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Renato Santana
PUBLICADO EM: 03/11/2026 10h16


Mercado de M&A fica mais seletivo e concentra recursos em ativos de escala, diz especialista



São Paulo – O mercado brasileiro de fusões e aquisições movimentou R$ 251,6 bilhões em 968 transações até setembro de 2026, segundo levantamento da TTR Data. Apesar de uma queda de 31% no número de operações em relação ao mesmo período de 2025, o capital mobilizado cresceu 18%, reforçando a percepção de um mercado mais seletivo, com investidores concentrando recursos em determinadas operações e ativos considerados estratégicos.

 

 

 

Globalmente, de acordo com relatório do banco norte-americano JP Morgan, que utiliza um corte diferente, o primeiro semestre de 2026 presenciou um recorde de transações, com um volume de US$ 3,2 trilhões, o que representaria um aumento de 44% na comparação anual. Desse valor, a América Latina representaria US$ 70 bilhões, sendo aproximadamente 46% de transações envolvendo o Brasil.

 

 

Para Adriano Chaves, sócio e co-head de M&A do CGM Advogados, escritório de advocacia full service que atende grandes empresas do Brasil e do exterior em mais de 30 áreas do Direito Empresarial, os números mostram que o ambiente de juros elevados e maior seletividade não interrompeu o mercado de M&A, mas mudou o perfil das operações.

“A queda no número de transações, combinada ao crescimento do capital mobilizado, mostra um mercado mais seletivo. Em um cenário de juros ainda elevados e maior percepção de risco, empresas e investidores tendem a concentrar recursos em ativos com maior escala, maior capacidade de geração de valor e resiliência a volatilidade”, comenta o especialista.

O desempenho dos diferentes segmentos reforça essa leitura. As operações de Asset Acquisitions somaram 223 transações e R$ 42,1 bilhões até setembro, com queda de 15% no volume de operações, enquanto o Private Equity registrou 62 operações, movimentando R$ 54,9 bilhões, alta de 189% no capital mobilizado. Já o Venture Capital teve 167 rodadas de investimento e R$ 9,6 bilhões movimentados, com queda de 21% no total investido.

Chaves também destaca a presença do capital estrangeiro no mercado brasileiro. Os Estados Unidos lideraram os investimentos no Brasil, com 101 operações, embora as aquisições feitas por empresas norte-americanas tenham recuado 19%. Já os fundos estrangeiros de Private Equity e Venture Capital que investem no país registraram queda de 3% em 2026.

“O interesse estrangeiro permanece relevante, mas está mais direcionado. Temos visto um fluxo constante de novas negociações, mas também um número razoavelmente alto de transações que são interrompidas ou suspensas. O Brasil continua sendo visto como um mercado com oportunidades, especialmente em ativos estratégicos e setores com potencial de crescimento. A redução das incertezas políticas e fiscais e avanços no ambiente regulatório e tributário poderiam ampliar esse fluxo”, avalia o co-head de M&A do CGM Advogados.

Entre os setores mais ativos, Internet, Software & IT Services liderou, com 161 transações, seguido por Real Estate, com 147 operações. No ambiente cross-border, empresas brasileiras realizaram 13 aquisições nos Estados Unidos e oito na Colômbia até setembro.

Sobre CGM Advogados

Com mais de dez anos de atuação e um grupo de sócios que está junto há mais de 25 anos, CGM Advogados é um escritório de advocacia full service que atende grandes empresas do Brasil e do exterior em mais de 30 áreas do Direito Empresarial. Com mais de 1.000 clientes atualmente, sendo 60% deles internacionais, CGM Advogados representa companhias como Valentino, Syngenta Seeds, Maersk, Idea Zarvos, CVC Corp, Citibank, Cielo, Banco Luso, Levi Strauss, Lindt Sprüngli e Grupo Volkswagen. Mais informações: https://www.cgmlaw.com.br/


 

 






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