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Especialistas debatem inclusão financeira, regulação e tecnologia na América Latina


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01/05/2026 09h00

Especialistas debatem inclusão financeira, regulação e tecnologia na América Latina

assessoria


 

Falta de educação financeira e dificuldade de traduzir temas técnicos ainda limitam acesso a serviços financeiros, apontam especialistas 

 

 

Apesar do avanço no acesso a serviços financeiros na América Latina, a falta de educação financeira e a dificuldade de traduzir temas técnicos ainda limitam o impacto real na vida do consumidor. Esse foi o principal ponto discutido no webinar “Promovendo a Inclusão Financeira por meio do Jornalismo na América Latina”, realizado pela LatAm Intersect, que reuniu especialistas para debater o papel do jornalismo na conexão entre finanças, tecnologia e decisões do dia a dia.

O encontro contou com a participação de Raphael Veleda, diretor de sucursal do Metrópoles; Victor Barboza, especialista em finanças e fundador da GF Criativa; e Paulo Aragão, country manager do Cointelegraph Brasil.

Para contextualizar o debate, a LatAm Intersect apresentou uma pesquisa com quase 200 jornalistas da região, que mapeia a cobertura sobre finanças na América Latina. 

Os dados mostram que 35,5% cobrem frequentemente temas de inclusão ou educação financeira, enquanto 45,5% os consideram muito relevantes — indicando um descompasso entre interesse editorial e aprofundamento da cobertura. Comunicados de imprensa e newsletters são as principais fontes (40%), e inovação tecnológica lidera entre os temas de maior interesse (31,8%), seguida por educação financeira (22,7%). Entre as tendências com maior potencial de sinergia estão identidade digital e crédito alternativo (46,3%), além da democratização do acesso a investimentos com exposição ao Bitcoin (20%).

Na avaliação de Raphael Veleda, o jornalismo econômico ainda falha em conectar inovação e regulação à vida real. “As grandes histórias mostram a transformação na vida das pessoas, o público deve ser a fonte da notícia, não o press release”, afirmou. 

Veleda foi além e levantou um ponto que, segundo ele, ainda é pouco explorado pela imprensa: a importância da educação financeira por parte dos jornalistas, e deu como exemplo o endividamento recorde das famílias brasileiras. Para ele, a pergunta que o jornalismo deveria estar fazendo é se a inclusão bancária está, paradoxalmente, acelerando esse ciclo, já que o acesso facilitado ao crédito, sem educação financeira, pode expor as pessoas a juros predatórios.

Victor Barboza reforçou que o impacto da inclusão só se comprova na prática. “O relato de quem passou a usar crédito ou fazer pagamentos diferencia uma inovação real de práticas como o greenwashing, quando a empresa aparenta ser sustentável, mas isso não se confirma na prática.” Ele também destacou o papel da regulação no avanço do setor, citando iniciativas como Pix e Open Finance, mas ressaltou que o país ainda precisa avançar na educação financeira da população.

Barboza também destacou o papel indispensável da regulação nesse processo. O Brasil, segundo ele, tornou-se referência mundial justamente por ter um regulador que apoiou ativamente a transformação do mercado. Mas a avaliação não foi sem ressalvas: “a regulação define as regras do jogo, mas não ensina ninguém a jogar. O país ainda precisa avançar muito em educação financeira, e parte desse trabalho passa por levar o debate regulatório a associações, entidades de classe e ao próprio jornalismo, para derrubar barreiras e combater as fake news que circulam sobre o tema”.

Paulo Aragão, country manager do Cointelegraph Brasil, chamou atenção para um desafio central: a comunicação da regulação. “É preciso explicar o que muda para o usuário. A regulação não é boa ou ruim por si só — seus efeitos dependem de como impactam o dia a dia das pessoas”, disse. Ele também destacou que as finanças descentralizadas já têm aplicações concretas em contextos de inflação alta e baixa bancarização, mas ainda enfrentam barreiras de entendimento.

