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Mulheres ainda são menos de 10% entre gestores de investimento certificados no Brasil, aponta levantamento


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28/04/2026 04h36

Mulheres ainda são menos de 10% entre gestores de investimento certificados no Brasil, aponta levantamento

Gabriel Soares


Número de profissionais habilitados para gestão mais que triplicou em uma década, mas participação feminina avançou apenas dois pontos percentuais

Mulheres representam apenas 8,43% dos profissionais certificados para gestão de investimentos no Brasil, segundo levantamento da wealth tech Ella Wealth com base em dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Atualmente, o país possui 20.206 profissionais certificados para atuar diretamente na gestão de recursos, dos quais 1.703 são mulheres.

A baixa presença feminina na gestão de recursos não é exclusiva do Brasil, mas o país apresenta números ainda mais concentrados. Globalmente, as mulheres representam cerca de 12% dos gestores de fundos, segundo levantamento da Morningstar.

O dado chama atenção porque o mercado cresceu rapidamente na última década, mas a presença feminina praticamente não acompanhou essa expansão. Entre 2015 e 2025, o número total de profissionais aprovados nas principais certificações de gestão mais que triplicou. No mesmo período, a participação feminina avançou apenas dois pontos percentuais, passando de cerca de 7% para pouco mais de 8%.

“A indústria de investimentos cresceu muito nos últimos anos, mas o acesso às posições onde as decisões de alocação realmente acontecem ainda é extremamente concentrado. O crescimento do mercado não se traduziu em maior diversidade nas mesas de gestão”, afirma Ana Toledo, autorizada e certificada pela CVM e Anbima, uma das mulheres que atuam na gestão de investimentos no Brasil, co-founder e CIO da Ella Wealth.

A análise considera três das principais certificações ligadas à gestão de recursos no país: CFG, CGA e CGE.

Na certificação CFG, voltada à formação geral para gestão, o total de aprovados passou de 2.560 profissionais em 2015 para 9.802 em 2025, quase quatro vezes mais. Ainda assim, a participação feminina subiu de 7% para apenas 9% no período.

Entre os certificados CGA, uma das principais credenciais para gestão direta de fundos e carteiras administradas, o número total de profissionais passou de 2.574 para 7.997 em dez anos. Nesse caso, a presença feminina variou apenas de 7% para 8%.

A certificação CGE, voltada à gestão de produtos estruturados, mostra um movimento semelhante. O total de aprovados passou de 2.571 em 2015 para 6.485 em 2025, enquanto a participação feminina avançou apenas de 7% para 8%.

Na avaliação de Toledo, o dado revela um funil estrutural dentro do mercado financeiro. “As mulheres já são praticamente metade dos profissionais nas áreas de distribuição e relacionamento com investidores. O gargalo aparece quando olhamos para as posições onde se decide estratégia, risco e alocação de capital”, afirma.

De fato, quando se observa o universo mais amplo das certificações da Anbima, incluindo aquelas voltadas à distribuição de produtos financeiros, o equilíbrio é muito maior. Atualmente existem 650.556 certificações ativas no país, das quais 320.134 pertencem a mulheres, o equivalente a 49,2% do total.

O tema ganha ainda mais relevância diante do crescimento da riqueza feminina no mundo. Estimativas da McKinsey indicam que mulheres devem controlar cerca de US$30 trilhões em riqueza global até 2030, impulsionadas pelo aumento da renda, empreendedorismo e transferências patrimoniais.

“O patrimônio feminino cresce rapidamente no mundo e deve ganhar ainda mais relevância nos próximos anos. Para o mercado financeiro, isso significa uma mudança estrutural no perfil dos investidores e na forma como as estratégias de gestão precisam ser pensadas”, finaliza Toledo.

Sobre a Ella Wealth

A Ella Wealth é uma wealth tech brasileira powered by Hyperion Asset especializada em gestão patrimonial e consultoria financeira com foco no protagonismo feminino. Fundada por executivas com trajetória consolidada no mercado financeiro e em tecnologia, a empresa nasce com o propósito de promover liberdade por meio da independência financeira, transformando a forma como as mulheres se relacionam com o dinheiro, o patrimônio e as decisões de longo prazo. Ao unir gestão patrimonial, educação financeira e comunidade com DNA de tecnologia, a Ella se posiciona como uma Wealth Tech que atende alta renda e em seguida atenderá o universo digital também.

 

Ana Toledo Ana Toledo 

 




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