27/03/2026 10h25
Governo adia consulta sobre IOF em criptomoedas em resposta ao crescimento acelerado das operações com stablecoins no Brasil
Avanço do uso de cripto em transações internacionais coloca setor no radar da arrecadação e reforça maturidade do mercado
O governo federal deve adiar a consulta pública sobre a cobrança de IOF em operações com criptomoedas, prevista inicialmente para este mês, segundo informações da Reuters. A decisão ocorre em meio à priorização de outras agendas econômicas, mas reflete um movimento mais amplo: o crescimento acelerado do uso de ativos digitais no Brasil, especialmente das stablecoins, que já são amplamente utilizadas em remessas internacionais e pagamentos no exterior. Dados da Receita Federal indicam que esses ativos, atrelados a moedas como o dólar, concentram parte relevante das operações cripto realizadas por brasileiros.
Murillo Oliveira, especialista em investimentos e estruturação financeira internacional e Head of Treasury da Saygo, afirma que o avanço do tema para a agenda do governo é consequência direta da consolidação desse mercado. “Quando o governo começa a discutir tributação, isso mostra que o volume atingiu um nível relevante. O mercado de criptomoedas deixou de ser periférico e passou a fazer parte da dinâmica real de fluxo financeiro internacional”, diz.
A discussão sobre a incidência de IOF ganhou força após o Banco Central abrir espaço, na regulação cripto aprovada no fim de 2025, para que o uso desses ativos seja equiparado a operações de câmbio em determinados casos. Esse movimento aproxima as criptomoedas do sistema financeiro tradicional e amplia o potencial de arrecadação sobre transações que já vêm sendo utilizadas por empresas e pessoas físicas.
Na prática, o uso de stablecoins vem se consolidando como uma alternativa eficiente para operações internacionais, reduzindo custos, acelerando liquidações e ampliando o acesso a mercados globais. Para empresas com atuação no comércio exterior, a adoção desses ativos já representa uma mudança estrutural na forma de operar. “As stablecoins trouxeram eficiência para operações que antes eram mais lentas e caras. Isso explica por que o volume cresceu tanto e por que o tema passou a ser relevante para o governo”, afirma Oliveira.
A Saygo, como corretora habilitada a operar câmbio por meio de stablecoins, acompanha esse avanço de perto. A empresa atua na estruturação dessas operações para clientes que buscam maior eficiência e previsibilidade financeira em transações internacionais. Segundo o executivo, a tendência é de crescimento contínuo. “Estamos vendo uma transformação na infraestrutura do comércio exterior. O uso de ativos digitais já faz parte da operação de muitas empresas e deve se expandir ainda mais nos próximos anos”, diz.
O debate sobre a cobrança de IOF também evidencia uma mudança na relação entre o Estado e o mercado cripto. À medida que o volume de operações aumenta, esses ativos passam a ser observados não apenas como inovação tecnológica, mas como uma nova base potencial de arrecadação. “O governo começa a olhar para esse mercado como uma fonte relevante de fluxo financeiro. Isso muda o nível da discussão e coloca as criptomoedas em outro patamar dentro da economia”, afirma.
Para o consumidor final, o avanço das stablecoins também já traz impactos concretos. O uso desses ativos em viagens internacionais e compras no exterior tem reduzido custos com spread cambial e tarifas bancárias, ampliando o acesso a soluções financeiras globais.
O adiamento da consulta pública não interrompe esse movimento, mas indica que o tema deve voltar à agenda nos próximos meses com maior maturidade. Para especialistas, a tendência é que a regulação acompanhe o crescimento do mercado. “O IOF não surge como uma barreira, mas como consequência natural de um mercado que ganhou escala. O próximo passo é estruturar regras que acompanhem essa evolução sem comprometer a competitividade”, conclui Murillo Oliveira.
Sobre Murillo Oliveira
Murillo Oliveira é Head of Treasury da Saygo Group, com atuação no mercado financeiro voltada à tesouraria, investimentos e estruturação financeira em contextos globais. Trabalha com gestão de caixa, ALM, portfolio management e estratégias de proteção cambial, participando de decisões que envolvem múltiplas moedas e exposição a cenários macroeconômicos voláteis.
Certificado como Certified Investment Manager (CGA e CFG), é formado pela Escola Politécnica da USP e alumni da Oxford Saïd Business School, com especialização em inteligência artificial e trading algorítmico. Ao longo da carreira, acumulou experiência em tesourarias e na indústria de fundos, desenvolvendo uma visão técnica e aplicada sobre mercados financeiros e fluxos internacionais de capital.
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Sobre a Saygo
A Saygo é uma holding brasileira especializada em comércio exterior, formada pela unificação da Proseftur Assessoria em Comércio Exterior e da Zebra Corretora de Câmbio. Com mais de 23 anos de experiência, a empresa oferece soluções integradas para importadores e exportadores, abrangendo assessoria em operações internacionais, serviços cambiais e desenvolvimento de tecnologias para otimização de processos globais. Seu compromisso é auxiliar empresas a ingressarem e expandirem suas atividades no mercado internacional, proporcionando estratégias inovadoras e suporte especializado.
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Fontes de pesquisa
Banco Central do Brasil
https://www.bcb.gov.br/controleinflacao/copom
https://www.bcb.gov.br/controleinflacao/historicotaxasjuros
Federal Reserve
https://www.federalreserve.gov/monetarypolicy/fomc.htm
https://www.federalreserve.gov/monetarypolicy/fomcstatements.htm
B3 – Bolsa de Valores do Brasil
https://www.b3.com.br/pt_br/market-data-e-indices/indices/indices-amplos/ibovespa.htm
https://www.b3.com.br/pt_br/market-data-e-indices/servicos-de-dados/volatilidade.htm




