08/05/2026 07h15
Em cenário de queda da produtividade da soja, bioinsumos podem servir de paliativo para absorver parte do plantio
O preço da soja no porto de Paranaguá recua 9,4%, e chega a R$ 128,62, segundo indicadores do Cepea
A combinação de preços deprimidos, endividamento no campo e a escalada nos custos dos fertilizantes fosfatados está alterando o planejamento dos produtores de soja para a safra 2026/27. Após um ciclo de 2025/2026, de produção recorde, o setor enfrenta um dos cenários mais desafiadores dos últimos anos, e a possibilidade de redução na área plantada está sendo considerada com mais seriedade do que em safras anteriores.
Isso não ocorre desde 2006/2007. O preço da soja no porto de Paranaguá, que chegou a R$ 142 por saca em dezembro, já recuou 9,4%, sendo negociado atualmente a R$ 128,62, segundo indicadores do Cepea/Esalq. Esse movimento de queda, somado ao acúmulo de custos de safras anteriores, está comprimindo as margens dos produtores e influenciando diretamente as decisões de investimento para o novo ciclo.
As consultorias divergem nas projeções, mas convergem no diagnóstico de pressão. A Cogo Inteligência estima 48,9 milhões de hectares para 2026/27, abaixo dos 49 milhões do ciclo atual, o que configuraria a primeira redução em 20 anos. A Datagro, mais otimista, projeta crescimento de 1%, sustentado por investimentos de longo prazo já realizados em manejo de solo. A Safras & Mercado acredita que, mesmo sem avanço, a área deve se manter estável, dado o potencial de incorporação de pastagens à produção de soja.
No horizonte de médio prazo, uma alternativa vem ganhando espaço como resposta estrutural à dependência de fertilizantes importados: os bioinsumos. O Brasil já é o maior utilizador mundial dessas soluções biológicas, aplicando-as em boa parte do plantio de soja do território nacional cuja produção gera uma economia estimada em US$ 5 bilhões por ano. Biofertilizantes produzidos localmente têm potencial de reduzir entre 30% e 40% os custos com insumos e diminuir em 30% o uso de nitrogênio sintético na cultura.
“Os bioinsumos têm se mostrado aliados estratégicos na construção de uma agricultura mais equilibrada e menos dependente de produtos sintéticos. A rápida expansão mostra que o setor agropecuário busca unir produtividade, sustentabilidade e responsabilidade ambiental”, afirmou Fellipe Parreira, Portfólio e Acesso no Grupo GIROAgro.
A ressalva, porém, é importante: especialistas alertam que a substituição completa dos fertilizantes minerais ainda é inviável na escala da agroindústria brasileira, dado que a produção nacional cobre menos de 20% da necessidade total do país, segundo a Conab. O caminho, portanto, é de complementaridade Se o cenário adverso atual empurrar produtores e instituições a aprofundarem essa agenda, o momento de crise pode se converter, paradoxalmente, num acelerador da transição.
“Em síntese, o mercado de bioinsumos representa uma evolução técnica e comercial, que busca agregar valor, segurança e sustentabilidade para o produtor rural. Investir em experimentação local, na capacitação de consultores e na construção de uma comunicação sólida é o caminho para acelerar a adoção desses produtos, beneficiando o agronegócio brasileiro como um todo”, finaliza.





