- mell280
12/01/2026 08h41
Educação financeira pode evitar vício em jogos on-line
Com milhões de brasileiros afetados, jogos de azar despertam alerta para saúde mental, endividamento e a importância da educação financeira desde a infância
Um dos assuntos mais comentados no Brasil em 2025 foram as casas de apostas. Com os jogos on-line e o fácil acesso às plataformas, surgem problemas que, atualmente, já são considerados de saúde pública. De acordo com dados da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), cerca de 11 milhões de brasileiros com mais de 14 anos enfrentam problemas emocionais, familiares e profissionais relacionados aos jogos de azar.
Segundo a psicóloga Juliana Maria Silveira, especialista em gestão de investimentos e educação financeira, os vícios em casas de apostas se assemelham aos vícios em álcool e drogas em alguns pontos, como o fato de ambos ativarem os circuitos de recompensa do cérebro (relacionados à dopamina), levarem à tolerância comportamental e à compulsão, depressão e ansiedade.
“Em alguns casos, a ansiedade precede o comportamento e aumenta a vulnerabilidade, levando a pessoa a apostar como forma de ‘automedicação’. Em outros, o próprio jogo intensifica a ansiedade e os sintomas depressivos. A ansiedade pode ajudar a compreender por que alguém inicia ou mantém o comportamento, mas não justifica suas consequências”, explica a psicóloga.
Sinais do vício em apostas e como combater
A questão financeira é uma das principais ligada ao vício em apostas, pois o dinheiro vai além dos números e envolve aspectos emocionais. Segundo Juliana, cada pessoa lida com ele de uma forma, tendo em vista suas crenças e histórias. Portanto, duas pessoas com a mesma renda podem apresentar comportamentos diferentes, por exemplo, enquanto uma poupa e vive com tranquilidade, a outra pode viver sempre no limite, utilizando o dinheiro como forma de regular emoções.
“Há quem entre nesse universo (jogos de aposta) motivado pela esperança de pagar contas ou resolver dívidas. Há quem busque a excitação e a adrenalina e há também quem veja nisso uma forma de escapar de sentimentos desconfortáveis. Assim como o dinheiro, o comportamento de apostar é multifatorial e profundamente individual, influenciado por fatores psicológicos, sociais, emocionais e econômicos”, afirma a psicóloga.
Entre os sinais de vício e que devem ser um alerta, tanto pessoal quanto para se observar em amigos e familiares, estão:
- Preocupação excessiva: pensar constantemente em apostar, planejar a próxima aposta ou rever apostas passadas;
- Perda de controle: tentar reduzir ou parar e falhar repetidamente. Gastar mais tempo ou dinheiro do que pretendia;
- Perseguir perdas: apostar mais para “recuperar” prejuízos;
- Impacto na vida: negligenciar trabalho, estudos, relações ou responsabilidades; endividamento crescente;
- Ocultamento e negação: mentir sobre quanto aposta, esconder extratos, sentir culpa ou vergonha;
- Tolerância emocional: necessidade de apostar mais para obter a mesma excitação (paralelo neurobiológico).
Antes de apostar, a pessoa geralmente sente ansiedade e desejo intenso para a próxima aposta, além de usar justificativas internas para se enganar. Durante a aposta, a sensação de “quase vitória” reforça a ilusão de controle sobre o jogo. Quando ganha, pensa que podia ter apostado mais. Quando perde, sente culpa, vergonha, o impulso de recuperar o dinheiro, o que mantém o ciclo.
Os efeitos negativos afetam diversas áreas da vida, principalmente os vínculos familiares e rendimento profissional. Entre as formas de combater a dependência está o apoio psicológico em sessões individuais ou em grupos de apoio, afastamento das plataformas, como desinstalar aplicativos ou cadastro em plataformas do Governo, nas quais, ao informar o CPF, o usuário pode ser bloqueado de casas de apostas, além do acesso a informações de conscientização.
Educação financeira desde a infância
Atualmente, o Brasil tem 80,4 milhões de pessoas endividadas, de acordo com o Serasa. São adultos que, por não entenderem ou terem acesso a educação financeira, acabam perdendo o controle de suas finanças. Uma maneira de evitar que, no futuro, tenhamos mais adultos nesta situação, são as ações preventivas com crianças e adolescentes. A Investeendo, startup que ensina educação financeira por meio da gamificação, realiza ações e projetos focados nos assuntos relacionados com o tema.
Por meio de jogos físicos e em aplicativos instalados em totens que simulam caixas eletrônicos e tablets, a metodologia criada permite que os jovens aprendam sobre investimentos, poupanças, ações, entre outros assuntos e cresçam com as finanças em dias, além de estarem longe de jogos de azar.
“É fundamental que as crianças e os jovens aprendam desde cedo sobre como gerenciar bem suas finanças e como evitar as armadilhas e golpes financeiros, tão divulgados em redes sociais. Uma forma de fazer com que um assunto tão complexo como esse seja interessante para essa faixa etária é por meio dos jogos e da gamificação”, destaca Sam Adam Hoffmann, cofundador e CEO da Investeendo.
Para a psicóloga Juliana, é importante que a educação financeira seja aplicada junto a outras ações. “Intervenções precoces em educação financeira têm potencial preventivo, especialmente quando integradas a ações com famílias e comunidade. A educação financeira melhora a compreensão de risco, probabilidade e gestão do dinheiro. Ainda assim, é importante destacar que ela, isoladamente, não elimina o risco. Fatores sociais, disponibilidade e vulnerabilidades individuais também influenciam. A abordagem mais eficaz passa por um modelo integrado de prevenção, que articule educação financeira, desenvolvimento de competências emocionais e políticas públicas estruturadas”, afirma.
A Investeendo já realizou projetos em mais de 40 instituições de ensino, além de ter chegado a três estados brasileiros e atuado diretamente com comunidades em situação de vulnerabilidade social. “Temos tido experiências muito boas no combate aos apps de apostas. Muitas empresas já entenderam que essa é uma luta de todos, e patrocinam a implementação da metodologia de educação financeira nas escolas. Estudantes que antes viam no “Tigrinho” uma forma de investimento, passam a discutir renda fixa e variável, liquidez, carência, impostos e muito mais”, ressalta Sam.
Sobre a Investeendo
A Investeendo é uma startup fundada por Sam Adam Hoffmann, Vanessa Cristiane Motta de Matos e Mariana Motta de Matos Rosa, que une educação financeira e gamificação para transformar a relação de jovens com o dinheiro. Surgida de um encontro inusitado entre um professor da rede pública do Paraná e duas bancárias, a iniciativa já impactou mais de 6 mil jovens em três estados brasileiros por meio de uma metodologia inclusiva baseada em jogos analógicos e aplicativos em totens digitais, implementada em mais de 40 instituições de ensino. Reconhecida por sua inovação, a Investeendo participou do programa Shark Tank Brasil, conquistando visibilidade nacional, foi a grande vencedora do 12º Prêmio Legado de Empreendedorismo Social, recebeu o prêmio em 1º no Inovativa como a melhor startup em educação e foi uma das startups que receberam o selo Latam de Inovação da América Latina. Para mais informações, acesse www.investeendo.com/ e acompanhe nas redes sociais (@investeendo_edu) e no LinkedIn: Investeendo.
![]() Freepik |



