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COP15 entrega proteção recorde para espécies migratórias e abre novo capítulo sobre financiamento global


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  • mell280

30/03/2026 11h46

COP15 entrega proteção recorde para espécies migratórias e abre novo capítulo sobre financiamento global

assessoria


 


 

Conferência inclui 40 espécies nas listas de proteção — o resultado mais robusto de sua história — e inicia, pela primeira vez, discussões sobre financiamento para conservação


A 15ª Conferência das Partes (COP15) da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias (CMS), realizada em Campo Grande, na região do Pantanal brasileiro, entre 23 e 29 de março de 2026, foi encerrada com o que autoridades descreveram como um dos resultados mais produtivos da história do acordo. A decisão combina proteção recorde da biodiversidade com os primeiros passos rumo a uma agenda global de financiamento.
 

Um total de 40 novas espécies foi incluído nos apêndices da Convenção, marcando a maior expansão de proteção já alcançada pela CMS. O resultado foi amplamente apresentado pelos negociadores como prova de que a cooperação multilateral segue capaz de entregar resultados concretos, mesmo em um cenário geopolítico fragmentado.
 

“Temos uma das COPs mais bem-sucedidas da história da Convenção, com a inclusão de 40 novas espécies e um avanço muito firme na proteção global. Isso mostra que, com cooperação e multilateralismo, é possível entregar resultados concretos”, afirmou João Paulo Capobianco, presidente da COP15.
 

Para além dos números, a conferência reforçou uma mudança em direção à cooperação prática entre países, com a aprovação de uma série de ações coordenadas para proteger rotas migratórias e habitats críticos. A mensagem central foi clara: para espécies migratórias, a ação nacional isolada não é suficiente.
 

De forma crucial, a COP15 também marcou um ponto de inflexão ao colocar o financiamento no centro da agenda da CMS. Pela primeira vez, os países concordaram em avançar discussões sobre uma estratégia de mobilização de recursos, reconhecendo que a implementação dependerá de apoio financeiro — especialmente para países em desenvolvimento.
 

“Pela primeira vez, a Convenção discutiu como garantir financiamento, tecnologia e capacidade para que os países cumpram seus compromissos — sem isso, a conservação simplesmente não acontece”, disse Patrick Luna, chefe da divisão de biodiversidade do Ministério das Relações Exteriores.
 

O resultado reflete a estratégia diplomática mais ampla do Brasil de posicionar a biodiversidade no centro dos debates de governança global, conectando proteção ambiental com desenvolvimento econômico, cooperação internacional e coordenação política.
 

A conferência também destacou a crescente convergência entre as agendas de clima e biodiversidade, com espécies migratórias sendo cada vez mais tratadas como bioindicadores das transformações ambientais causadas pelas mudanças climáticas.
 

“A natureza não reconhece fronteiras — e o nosso compromisso de protegê-la também não pode reconhecer. Esta Convenção reflete uma responsabilidade compartilhada que vai além dos interesses nacionais — atuamos pelo que não pertence a ninguém e, portanto, pertence a todos”, afirmou Capobianco em seu discurso de encerramento.
 

Cooperação na prática
 

Entre as espécies que passaram a contar com maior proteção estão exemplos que ilustram tanto sua importância ecológica quanto seu valor econômico e cultural em diferentes regiões.
 

Nos ecossistemas marinhos, espécies como o cação-cola-fina (Mustelus schmitti) — fortemente impactado pela pesca no Atlântico Sul — e tubarões migratórios de distribuição global destacam a necessidade de regulação internacional coordenada das atividades pesqueiras.
 

Nos sistemas fluviais, a inclusão do pintado (Pseudoplatystoma corruscans) reflete sua importância econômica para a pesca na América do Sul e reforça a cooperação entre países da bacia Paraná–Paraguai.
 

Já aves migratórias como o maçarico-de-bico-torto e o maçarico-de-bico-virado, que conectam a América do Norte à América do Sul ao longo de mais de 30 países, evidenciam a escala hemisférica dos desafios de conservação.
 

Espécies oceânicas como os petréis, que cruzam até 64 países mas dependem de poucos locais de reprodução, ilustram de forma clara como a conservação depende de governança global coordenada.
 

Esses exemplos refletem uma mudança mais ampla: da proteção isolada para sistemas integrados de conservação transfronteiriça, já em implementação em diferentes regiões.
 

Olhando para frente, o Brasil sinalizou que pretende avançar com essa agenda por meio de uma iniciativa emblemática voltada ao boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis). A proposta — a ser formalmente apresentada na COP16 — busca estabelecer uma área de conservação dedicada à espécie na bacia amazônica, envolvendo os nove países da região, incluindo aqueles que ainda não integram a Convenção.
 

A iniciativa foi concebida não apenas para proteger uma espécie, mas como uma plataforma de governança regional, fortalecendo o alinhamento de políticas, ampliando a cooperação e incentivando a adesão de novos países à CMS.

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