarifa zero”, diz.
O movimento também deve aumentar a concorrência dentro do mercado brasileiro. Isso porque a entrada gradual de produtos europeus no país tende a pressionar indústrias nacionais por produtividade, eficiência operacional e revisão de custos.
“O Brasil passa a competir em outro patamar. O acordo cria oportunidades enormes, mas também elimina zonas de conforto históricas da indústria nacional. As empresas que conseguirem combinar eficiência tributária, segurança jurídica e capacidade operacional tendem a liderar esse novo ciclo econômico”, conclui Victor Hugo Rocha.
Sobre a Rocha & Rocha Advogados
Fundada em 2014, em Londrina (PR), a Rocha & Rocha Advogados atua nacionalmente na governança tributária de grandes contribuintes. O escritório nasceu da combinação de dois perfis complementares: Ciro Rocha, com visão técnica aprofundada sobre o funcionamento do Fisco; e Vanessa Rocha, com liderança voltada à estruturação, ao crescimento da operação e à incorporação de tecnologia como instrumento de governança. Conta com Victor Hugo Rocha como sócio, que contribui com uma atuação prática e estratégica na interpretação e aplicação das mudanças tributárias, conectando o jurídico à realidade operacional das empresas.
Com mais de 100 profissionais, mais de 400 clientes ativos e presença em Londrina, Brasília e São Paulo, a Rocha & Rocha integra expertise jurídica e contábil para atuar onde a complexidade tributária exige mais do que conformidade, exige método, previsibilidade e decisão estratégica.