Foi nesse discurso que o grupo aprofundou a discussão sobre criptomoedas e DeFi. Longe do hype especulativo, Aragão defendeu que as finanças descentralizadas já provaram seu valor em cenários concretos de exclusão financeira, especialmente em países com inflação alta, acesso bancário caro e moeda instável. "Criptomoedas e stablecoins se tornaram uma forma de sobrevivência em países com inflação alta e baixa bancarização, resolvendo problemas concretos ao reduzir custos e aumentar a liberdade financeira."

Aragão também foi direto sobre o Brasil: o país tem tamanho e capacidade de adoção tecnológica para liderar o movimento global de DeFi, mas precisa de clareza regulatória — uma lei branda, clara e favorável à indústria, que evite a concentração do mercado nas mãos de poucos players.

O painel encerrou com uma convergência: todos os caminhos levam à educação financeira. Barboza alertou para o "efeito manada" — a tendência de investir no pico do hype, movida pela preguiça de pesquisar e pelo medo de ficar de fora. Veleda reforçou que a chave para separar a transformação real de discurso de mercado está em buscar veículos especializados e fontes com credibilidade, evitando o que chega por WhatsApp ou anúncio patrocinado.

Já Aragão foi o mais direto na conclusão: o FOMO — fear of missing out, o medo de ficar de fora — é explorado por golpistas nos momentos de boom exatamente porque as pessoas não têm base para avaliar o que é real. Isso vale para cripto, para DeFi, e para qualquer mercado que se aproveite da dificuldade de entendimento do público. A resposta é sempre a mesma. “Todas as questões levam à educação financeira. Ela é a base para evitar cair em promessas irreais. E o jornalismo tem um papel central nisso, é ele quem pode traduzir essas transformações e conectá-las à vida das pessoas."

O debate também tocou num desafio estrutural da comunicação financeira: a diferença geracional de linguagem e plataforma. Aragão revelou que o público do Cointelegraph é majoritariamente masculino e jovem, entre 18 e 38 anos,  mas o público de infoprodutos sobre finanças pessoais é predominantemente feminino e acima dos 50 anos. São universos com dúvidas, medos e referências completamente diferentes, e que exigem abordagens editoriais diferentes. A juniorização das redações, apontou a mediadora Fabiana Piasentin, agrava esse gap: repórteres jovens tendem a escrever para seu próprio público, deixando de fora uma parcela significativa da população que mais se beneficiaria da educação financeira.

O painel encerrou com um consenso: o avanço da inclusão financeira na região dependerá menos da ampliação do acesso e mais da capacidade de transformar informação em decisão. Nesse processo, o jornalismo ocupa um papel central ao traduzir temas complexos e conectá-los à realidade do consumidor final.

 

Sobre LatAm Intersect

LatAm Intersect é uma agência de comunicações integradas especializada em campanhas corporativas e de consumo, com operações em toda a América Latina. Reconhecida pela sua excelência, a agência é reconhecida pela PRovoke Media entre as 100 melhores agências de consumo da América Latina, e é uma das 5 melhores agências da América Latina pelos SABRE Awards Latin America em 2022, 2024 e 2025. Seus fundadores, Claudia Daré e Roger Darashah, figuram na lista PRovoke 25 Profissionais Inovadores da América para 2022 e 2024, respectivamente. O nome Intersect reflete nosso princípio fundamental: em um mundo cada vez mais impulsionado pelo big data e pela automatização, a capacidade de se conectar com pessoas de forma autêntica, através de relacionamentos, testes e debates, é indispensável para as empresas que desejam ser relevantes no mercado. www.latamintersectpr.com

 

Sobre o projeto Intersecção de Valor

InterSecção de Valor" é um espaço no qual são protagonistas o diálogo humano, a troca de conhecimentos e a paixão por construir uma melhor comunicação entre pessoas, empresas, setores, indústrias e, em última instância, mas não menos importante, uma sociedade melhor.

 

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